Cânceres de vulva e vagina são raros, mas alterações persistentes na região íntima podem indicar a necessidade de investigação médica
Coceira que não passa, sangramento vaginal sem explicação, corrimento diferente do habitual, feridas que não cicatrizam ou mudanças na cor e na textura da pele da região íntima são sinais que não devem ser ignorados. Embora os cânceres de vulva e vagina sejam considerados raros, alterações persistentes podem exigir investigação médica.
Os dois tipos de tumor fazem parte dos cânceres ginecológicos e estão associados a diferentes fatores de risco, entre eles a infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV) e o envelhecimento. A atenção aos sintomas é importante porque algumas lesões podem inicialmente ser confundidas com infecções, irritações ou outros problemas ginecológicos.
Dados do Global Cancer Observatory (Globocan) estimaram, em 2022, cerca de 18,8 mil novos casos e 8,2 mil mortes por câncer de vagina em todo o mundo. A maior parte dos novos diagnósticos ocorreu na Ásia, com 10.171 casos, seguida por Europa, África, América do Norte, América Latina e Caribe e Oceania.
Sangramento é um dos principais sinais
O câncer de vagina atinge a parte interna da genitália feminina. Um dos sinais mais frequentes é o sangramento vaginal anormal e, muitas vezes, indolor. O problema pode aparecer fora do período menstrual, após a relação sexual ou em mulheres que já passaram pela menopausa.
Também podem ocorrer corrimento vaginal anormal, dor pélvica, sintomas urinários e sensação de massa na vagina.
No câncer de vulva, que atinge a parte externa da genitália, os sinais podem ser diferentes. Coceira persistente, manchas, alterações na cor ou na textura da pele, caroços e feridas que não cicatrizam estão entre as alterações que merecem avaliação.
O câncer de vulva é mais frequente após a menopausa, mas isso não significa que mulheres mais jovens estejam livres da doença.
Outro ponto de atenção é que esses tumores podem permanecer sem sintomas durante algum tempo. Em determinados casos, a alteração é identificada durante um exame ginecológico de rotina ou durante a investigação de outro problema.
Nem toda alteração significa câncer
Ter coceira, corrimento, ferida ou sangramento não significa necessariamente que exista um tumor. Infecções, inflamações e outras condições ginecológicas também podem provocar sintomas semelhantes.
O alerta está principalmente na persistência ou recorrência da alteração, sobretudo quando não há uma causa conhecida ou quando o problema não melhora com o tratamento indicado.
A investigação geralmente começa com o exame ginecológico. Quando existe uma lesão suspeita, o médico pode solicitar uma biópsia, procedimento no qual um pequeno fragmento do tecido é retirado para análise em laboratório.
Se houver confirmação de câncer, exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, podem ser utilizados para avaliar a extensão da doença e auxiliar na definição do tratamento.
HPV está entre os principais fatores de risco
A infecção persistente pelo HPV de alto risco está entre os principais fatores associados aos cânceres de vulva e vagina. O vírus é transmitido principalmente por contato sexual e pode permanecer no organismo sem provocar sintomas.
O tabagismo, histórico de múltiplos parceiros sexuais e presença de verrugas genitais também aparecem entre os fatores associados.
No câncer de vulva, determinadas doenças ou lesões crônicas da região genital podem aumentar o risco. Já no câncer de vagina, histórico anterior de câncer do colo do útero e exposição à radioterapia pélvica também podem estar relacionados ao desenvolvimento da doença.
Vacinação ajuda na prevenção
A vacinação contra o HPV é uma das principais medidas de prevenção contra doenças relacionadas ao vírus. No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para os públicos definidos pelo Programa Nacional de Imunizações.
Além da vacinação, o acompanhamento ginecológico e a atenção às mudanças no próprio corpo são medidas importantes.
A prevenção também passa pela redução da exposição ao HPV e pelo uso de métodos de proteção nas relações sexuais, embora nenhum método de barreira elimine completamente o risco de transmissão do vírus.
Tratamento depende do estágio
O tratamento dos cânceres de vulva e vagina depende do tipo de tumor, localização, tamanho e estágio da doença. Entre as possibilidades estão cirurgia, radioterapia e quimioterapia, utilizadas isoladamente ou em combinação.
Nos casos de câncer de vulva, a cirurgia pode envolver a retirada da lesão e, dependendo da situação, dos linfonodos próximos. Para tumores vaginais, a radioterapia e a cirurgia também podem fazer parte da estratégia terapêutica, de acordo com as características de cada caso.
Por isso, o diagnóstico é uma etapa fundamental para definir a conduta adequada.
O corpo dá sinais
A raridade desses tumores não deve ser confundida com motivo para ignorar sintomas. Sangramento sem causa aparente, especialmente após a menopausa; coceira persistente; feridas que não cicatrizam; caroços; mudanças na pele; corrimento anormal ou dor pélvica persistente são alterações que justificam avaliação profissional.
Conhecer o próprio corpo ajuda a perceber mudanças. E, quando uma alteração persiste, adiar a investigação pode significar prolongar o tempo até a identificação da causa.
O alerta de setembro é simples: alteração persistente na região íntima não deve ser normalizada nem tratada repetidamente por conta própria. A avaliação médica é o caminho para descobrir se existe apenas uma condição benigna ou se é necessário investigar algo mais sério.
A campanha Setembro em Flor chama atenção para os cinco principais cânceres ginecológicos: colo do útero, endométrio, ovário, vulva e vagina. O objetivo é ampliar o conhecimento sobre os sinais, fatores de risco, prevenção e importância do diagnóstico precoce.


