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PM apreende munições e rádios em Francisco Sá - Rede Gazeta de Comunicação

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PM apreende munições e rádios em Francisco Sá

Um motociclista de 49 anos foi preso na noite de terça-feira (9) no bairro Vila Vieira, em Francisco Sá, após tentar atropelar um policial durante fuga

A 11ª Região da Polícia Militar de Minas Gerais (11ª RPM) deflagrou, na noite da última terça-feira (9), uma ação de rotina no âmbito da Operação PMMG 251 Anos — iniciativa comemorativa que intensifica o policiamento ostensivo e preventivo em todo o estado. O foco daquela noite era a cidade de Francisco Sá, município de pouco mais de 25 mil habitantes localizado no Norte de Minas, a 450 km de Belo Horizonte. O que começou como uma simples blitz de trânsito na rua Boiadeiro, no bairro Vila Vieira, terminou com um homem algemado e uma série de apreensões que revelaram um possível esquema de caça predatória na região.

Por volta das 21h30, a guarnição composta pelo sargento Wellington e pelos cabos Antunes e Rocha realizava abordagens seletivas a veículos e pedestres em atitude suspeita. Foi quando avistaram uma motocicleta Honda Titan, de cor vermelha e placa de Janaúba, trafegando com o farol dianteiro desligado — infração prevista no Código de Trânsito Brasileiro, mas que, na prática, é frequentemente usada por infratores para não chamar atenção. O condutor, um homem de 49 anos, moreno, barba por fazer, vestindo jaqueta jeans escura e calça cáqui, ao perceber o holofote da viatura, reduziu bruscamente a velocidade e começou a gesticular de forma estranha, como se estivesse escondendo algo no banco da moto.

O suspeito, no entanto, ignorou o comando e avançou em direção a um dos policiais, caracterizando a conduta como desobediência e tentativa de agressão. Após um breve acompanhamento a pé — pois o homem acabou perdendo o equilíbrio ao tentar entrar em um beco de terra batida —, ele foi contido com técnicas de imobilização e algemado. Não houve feridos.

Revista pessoal: no bolso esquerdo da jaqueta, os militares encontraram um cigarro de palha e um isqueiro, além de R$ 87 em notas pequenas. Nada de ilícito ali. Mas a busca veicular foi mais reveladora. Debaixo do banho da motocicleta, enroladas em um pano de prato sujo de graxa, estavam sete munições intactas calibre .20 — um tipo de cartucho comumente usado em espingardas boqueiras, muito populares no interior mineiro para abate de animais silvestres, como tatus, pacas e veados. Quando questionado, o suspeito afirmou, em tom hesitante: “Eu ia levar essas munições pro sítio do meu cunhado, na comunidade de São João, para guardar. Não tenho arma não, senhor.” A versão não convenceu a equipe.

No compartimento traseiro da moto, preso com elásticos, estava uma mochila verde-oliva. Dentro dela: duas camisas camufladas (padrão floresta), dois rádios comunicadores portáteis da marca Baofeng (modelo comum entre caçadores e fazendeiros da região), uma faca de caça com lâmina de 15 centímetros (tipo ponta de corço) e uma garrafa pet de 500 ml contendo água — possivelmente para hidratação durante longas esperas em tocas. A combinação de itens, segundo a PM, é um clássico indício de atividade cinegética ilegal. “Quem vai para o sítio levar munição não leva rádio e camuflagem. Isso é kit de caçador noturno”, explicou o sargento Wellington, que já atuou em patrulhamento rural na região do vale do Jequitinhonha.

Diante das evidências, os policiais perguntaram sobre a existência de uma arma de fogo. Após relutância, o detido confessou: “Tem uma espingarda velha, do mesmo calibre, escondida num tonel dentro de uma propriedade ali perto, na estrada de São João.” Ele indicou o local — uma fazenda abandonada, com pasto sujo e uma mangueira seca. Os militares se deslocaram até o sítio, uma área de 30 hectares sem cerca elétrica, e, após 20 minutos de varredura, encontraram um tonel de plástico azul de 200 litros, semi-enterrado em meio a uma moita de samambaia e cactos. Dentro do tonel, além de folhas secas e barro, foram localizados: um socador de pólvora artesanal (feito de madeira), dois chumbos fundidos, um pote com pólvora negra parcialmente úmida e algumas espoletas — tudo que faltava para que as munições fossem usadas. A espingarda propriamente dita, porém, não foi encontrada. O suspeito então mudou a versão: “Minha mãe deve ter jogado fora. Eu não mato bicho não, só crio galinha.”

A documentação da motocicleta também estava irregular. Ao consultar o sistema, os policiais verificaram que o licenciamento de 2025 estava em atraso havia mais de 90 dias — o que, segundo a resolução do Contran, torna o veículo apto para remoção ao pátio. A Honda Titan foi então guinchada e encaminhada ao depósito credenciado de Francisco Sá, onde aguardará o pagamento de multas e taxas para ser liberada. O homem, que tem antecedentes por lesão corporal e ameaça (conforme levantamento preliminar da PM), recebeu voz de prisão em flagrante pelos artigos 14 (posse irregular de munição de uso permitido, com agravante por tentativa de atropelamento) e 309 (conduzir veículo sem licenciamento em dia) do Código Penal e do CTB. Ele foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Montes Claros, pois a delegacia de Francisco Sá funciona apenas em regime de plantão durante o dia — à noite, os presos são levados para a regional da maior cidade vizinha.

Na delegacia, o delegado de plantão, Dr. Ricardo Martins, determinou a lavratura do auto de prisão em flagrante e requereu à Justiça a conversão em preventiva, alegando periculosidade (tentativa de atropelar militar) e risco de fuga, já que o suspeito possui família em zona rural sem endereço fixo comprovado. As munições, os rádios e a faca foram periciados pela Papiloscopia e encaminhados ao setor de armas e munições. A faca, inclusive, apresentava manchas escuras que serão submetidas a teste de sangue animal.