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Minas Gerais registra mais de 47 mil casos de hepatites virais em 24 anos; doença provocou mais de 5,4 mil mortes no estado - Rede Gazeta de Comunicação

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Minas Gerais registra mais de 47 mil casos de hepatites virais em 24 anos; doença provocou mais de 5,4 mil mortes no estado

Hepatites B e C concentram os casos mais graves e podem permanecer sem sintomas por anos. Especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce, da vacinação e das medidas de prevenção para reduzir a transmissão e evitar complicações como cirrose e câncer de fígado

As hepatites virais continuam figurando entre os principais desafios da saúde pública em Minas Gerais. Dados do Ministério da Saúde revelam que, entre os anos de 2000 e 2024, o estado registrou 47.804 casos confirmados da doença e 5.417 mortes relacionadas às diferentes formas de hepatites virais, evidenciando a necessidade de ampliar o diagnóstico precoce, fortalecer as estratégias de prevenção e incentivar a vacinação.

No cenário mineiro, as hepatites B e C concentram a maior parte dos casos com potencial para evoluir para quadros graves. Uma das principais preocupações dos especialistas é que essas infecções podem permanecer silenciosas durante muitos anos, permitindo que o vírus provoque danos progressivos ao fígado antes mesmo do aparecimento dos primeiros sintomas.

A doença pode evoluir para complicações severas, como cirrose hepática, insuficiência do fígado, câncer hepático e, em situações mais graves, levar à necessidade de transplante.

Brasil acumula mais de 826 mil casos

Os números nacionais também chamam atenção. Entre 2000 e 2024, o Brasil contabilizou mais de 826 mil casos confirmados de hepatites virais.

A hepatite C lidera as notificações no país, respondendo por aproximadamente 41,5% dos registros, com mais de 342 mil casos.

Em seguida aparece a hepatite B, responsável por cerca de 36,6% das notificações, totalizando mais de 302 mil diagnósticos.

A hepatite A ocupa a terceira posição, com aproximadamente 175 mil casos, enquanto os tipos D e E representam menos de 1% das notificações registradas no período.

Segundo especialistas, apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, as hepatites B e C continuam representando um grande desafio por causa da evolução lenta e silenciosa da doença.

Doença pode permanecer silenciosa por décadas

Um dos aspectos que mais preocupam médicos e autoridades sanitárias é o fato de que muitas pessoas convivem com o vírus sem apresentar qualquer manifestação clínica.

Enquanto o paciente acredita estar saudável, a inflamação causada pela infecção continua provocando lesões progressivas no fígado.

Quando os sintomas aparecem, muitas vezes a doença já se encontra em estágio avançado, reduzindo as possibilidades de tratamento precoce e aumentando o risco de complicações.

Entre os sinais que podem indicar hepatite estão fadiga intensa, febre, indisposição, náuseas, vômitos, dores abdominais, pele e olhos amarelados — condição conhecida como icterícia —, urina escura e fezes esbranquiçadas.

Entretanto, especialistas alertam que a ausência desses sintomas não significa ausência da doença.

Diagnóstico precoce aumenta chances de tratamento

Para reduzir o número de casos graves, o Ministério da Saúde vem ampliando a oferta de testes rápidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Até maio de 2026, Minas Gerais recebeu 408.675 testes rápidos para hepatite C, distribuídos gratuitamente às unidades de saúde do estado.

A estratégia busca ampliar o diagnóstico precoce, permitindo que os pacientes iniciem o tratamento antes do surgimento de complicações irreversíveis.

Segundo a infectologista e consultora da Organização Nacional de Acreditação (ONA), Cláudia Vidal, identificar a infecção nas fases iniciais aumenta significativamente as possibilidades de controle da doença e, em muitos casos, de cura.

Ela recomenda que pessoas pertencentes aos grupos de risco ou que apresentem sintomas compatíveis procurem atendimento médico e realizem os exames disponíveis na rede pública.

Formas de transmissão variam conforme o tipo de hepatite

As hepatites virais apresentam diferentes formas de transmissão.

A hepatite A está relacionada principalmente ao consumo de água ou alimentos contaminados e ocorre com maior frequência em locais onde há deficiência de saneamento básico e de condições adequadas de higiene.

Já as hepatites B e D podem ser transmitidas pelo contato com sangue contaminado, relações sexuais sem preservativo e também da mãe para o bebê durante a gestação ou no momento do parto.

A hepatite C, por sua vez, é transmitida principalmente pelo contato com sangue infectado.

Entre as situações de maior risco estão o compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos perfurocortantes, além da utilização de materiais sem esterilização adequada em procedimentos como tatuagens, colocação de piercings e alguns procedimentos estéticos.

Vacinação e prevenção continuam sendo fundamentais

Especialistas destacam que medidas relativamente simples continuam sendo as formas mais eficazes de evitar novos casos.

A vacinação, disponível gratuitamente para alguns tipos de hepatites, é considerada uma das principais ferramentas de prevenção.

Também são recomendados o uso de preservativos nas relações sexuais, o não compartilhamento de objetos cortantes ou perfurantes, cuidados com a higiene pessoal e a melhoria das condições de saneamento básico.

Essas medidas contribuem para reduzir significativamente a circulação dos vírus e proteger a população contra formas graves da doença.

Cenário mundial ainda preocupa

O desafio das hepatites virais não se restringe ao Brasil.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 1,3 milhão de pessoas morreram em 2024 em decorrência das hepatites B e C.

Juntas, essas duas formas da doença respondem por mais de 95% das mortes relacionadas às hepatites virais em todo o mundo.

Apesar dos avanços obtidos nos últimos anos com a ampliação da vacinação, dos testes rápidos e dos tratamentos antivirais, a OMS alerta que o ritmo atual ainda é insuficiente para alcançar a meta de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.

Diante desse cenário, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce, a vacinação, a informação e o acesso aos serviços de saúde permanecem como as principais estratégias para reduzir a transmissão da doença, evitar complicações graves e salvar vidas.