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PJ Minas aprova 12 propostas para ampliar a inclusão - Rede Gazeta de Comunicação

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PJ Minas aprova 12 propostas para ampliar a inclusão

Estudantes de 185 municípios participaram da plenária final e escolheram 12 prioridades entre 74 propostas construídas ao longo de quase um ano de debates

A plenária estadual do Parlamento Jovem de Minas (PJ Minas) terminou nesta sexta-feira (18), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), com a definição de 12 propostas prioritárias voltadas à ampliação da inclusão de pessoas com deficiência (PcDs) e pessoas neurodivergentes. Cerca de 150 estudantes do ensino médio participaram da etapa final, representando 185 municípios mineiros.

A escolha encerrou um processo que durou quase um ano e envolveu estudantes em atividades de pesquisa, discussão e elaboração de propostas nas etapas municipal e regional do programa. Ao todo, foram produzidas 74 sugestões relacionadas ao tema “Inclusão da Pessoa com Deficiência e com Neurodivergência”. Dessas, 18 chegaram à plenária estadual e foram submetidas à análise dos participantes.

Durante a sessão, os estudantes ocuparam os lugares normalmente destinados às deputadas e aos deputados no Plenário da ALMG. Eles apresentaram argumentos favoráveis e contrários, discutiram as propostas e participaram da votação que definiu as 12 prioridades que irão compor o documento final do PJ Minas 2026.

Debate começou nos municípios

O processo de construção das propostas teve início nos próprios municípios participantes. Ao longo das etapas anteriores, os jovens pesquisaram questões relacionadas à inclusão, identificaram problemas enfrentados por pessoas com deficiência e neurodivergentes e discutiram possíveis medidas para enfrentar essas dificuldades.

As propostas foram organizadas em três subtemas. Antes da plenária estadual, representantes dos municípios participaram de encontros regionais e, posteriormente, dos seis Grupos de Trabalho (GTs) realizados na quinta-feira (17).

Nessa etapa, os participantes analisaram as 74 sugestões produzidas durante o processo e selecionaram as 18 que seriam levadas para a discussão final.

A plenária, portanto, não representou apenas uma votação. Os estudantes precisaram defender suas ideias, ouvir argumentos diferentes e avaliar as propostas apresentadas pelos demais grupos antes de decidir quais seriam priorizadas.

A dinâmica aproximou os participantes de procedimentos presentes no processo legislativo e permitiu que eles vivenciassem uma experiência de debate público, com apresentação de argumentos, contraposição de ideias e votação.

Capacitação de profissionais está entre as propostas

Uma das propostas apresentadas durante a plenária prevê a criação de uma política estadual permanente e obrigatória de capacitação para policiais, agentes de segurança pública, profissionais de primeiros socorros e trabalhadores das áreas de educação, saúde e assistência social.

A sugestão propõe formação voltada ao chamado letramento anticapacitista, além da prevenção ao bullying, à violência e à discriminação contra pessoas com deficiência e neurodivergentes.

O texto também prevê a elaboração de protocolos para abordagem, gerenciamento de crises e acolhimento, com atendimento humanizado a esse público. Outra medida incluída na proposta é a ampliação de delegacias ou núcleos especializados na prevenção, investigação e combate à violência contra pessoas com deficiência.

A proposta foi discutida pelos estudantes dentro do conjunto de medidas relacionadas à inclusão e à proteção de pessoas que enfrentam diferentes formas de barreiras no acesso a serviços e direitos.

Jovens destacam respeito durante os debates

A construção das propostas também foi marcada pelo debate entre estudantes de diferentes municípios e realidades. Coordenadores dos Grupos de Trabalho relataram, durante a abertura da plenária, parte da experiência vivenciada nos encontros que antecederam a etapa estadual.

Ranna Stephanie da Rocha Batista, coordenadora do GT 1, destacou o ambiente de discussão entre os participantes. Segundo ela, houve divergências e debates durante o processo, mas as atividades foram conduzidas com respeito.

“Teve muito debate, mas tudo com respeito e todos se desenvolveram muito bem”, relatou.

No GT 2, o coordenador João Luiz Mariano Oliveira destacou a necessidade de ampliar a participação social das pessoas que são diretamente afetadas pelas questões discutidas.

A abertura da plenária também contou com a participação da deputada Ana Paula Siqueira (PT), que preside a reunião e é mãe de uma pessoa com deficiência. Ela parabenizou os estudantes pelo trabalho desenvolvido durante as etapas municipais e regionais e ressaltou a importância da participação dos jovens no debate político.

“Estar no PJ é receber um sopro de esperança. É bonito demais ver a presença da juventude na política”, afirmou.

22ª edição teve participação recorde

Em sua 22ª edição, o Parlamento Jovem de Minas registrou participação recorde. O programa reuniu representantes de 185 municípios, sendo 48 cidades novas em relação às edições anteriores.

O PJ Minas é um programa de formação política desenvolvido pela Escola do Legislativo da ALMG em parceria com as câmaras municipais e a Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas).

A proposta é aproximar estudantes do funcionamento das instituições públicas e estimular a participação cidadã por meio de estudos, debates e elaboração de propostas relacionadas a temas de interesse social.

A edição de 2026 teve como foco a inclusão de pessoas com deficiência e pessoas neurodivergentes. Ao longo do ano, os estudantes tiveram contato com diferentes aspectos do tema e construíram propostas a partir das discussões realizadas em seus municípios.

A etapa estadual representou o momento de consolidação desse processo. Com a escolha das 12 prioridades, os estudantes encerraram o ciclo de debates que começou nas cidades participantes e chegou ao Plenário da Assembleia Legislativa.

Próxima edição já está em preparação

Enquanto a edição de 2026 chega ao fim, as câmaras municipais interessadas em participar da próxima edição do Parlamento Jovem de Minas já podem se preparar para a inscrição.

O prazo para adesão termina em 20 de outubro de 2026. A participação das câmaras é necessária para que novos grupos de estudantes possam integrar o programa e percorrer as etapas de formação, discussão e elaboração de propostas.

A experiência de 2026 reuniu jovens de diferentes regiões de Minas Gerais em torno de um tema que envolve direitos, acessibilidade, proteção e participação social. O resultado final é formado pelas 12 propostas escolhidas pelos próprios estudantes entre as sugestões produzidas ao longo do projeto.

Com a votação encerrada, as prioridades passam a integrar o documento final do Parlamento Jovem de Minas 2026, registrando as principais demandas e propostas construídas pelos participantes durante quase um ano de estudos e debates.