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Epamig inaugura agroindústria piloto para extração de óleo de café e amplia pesquisas com foco em cosméticos e bioativos - Rede Gazeta de Comunicação

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Epamig inaugura agroindústria piloto para extração de óleo de café e amplia pesquisas com foco em cosméticos e bioativos

Novas estruturas em Lavras fortalecem a pesquisa aplicada, impulsionam a inovação no setor cafeeiro e abrem caminho para o desenvolvimento de produtos cosméticos, dermocosméticos e soluções sustentáveis a partir de resíduos agroindustriais

A Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) inaugurou, em Lavras, dois novos laboratórios voltados à inovação no setor agroindustrial: a Agroindústria Piloto de Extração de Óleo de Café e o laboratório de Ecofisiologia Digital. As estruturas reforçam o papel da instituição no desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao campo e na geração de novas alternativas de valor agregado para a agricultura mineira.

A solenidade de inauguração reuniu gestores da Epamig, pesquisadores e representantes de instituições parceiras, como a Universidade Federal de Lavras (Ufla) e a Prefeitura Municipal. Durante o evento, a diretora-presidente da Epamig, Nilda Soares, destacou que os novos espaços fortalecem o compromisso da instituição com a entrega de resultados práticos à sociedade e ao setor produtivo.

Óleo de café como nova fronteira da cafeicultura

O novo Laboratório de Extração de Óleo do Café (Lab Óleos Café) será responsável pelo desenvolvimento e difusão de tecnologias voltadas à transformação do café em produtos de maior valor agregado. A proposta é explorar o potencial bioativo do café verde, rico em antioxidantes, ácidos graxos e compostos fitoquímicos, com aplicações em diferentes segmentos industriais.

Segundo a Epamig, a iniciativa contribui para a diversificação de renda dos produtores rurais e para o fortalecimento da agroindustrialização, abrindo espaço para novos mercados além da cadeia tradicional do café.

A pesquisadora e chefe da Epamig Sul, Vânia Silva, explica que o óleo de café representa uma nova possibilidade de expansão da cadeia produtiva. “O óleo de café, mais do que um derivado, representa uma nova vertente da cafeicultura, permitindo a inserção do produto em segmentos como cosméticos, dermocosméticos, farmacêuticos e ingredientes funcionais. Ele pode ser uma atividade complementar à produção tradicional, ampliando a diversificação e a agregação de valor”, afirma.

Pesquisa aplicada e novos produtos

As atividades do laboratório incluem o desenvolvimento de cosméticos naturais derivados do café e o aproveitamento de resíduos agroindustriais para extração de óleos ricos em compostos bioativos. Também serão estudadas técnicas de extração a partir de café verde e café torrado, além de métodos de clarificação do óleo.

De acordo com a pesquisadora da Epamig Meline Oliveira, os estudos envolvem desde o aprimoramento das técnicas de extração até a caracterização química dos óleos obtidos. O objetivo é avaliar o potencial de aplicação em produtos como hidratantes, sabonetes e formulações para cuidados capilares.

“Estamos desenvolvendo tecnologias para otimizar a extração do óleo do café verde sem uso de solventes orgânicos. Esse óleo preserva grande parte dos bioativos do grão. Já o café torrado apresenta menor teor antioxidante, mas possui aroma e coloração característicos, o que também amplia suas possibilidades de uso”, explica.

Sustentabilidade e novas matérias-primas

Além do café, os estudos da Epamig devem se expandir para outras matérias-primas vegetais com potencial bioativo, como uva e cacau. A iniciativa também inclui pesquisas sobre o aproveitamento de resíduos da vitivinicultura, reforçando o compromisso com práticas sustentáveis e economia circular.

Segundo a pesquisadora Vânia Silva, já existem projetos em andamento com equipes de diferentes unidades da Epamig, incluindo o Programa Estadual de Vitivinicultura, em Caldas, além de estudos com cacau no Norte de Minas.

Investimentos e estrutura

O projeto do Lab Óleos Café foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), com investimento total de aproximadamente R$ 1,9 milhão, dentro da proposta “Desenvolvimento de tecnologias para extração de óleo de café visando à fabricação de produtos de alto valor agregado”.

A estrutura física do laboratório recebeu ainda R$ 154 mil em recursos próprios para reforma e adequação do espaço, concluída em 2025. O ambiente conta com equipamentos em escala piloto para processamento, extração, separação e purificação de óleos vegetais, incluindo sistemas de moagem, prensagem, filtragem e decantação.

Ecofisiologia digital e agricultura de precisão

Além do laboratório de óleos, a Epamig também inaugurou o espaço de Ecofisiologia Digital, voltado ao monitoramento de condições hídricas e fitossanitárias de lavouras. A estrutura utiliza ferramentas de inteligência artificial para estimar vigor, produtividade e desempenho de culturas como café e citros.

Com isso, a Epamig reforça sua estratégia de modernização da pesquisa agropecuária, integrando biotecnologia, inteligência de dados e sustentabilidade para ampliar a competitividade da agricultura mineira e abrir novas frentes de inovação no setor.