Atacante norueguês marcou os dois gols da vitória por 2 a 1 nas oitavas de final, em Nova Jersey, e surpreendeu ao pedir que brasileiros continuem apoiando a equipe
A noite do último domingo (5 de julho) ficará gravada na memória dos torcedores brasileiros como um dos capítulos mais dolorosos da história recente da Seleção nas Copas do Mundo. Em Nova Jersey, diante de um estádio MetLife repleto de amarelo, o Brasil viu seu sonho hexacampeão ser despedaçado por um algoz implacável e, ao mesmo tempo, surpreendentemente gentil: o gigante norueguês Erling Haaland. Autor dos dois gols que selaram a vitória escandinava por 2 a 1 sobre a equipe comandada por Carlo Ancelotti, o atacante do Manchester City não apenas enterrou as esperanças brasileiras nas oitavas de final como também protagonizou um dos gestos mais inusitados do torneio ao enviar, na saída de campo, uma mensagem de consolo e incentivo ao povo que acabara de desolador.
Haaland, que chegou à marca de sete gols no Mundial e agora divide a liderança da artilharia com Kylian Mbappé (França) e Lionel Messi (Argentina), falou com a imprensa no misto de zona mista e entrevista coletiva após o apito final. Visivelmente exausto, mas com os olhos brilhando de emoção, o camisa 9 fez questão de direcionar suas primeiras palavras aos milhões de brasileiros que assistiam às lágrimas de seus jogadores em campo. “Vocês precisam continuar apoiando, porque o Brasil deveria passar de fase hoje, sejamos honestos”, declarou, com a sinceridade crua que o caracteriza. “Brasil é uma grande nação do futebol, e essas grandes nações deveriam estar na semifinal, na final da Copa. Vocês merecem ganhar Copas do Mundo porque o Brasil é um país especial e um país especial para o futebol também.”
As declarações, que rapidamente viralizaram nas redes sociais, dividiram opiniões entre os torcedores. Enquanto muitos interpretaram as palavras de Haaland como um gesto de respeito e esportividade genuínos, outros viram nelas um tom de condescendência — afinal, ninguém gosta de ser consolado por quem acabou de lhe tirar o sonho. Mas o atacante norueguês, conhecido por sua mentalidade focada e por suas frases diretas, pareceu realmente surpreso com o próprio feito. “Eu quase não pude acreditar nisso, porque eu nunca sonhei com isso na minha vida”, confessou, referindo-se à vitória sobre a pentacampeã mundial. “Eu sonhei em jogar a Copa do Mundo com a Noruega e em levá-los para o Mundial, mas eu nunca esperava vencer o Brasil, vamos ser honestos em dizer isso. Então, de novo, acho que não era possível fazer algumas coisas, mas parece que estou errado”, completou, com um sorriso discreto.
A atuação de Haaland foi, de fato, uma aula de oportunismo e potência física. O primeiro gol saiu aos 23 minutos do primeiro tempo, quando o atacante se antecipou à defesa brasileira em uma cobrança de escanteio e cabeceou firme no canto esquerdo do goleiro Bento. O segundo, já na etapa complementar, aos 37 minutos, foi um golaço típico do norueguês: arrancada em velocidade pela direita, corte seco para dentro e chute colocado de perna esquerda, sem chances para o arqueiro. O Brasil ainda descontou em cobrança de pênalti polêmico com Vinícius Júnior, mas já era tarde. A Noruega, que jamais havia passado da fase de grupos em suas participações anteriores, agora se prepara para enfrentar as quartas de final no sábado (11 de julho), no Hard Rock Stadium, em Miami, contra uma seleção ainda indefinida — e Haaland prometeu mais. “Nós estamos fazendo história, e não vamos parar aqui”, declarou.
Enquanto isso, a Seleção Brasileira volta para casa com a sensação de oportunidade perdida, e Ancelotti terá que explicar por que uma equipe tão talentosa fracassou diante de um adversário teoricamente inferior. As críticas já começam a chover sobre o elenco, que agora precisa se reerguer para as Eliminatórias de 2030. Mas, por alguns instantes, em meio ao pranto e ao silêncio do vestiário, as palavras de Haaland ecoaram como um estranho bálsamo — um reconhecimento vindo de quem, no fim das contas, também reconhece a grandeza do futebol brasileiro, mesmo tendo sido o carrasco da vez.



