Comissão de Esporte da Assembleia Legislativa visita Museu Brasileiro do Futebol e discute implantação de novo espaço dedicado à história celeste. Projeto integra a proposta da Rota Turística e Cultural Cinco Estrelas e pode ser inaugurado ainda em 2026.
A história de um dos maiores clubes do futebol brasileiro poderá ganhar um novo capítulo em Minas Gerais. A Comissão de Esporte, Lazer e Juventude da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) deu mais um passo para viabilizar a criação do Museu do Cruzeiro Esporte Clube no complexo do Mineirão, em Belo Horizonte. A iniciativa foi debatida durante visita técnica realizada nesta segunda-feira (29) ao Museu Brasileiro do Futebol (MBF), localizado no Estádio Governador Magalhães Pinto.
A visita foi solicitada pelo presidente da comissão, deputado Coronel Henrique (PL), autor da proposta e um dos principais defensores da implantação do novo espaço. Segundo o parlamentar, o museu fará parte da futura Rota Turística e Cultural Cinco Estrelas, projeto que busca preservar a memória do Cruzeiro ao mesmo tempo em que impulsiona o turismo esportivo em Minas Gerais.
A proposta está prevista no Projeto de Lei nº 5.773/2026, de autoria do deputado, e contempla a criação de um circuito formado por cinco importantes locais ligados à trajetória do clube.
Rota contará a história do Cruzeiro
Pela proposta, a Rota Turística e Cultural Cinco Estrelas será composta pelo Parque Esportivo do Barro Preto, o Complexo do Mineirão, a Toca da Raposa I, a Toca da Raposa II e a Sede Campestre do Cruzeiro, além de outros equipamentos voltados à preservação da memória esportiva da instituição.
A ideia é transformar esses espaços em verdadeiros museus vivos, capazes de contar não apenas a história do clube, mas também parte da formação de Belo Horizonte e da influência da imigração italiana na capital mineira.
Fundado em 1921 por imigrantes italianos sob o nome de Società Sportiva Palestra Italia, o clube iniciou suas atividades no bairro Barro Preto. Em 1942, em decorrência do contexto da Segunda Guerra Mundial, passou a se chamar Cruzeiro Esporte Clube, adotando as cores azul e branca e a constelação do Cruzeiro do Sul como símbolo.
Para Coronel Henrique, preservar essa trajetória significa também preservar parte da história de Minas Gerais.
“O objetivo é criar espaços permanentes de valorização da memória esportiva, ampliando o potencial turístico de Belo Horizonte e fortalecendo a identidade cultural ligada ao futebol mineiro”, destacou o parlamentar durante a visita.
Museu será instalado no Mineirão
O novo museu deverá ocupar uma área de aproximadamente 200 metros quadrados dentro do complexo do Mineirão, complementando o acervo já existente no Museu Brasileiro do Futebol, que possui cerca de 1.500 metros quadrados dedicados à história do esporte nacional e internacional.
A gestora de Negócios da Minas Arena, Úrsula Nogueira, afirmou que a administradora do estádio recebeu a proposta de forma positiva.
Segundo ela, a intenção é integrar o futuro Museu do Cruzeiro ao circuito já existente, ampliando as opções de visitação e fortalecendo o Mineirão como um importante polo turístico e cultural.
“O Museu Brasileiro do Futebol já apresenta diversos momentos históricos do esporte por meio de camisas, bolas, troféus e objetos históricos. Vamos trabalhar para que o Museu do Cruzeiro complemente esse projeto e valorize ainda mais o complexo”, afirmou.
Clube apoia iniciativa
Representando o Cruzeiro, o diretor de esportes Thiago Azevedo destacou que o novo espaço será uma oportunidade para apresentar ao público toda a dimensão histórica da equipe celeste.
Segundo ele, o museu atenderá a um antigo desejo de conselheiros, associados e torcedores, além de preservar um acervo que retrata as principais conquistas do clube ao longo de mais de um século de existência.
O gestor explicou ainda que a implantação da Rota Cinco Estrelas exigirá adaptações em alguns dos espaços previstos, especialmente na sede do Barro Preto, onde poderão ser necessárias ampliações estruturais para atender ao aumento esperado no fluxo de visitantes.
Parte do acervo atualmente armazenado na Sede Campestre também poderá ser transferida para o novo museu instalado no Mineirão.
Espaço ampliará atrações do estádio
O arquiteto Bruno Campos, um dos responsáveis pelo projeto do Novo Mineirão, ressaltou que o museu agregará valor às atividades já desenvolvidas no complexo esportivo.
Segundo ele, desde a reinauguração do estádio, em 2013, a proposta sempre foi transformar o Mineirão em um espaço multifuncional, reunindo esporte, lazer, turismo, cultura e eventos.
Na avaliação do arquiteto, a implantação de um museu dedicado exclusivamente ao Cruzeiro deverá aumentar ainda mais o interesse de visitantes pelo estádio.
Inauguração pode ocorrer ainda em 2026
O diretor de marketing do Cruzeiro, Marconi Barbosa, informou que os estudos técnicos para implantação do novo espaço serão iniciados nos próximos meses.
A expectativa é de que o museu possa ser inaugurado até o final de 2026, oferecendo ao público um ambiente dedicado à preservação da memória do clube, com exposição de troféus, uniformes históricos, documentos, fotografias, objetos marcantes e conteúdos multimídia.
“O Cruzeiro possui uma história extremamente rica em títulos, conquistas e personagens. Queremos oferecer aos mineiros e aos visitantes um espaço que esteja à altura da grandeza do clube”, afirmou.
Projeto não prevê recursos públicos para o museu
Segundo o deputado Coronel Henrique, o contrato de parceria firmado neste ano entre a Minas Arena e o Cruzeiro já contempla a previsão de um espaço destinado à preservação da história do clube.
Ele explicou que a implantação do Museu do Cruzeiro deverá ser custeada pela própria instituição, sem utilização de recursos públicos.
Já a implantação da Rota Turística e Cultural Cinco Estrelas poderá contar futuramente com mecanismos de incentivo, como a captação de recursos por meio da Lei de Incentivo à Cultura, permitindo a estruturação completa do circuito turístico.
Gestão compartilhada
Para que o projeto seja concretizado, será necessária a participação conjunta das duas instituições responsáveis pela administração do Cruzeiro.
O Cruzeiro Associação continuará responsável pela preservação do patrimônio histórico, das sedes Barro Preto e Campestre e das modalidades esportivas além do futebol profissional.
Já o Cruzeiro SAF, controlado pelo empresário Pedro Lourenço, administra o futebol profissional e detém a maior parte das ações da Sociedade Anônima do Futebol.
A expectativa dos envolvidos é que a união entre as duas estruturas permita criar um museu moderno, interativo e permanente, fortalecendo a preservação da memória celeste e consolidando Belo Horizonte como um dos principais destinos do turismo esportivo brasileiro.



