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Energia, hidrogênio verde e expansão do gás natural dominam prestação de contas da Secretaria de Desenvolvimento Econômico - Rede Gazeta de Comunicação

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Energia, hidrogênio verde e expansão do gás natural dominam prestação de contas da Secretaria de Desenvolvimento Econômico

Deputado Gil Pereira defende ampliação da infraestrutura energética para o Norte de Minas e destaca protagonismo do Estado na geração de energia solar e na futura economia do hidrogênio verde

A expansão da infraestrutura energética, o fortalecimento das fontes renováveis e a interiorização do desenvolvimento econômico pautaram a audiência pública de prestação de contas da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), realizada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) dentro do programa Assembleia Fiscaliza. O encontro reuniu parlamentares e representantes do Governo do Estado para avaliar as ações desenvolvidas pela pasta ao longo do primeiro semestre.

A reunião foi presidida pelo deputado estadual Gil Pereira (PSD), presidente da Comissão de Minas e Energia da Assembleia, e contou com a participação da secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa. Também participaram integrantes das comissões de Minas e Energia, Desenvolvimento Econômico, Educação, Ciência e Tecnologia, Assuntos Municipais e Regionalização, além da Comissão Extraordinária de Defesa da Habitação e da Reforma Urbana.

Durante a audiência, um dos principais temas debatidos foi a necessidade de ampliar a infraestrutura energética no Norte de Minas, região considerada estratégica para novos investimentos industriais e tecnológicos.

Gil Pereira solicitou ao Governo de Minas o avanço das obras de expansão da rede de distribuição de gás natural até Montes Claros e municípios vizinhos, medida considerada essencial para aumentar a competitividade regional, atrair novas empresas e diversificar a matriz energética do Norte mineiro.

Segundo o parlamentar, a chegada do gás natural representa um passo importante para consolidar projetos industriais de grande porte e reduzir custos operacionais para empresas instaladas na região.

Deputado Gil Pereira (PSD-MG) solicitou, ainda, o retorno do projeto Campos de Luz, parceria entre Cemig e prefeituras mineira, para iluminação em campos de futebol amador e quadras poliesportivas públicas/ CRÉDITO: Divulgação / ALMG

“O Norte de Minas reúne todas as condições para se transformar em um dos maiores polos brasileiros de energia limpa e tecnologia. Precisamos garantir infraestrutura energética compatível com esse potencial, especialmente com a expansão do gás natural e dos empreendimentos ligados ao hidrogênio verde”, destacou.

Norte de Minas na rota dos data centers

Outro ponto enfatizado por Gil Pereira foi o crescimento dos projetos voltados à instalação de data centers no Norte de Minas, empreendimentos que demandam grande disponibilidade de energia elétrica e que podem utilizar eletricidade proveniente de fontes renováveis para produção de hidrogênio verde (H₂V).

O parlamentar ressaltou que a região apresenta características favoráveis para esse tipo de investimento, como elevada incidência solar, disponibilidade de áreas para implantação de usinas fotovoltaicas e localização estratégica dentro do sistema elétrico nacional.

O hidrogênio verde é considerado uma das principais apostas da transição energética mundial. Produzido por meio da eletrólise da água utilizando energia proveniente de fontes renováveis, como solar, eólica ou hidrelétrica, o combustível não gera emissões de dióxido de carbono durante sua produção, tornando-se alternativa para a descarbonização da indústria e dos transportes.

Minas lidera produção de energia solar

Durante a audiência, Gil Pereira destacou o crescimento da geração de energia fotovoltaica em Minas Gerais, atribuindo parte desse avanço à legislação estadual que incentivou a micro e a minigeração distribuída.

Segundo ele, a Lei da Energia Solar, aprovada pela Assembleia Legislativa em 2017, isentou do ICMS os sistemas de geração distribuída com potência de até 5 megawatts, estimulando a instalação de painéis solares em residências, comércios, indústrias e propriedades rurais.

“O Estado praticamente revolucionou o setor. Saímos de uma produção bastante reduzida para alcançarmos, em 2026, a marca de 5,90 gigawatts de potência instalada apenas na geração distribuída”, afirmou o deputado.

Somando-se às grandes usinas solares — modalidade conhecida como geração centralizada — Minas Gerais atingiu 8,66 gigawatts de potência instalada.

O resultado coloca o Estado com um total superior a 14,56 gigawatts de capacidade de geração fotovoltaica, volume que corresponde a mais de 20% de toda a energia solar produzida no Brasil.

“Somos o Estado líder e referência nacional na produção de energia solar”, ressaltou Gil Pereira.

Hidrogênio verde ganha espaço

A audiência também abordou o avanço da legislação estadual voltada ao hidrogênio de baixo carbono e ao hidrogênio verde.

O deputado lembrou que a atual Política Estadual do Hidrogênio de Baixo Carbono e do Hidrogênio Verde teve origem em projeto de sua autoria, posteriormente transformado na Lei Estadual nº 25.898, sancionada em 2024.

A legislação estabelece diretrizes para incentivar a produção, utilização e comercialização do hidrogênio como fonte de energia e matéria-prima para diferentes setores industriais.

Entre as aplicações previstas estão a siderurgia, as indústrias química, petroquímica, alimentícia e de fertilizantes, além do uso futuro como combustível para ônibus, caminhões, automóveis, embarcações e aeronaves.

O parlamentar destacou ainda o potencial do hidrogênio de baixo carbono produzido a partir do etanol, alternativa que aproveita uma das cadeias produtivas mais importantes da economia mineira.

Segundo Gil Pereira, essa tecnologia poderá reduzir significativamente a dependência brasileira da importação de fertilizantes nitrogenados.

“Hoje, quase 90% dos fertilizantes nitrogenados utilizados pela agricultura brasileira são importados, principalmente da Rússia e da China. O hidrogênio representa uma oportunidade para ampliar nossa autonomia produtiva e fortalecer o agronegócio nacional”, afirmou.

Desenvolvimento e mudanças climáticas

Ao apresentar o balanço das ações da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mila Corrêa da Costa ressaltou que a política energética ocupa posição estratégica no planejamento do Governo de Minas.

Segundo ela, além de estimular novos investimentos e fortalecer a economia regional, a expansão das fontes renováveis contribui diretamente para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

A secretária destacou que Minas Gerais consolidou sua liderança nacional na produção de energia fotovoltaica e vem estruturando políticas públicas voltadas à diversificação da matriz energética.

Entre as medidas recentes, ela citou a publicação do Decreto Estadual nº 49.172, de 2026, que regulamenta políticas voltadas ao desenvolvimento do biogás, do biometano, do hidrogênio de baixo carbono e do hidrogênio verde.

Segundo Mila Corrêa da Costa, a combinação entre segurança energética, sustentabilidade e inovação tecnológica será determinante para ampliar a competitividade de Minas Gerais e atrair novos empreendimentos industriais para o Estado.

Para o Norte de Minas, região que concentra alguns dos maiores projetos de energia renovável do país, os debates realizados na Assembleia reforçam a expectativa de novos investimentos em infraestrutura energética, produção de hidrogênio verde, instalação de data centers e expansão da rede de gás natural, consolidando a região como um dos principais polos da transição energética brasileira.