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EDITORIAL | Uma homenagem que vai além do campo - Rede Gazeta de Comunicação

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EDITORIAL | Uma homenagem que vai além do campo

Paula Pereira

Jornalista | Programadora Visual | Analista de Marketing

Há homenagens que emocionam pelo reconhecimento. Outras, pelo significado que carregam. A que Paulo e eu, recebemos no 46º Campeonato de Futebol do Max Min Clube reúne as duas coisas.

Mas, para mim, existe algo ainda mais especial: a sensação de que, depois de tantos anos acompanhando Paulo nos jogos, eu finalmente entrei para a turma.

Eu não jogo futebol. A pelada é, tradicionalmente, um espaço de homens. São jogadores de várias idades, muitos entre 50 e 80 anos, que se encontram para disputar partidas, brincar, provocar uns aos outros, reclamar do juiz, comemorar gols e, acima de tudo, cultivar amizades. E eu sou a única mulher que acompanha praticamente todos os jogos.

E nunca me senti deslocada.

Pelo contrário. Aquele ambiente me faz feliz.

Gosto de estar no Max Min, de acompanhar as partidas, as brincadeiras, as resenhas e as confraternizações. Gosto de ver aquela turma entrando em campo com a disposição de meninos, mesmo quando o corpo já lembra que os anos passaram.

E talvez seja justamente essa alegria que me fez continuar.

Paulo nem sempre quer ir jogar. Às vezes está cansado, quer ficar em casa ou simplesmente pensa em faltar.

É aí que entro em campo — embora fora dele.

Faço pressão mesmo. E faço porque sei o quanto aquele ambiente faz bem para ele. Mas também faço porque faz bem para mim.

Depois de 2019, essa certeza ficou ainda maior.

Naquele ano, Paulo sofreu um AVC grave. Foram momentos de medo e incerteza, mas ele se recuperou e, felizmente, não ficou com sequelas. A atividade física sempre fez parte da rotina dele e teve importância em sua condição e recuperação. E nós também atribuímos essa vitória à misericórdia de Deus.

Por isso, quando vejo Paulo se preparando para mais uma pelada, não vejo apenas alguém indo jogar futebol. Vejo alguém que superou uma grande adversidade e recebeu uma nova oportunidade de continuar vivendo plenamente.

Com o tempo, percebi que não vou ao Max Min apenas para acompanhar Paulo.

Eu também vou por mim.

Por isso, quando recebemos o convite da homenagem nesta edição do campeonato, senti que aquele gesto representava muito mais do que um reconhecimento.

Representava anos de convivência.

Representava amizade.

Representava uma história compartilhada.

E, principalmente, representava pertencimento.

Durante muito tempo, fui simplesmente “a mulher que acompanha o marido”.

A única mulher no meio daquela turma de homens.

Agora, porém, sinto que ganhei meu lugar oficialmente.

Agora eu também faço parte da turma.

E isso me emociona.

Porque fui acolhida por pessoas que talvez nem percebam o quanto fizeram parte da minha vida. Aprendi a gostar daquele ambiente, a esperar pelos dias de jogo e até a sentir falta quando alguém não aparece.

Eu posso não saber o nome de todos. Mas sei quando alguém está faltando.

O 46º Campeonato de Futebol do Max Min Clube mantém viva uma tradição esportiva que atravessa gerações. Depois da recuperação do gramado, os associados voltaram a ocupar o campo, levando consigo a competição, a diversão e o espírito de confraternização.

Mas o verdadeiro campeonato, para mim, está muito além do placar.

De ter motivos para sair de casa e encontrar pessoas queridas.

O futebol amador, quando praticado com responsabilidade e respeito aos limites individuais, é também uma forma de cuidar da vida.

E talvez essa seja a maior vitória da pelada.

A homenagem recebida por mim e por Paulo ficará guardada como uma das lembranças mais bonitas dessa trajetória.

Agradeço ao Presidente Charles Caldeira e a diretoria de futebol, aos jogadores, aos amigos e a todos que fazem essa pelada acontecer.

E agradeço a Paulo por ter me levado para esse universo.

Mesmo que, muitas vezes, seja eu quem precise lembrá-lo de que está na hora de ir jogar.

Se ele disser que está cansado, eu provavelmente vou insistir.

Se disser que não quer ir, vou fazer pressão.

Porque agora não é mais apenas ele que tem compromisso com a pelada.

Eu também tenho.