Em entrevista concedida nesta segunda-feira (8), o CEO do Atlético, Pedro Daniel, explicou os impactos diretos do aporte de R$ 530 milhões realizado pela família Menin nos cofres da SAF alvinegra
O cenário financeiro do Atlético Mineiro, um dos clubes mais tradicionais do futebol brasileiro, segue sendo uma montanha-russa de tensão e esperança. Nesta segunda-feira (8), o CEO da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) alvinegra, Pedro Daniel, concedeu entrevista coletiva para detalhar o impacto do mais recente aporte de capital injetado pela família Menin, um dos pilares do chamado “Grupo dos Quatro” que comanda o clube. O valor anunciado – R$ 530 milhões – não é apenas mais um número no balanço; ele representa, nas palavras do dirigente, uma “mudança estrutural” na forma como o Atlético respira financeiramente.
A injeção de recursos chega em um momento crítico. De acordo com a última edição do Relatório Convocados, documento de referência sobre as finanças do futebol brasileiro, o Atlético lidera o ranking de maior dívida líquida entre os clubes do país. Ao final do balanço de 2025, as pendências financeiras do Galo atingiram a marca de R$ 2,632 bilhões, um aumento em relação aos R$ 2,324 bilhões registrados no exercício anterior. Esse endividamento inclui dívidas bancárias, trabalhistas, tributárias e compromissos com outros clubes e fornecedores.
O destino dos R$ 530 milhões: atacar a dívida que “machuca no dia a dia”
Pedro Daniel foi direto ao explicar a destinação do novo aporte. Ao contrário de rumores que sugeriam investimentos em contratações ou infraestrutura, o dinheiro será utilizado prioritariamente para reduzir a dívida bancária de curto prazo.
“Como vocês sabem, o Atlético vive uma situação financeira complexa, e nós discutimos muito quais eram as alternativas para fazer com que o clube fosse sustentável, saudável e competitivo ao mesmo tempo. A principal frente que abordamos é o endividamento bancário”, afirmou o CEO.
Segundo ele, essa modalidade de dívida é a mais prejudicial ao fluxo de caixa operacional. “É uma dívida de alto custo, que tira dinheiro do futebol para o pagamento de juros. Ela nos machuca no dia a dia”, completou. Ao quitar parte significativa desses passivos, o clube libera recursos que antes eram destinados ao pagamento de juros e amortizações, permitindo maior investimento em áreas estratégicas.
Confiança dos acionistas: quase R$ 1,5 bilhão investidos
O aporte de R$ 530 milhões não é um gesto isolado. Pedro Daniel destacou que, com esse novo valor, a família Menin – uma das mais influentes do empresariado mineiro, ligada à MRV – já soma quase R$ 1,5 bilhão investidos na SAF do Atlético desde sua criação.
“Isso demonstra total confiança no projeto e vontade de ver um Galo competitivo e campeão”, enfatizou o CEO.
O dirigente ressaltou ainda que o investimento foi aprovado por todas as instâncias de governança do clube, garantindo transparência ao processo.
As outras frentes de reestruturação
O plano de saneamento financeiro do Atlético inclui outras duas frentes:
1. Plano de credores na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD): negociação com ex-atletas, empresários e demais credores para evitar disputas judiciais prolongadas.
2. Regularização tributária junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN): busca por adesão a programas de transação tributária, permitindo parcelamentos e redução de encargos.
“Entendemos que o impacto que teremos dentro das quatro linhas é reflexo direto de um clube mais sustentável e organizado fora de campo”, destacou Pedro Daniel.
O equilíbrio entre finanças e competitividade
Pedro Daniel reconheceu o desafio de conciliar responsabilidade financeira com desempenho esportivo.
“Quando falamos de finanças, parece que estamos desconectados do campo. Mas, no futebol de hoje, as coisas caminham juntas. Os clubes com maior poderio financeiro tendem a ter os melhores atletas e entregar melhor performance”, afirmou.
Segundo ele, mesmo durante o processo de reestruturação, o Atlético continuará investindo no futebol profissional e na infraestrutura, mantendo o objetivo de permanecer competitivo.
Impacto no elenco e nas próximas janelas
Nos bastidores, o aporte foi recebido com alívio. O abatimento da dívida bancária deve proporcionar maior estabilidade financeira, garantindo o cumprimento de compromissos e oferecendo mais tranquilidade para o planejamento esportivo.
Apesar disso, a tendência é de cautela no mercado de transferências, sem investimentos considerados fora da realidade financeira do clube.
Contexto: a dívida recorde
O Atlético viveu um ciclo vitorioso entre 2020 e 2022, conquistando títulos importantes como o Campeonato Brasileiro de 2021, a Copa do Brasil de 2021 e a Supercopa do Brasil de 2022. Entretanto, o aumento dos investimentos em elenco e a construção da Arena MRV contribuíram para a elevação do endividamento.
A dívida bancária, agora alvo prioritário do aporte da família Menin, possuía elevado custo financeiro, com taxas de juros que comprometiam parte significativa das receitas do clube.
Próximos passos
A diretoria da SAF pretende atuar simultaneamente em três frentes: redução da dívida bancária, negociação com credores na CNRD e regularização tributária junto à PGFN.
Pedro Daniel encerrou com uma mensagem de confiança:
“Sabemos da complexidade, mas hoje temos um plano muito bem definido. Não mediremos esforços para manter o elenco forte e competitivo. Queremos um Galo sustentável, organizado e campeão. O aporte da família Menin é um passo gigantesco nessa direção.”
A torcida alvinegra acompanha atentamente os próximos capítulos, na expectativa de que o ajuste financeiro se converta em estabilidade e conquistas dentro de campo.



