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GER E ROCCA | PM apreende 233 porções de drogas e caderno do tráfico em Montes Claros - Rede Gazeta de Comunicação

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GER E ROCCA | PM apreende 233 porções de drogas e caderno do tráfico em Montes Claros

Na noite dessa segunda-feira (8), a Polícia Militar de Minas Gerais, por intermédio da 11ª Região da Polícia Militar (11ª RPM), prendeu um jovem de 29 anos em flagrante por tráfico de drogas no bairro Jardim Primavera

 A guerra contra o tráfico de drogas nas periferias de Montes Claros ganhou um importante capítulo na noite dessa segunda-feira (8). Militares do Grupamento Especializado em Recobrimento (GER) em conjunto com as equipes das Rondas Ostensivas com Cães (ROCCA) – unidades de elite da 11ª Companhia Independente de Policiamento Especializado – prenderam um homem de 29 anos, apontado como um dos pontos de venda de entorpecentes do bairro Jardim Primavera. A ação foi desencadeada após sucessivas denúncias anônimas que chegaram ao Copom (Central de Operações da Polícia Militar), relatando que o suspeito, já conhecido nos meios policiais por envolvimento anterior com o tráfico, estaria utilizando o WhatsApp para divulgar a venda de drogas e, de acordo com os informantes, também para oferecer armas de fogo a clientes selecionados.

A operação foi minuciosamente planejada. As equipes do GER, especializadas em abordagens de alto risco e recobrimento tático, posicionaram-se estrategicamente nos acessos à rua Trinta e Quatro, enquanto os cães de faro da ROCCA foram utilizados para varrer o imóvel e áreas adjacentes. O suspeito foi avistado em atitude suspeita na calçada de sua residência e, ao perceber a aproximação das viaturas descaracterizadas, tentou adentrar a casa rapidamente, mas foi contido pelos militares sem reação.

Busca minuciosa revela verdadeiro centro de distribuição

Os policiais realizaram inicialmente busca pessoal, nada encontrando de ilícito com o jovem. No entanto, o comportamento nervoso e as denúncias prévias autorizaram a ampliação das buscas para o interior da residência e para um lote baldio localizado ao lado, frequentemente usado pelo suspeito como esconderijo.

A revista no imóvel e no terreno vizinho resultou em uma apreensão volumosa, que surpreendeu até mesmo os agentes experientes:

•           37 papelotes de substância com características físicas e químicas semelhantes à cocaína;

•           23 pinos (embalagens plásticas cônicas) da mesma substância – num total de 60 porções de cocaína em duas apresentações distintas;

•           67 pedras de substância análoga ao crack, já fracionadas e prontas para a venda imediata;

•           106 buchas de substância semelhante à maconha, enroladas em plástico filme e organizadas em sacos plásticos.

Ao todo, foram contabilizadas 233 porções individuais de entorpecentes. A diversidade de drogas (cocaína, crack e maconha) indica que o ponto funcionava como uma “biqueira completa”, atendendo a diferentes perfis de usuários.

Material de preparo e contabilidade criminosa

Além das drogas, os militares encontraram um verdadeiro kit de preparo e venda:

•           Uma balança de precisão digital com resíduos de entorpecentes;

•           Tesouras, estiletes e rolos de plástico filme utilizados para embalar as porções;

•           Um caderno de capa preta com anotações manuscritas contendo nomes, valores e quantidades – o que os policiais chamaram de “livro-caixa do tráfico”. As anotações incluíam expressões como “fulano – 20 pó”, “ciclano – 10 crack”, além de registros de débitos e pagamentos pendentes.

A descoberta do caderno é considerada uma prova crucial, pois permite à investigação rastrear a rede de usuários e, potencialmente, identificar outros envolvidos na cadeia do tráfico, incluindo fornecedores de maior porte.

Anúncios de armas e ligações perigosas

A denúncia que motivou a operação mencionava não apenas a venda de drogas, mas também a suposta negociação de armas de fogo via aplicativos de mensagens. Embora nenhuma arma tenha sido encontrada na residência ou no lote, os policiais apreenderam quatro aparelhos celulares, que foram periciados parcialmente em campo. Em um deles, ainda desbloqueado, foram visualizadas conversas no WhatsApp que faziam referência a “produtos” e “ferramentas” – gírias comuns no submundo do crime para designar armas. Também foram encontradas mensagens com fotos de revólveres e pistolas, enviadas a contatos não identificados.

A Polícia Civil, que recebeu os celulares para perícia aprofundada, investigará se o suspeito atuava como intermediário na venda ilegal de armamentos, o que elevaria substancialmente a gravidade dos crimes imputados.

Histórico criminal e reincidência

O jovem de 29 anos preso na noite de segunda-feira não é um estreante no mundo do crime. De acordo com o sistema de informações da 11ª RPM, ele já havia sido detido em duas ocasiões anteriores por tráfico de drogas, mas respondia aos processos em liberdade. A reincidência e o flagrante atual – com quantidades expressivas de entorpecentes e indícios de comércio de armas – deverão influenciar a decisão da Justiça, que pode decretar a prisão preventiva para evitar que o suspeito volte a delinquir enquanto aguarda julgamento.

Encaminhamento e próximos passos

Após receber voz de prisão em flagrante com base no artigo 33 da Lei 11.343/2006 (tráfico de drogas), o suspeito foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Montes Claros, onde permaneceu à disposição do Poder Judiciário. Todo o material apreendido – drogas, balanças, caderno de anotações, celulares e embalagens – foi encaminhado para perícia. A autoridade policial representou pela conversão do flagrante em prisão preventiva, destacando a quantidade de drogas, o modus operandi e o risco à ordem pública.

A 11ª RPM divulgou nota elogiando a atuação integrada do GER e da ROCCA, e reforçou o pedido para que a população continue denunciando atividades suspeitas pelos números 190 (emergência) ou 181 (Disque-Denúncia). “Cada denúncia anônima é uma peça importante no quebra-cabeça da segurança pública. E neste caso, as informações foram precisas e permitiram tirar de circulação uma quantidade significativa de drogas que abasteceria o vício de dezenas de pessoas”, afirmou um porta-voz da corporação.