O asfalto quente e a pressa escondem o perigo que só a prevenção desfaz
Uma colisão entre duas carretas de grande porte transformou o final de tarde deste domingo (28/06) em um cenário de pânico e mobilização no km 475 da BR-251, trecho que marca o início da serra de Francisco Sá, na região Norte de Minas Gerais. O acidente, que envolveu veículos de carga pesada vindos do estado de São Paulo com destino à Bahia, exigiu uma resposta rápida e coordenada do 7° Batalhão de Bombeiros Militar (7°BBM), acionado por volta das 17h30 para atender à ocorrência em uma das rodovias federais mais movimentadas do corredor logístico do Sudeste para o Nordeste.
Quando a equipe de socorro chegou ao local, o cenário era desolador: duas enormes carretas, ambas carregadas com carga mista de produtos pertencentes ao Mercado Livre, estavam tombadas e enganchadas uma na outra, espalhando parte da mercadoria pela pista e bloqueando parcialmente os dois sentidos da via. A primeira carreta, conduzida por um motorista de 38 anos que seguia para a cidade baiana de Feira de Santana, ficou com a cabine amassada, mas seu condutor, milagrosamente, escapou ileso — sem ferimentos aparentes, recusou atendimento e auxiliou os bombeiros nos primeiros instantes do resgate.
Já a segunda carreta, tripulada por duas pessoas, apresentava um quadro mais delicado. O motorista, de 52 anos, sofreu apenas escoriações leves nos braços e no rosto, decorrentes do impacto contra o volante e o para-brisa, mas não necessitou de remoção hospitalar. O passageiro, de 44 anos, no entanto, foi encontrado em situação preocupante: deitado sobre um estofado retirado da própria cabine, ele estava consciente e orientado, mas queixava-se de dores agudas no membro superior esquerdo — possivelmente fraturado — e, principalmente, na região abdominal, o que acendeu o alerta dos socorristas para um possível trauma interno.
Segundo relato da vítima ao sargento responsável pela guarnição, ele havia conseguido sair do veículo por conta própria logo após o impacto e até andou pela cena do acidente, mas, em seguida, sentiu as dores se intensificarem e optou por se deitar no chão, sobre o estofado, numa tentativa desesperada de aliviar o desconforto. “Eu tentei ficar em pé, mas a barriga começou a doer demais. Aí deitei e não mexi mais”, contou ele, ainda ofegante, enquanto os militares realizavam os primeiros procedimentos de imobilização e avaliação neurológica.
Diante da gravidade potencial do caso, a equipe do 7°BBM desencadeou uma operação multifuncional e simultânea: enquanto um grupo de bombeiros isolava e sinalizava a área com cones e fitas de advertência, controlando o fluxo de veículos que rapidamente formou um engarrafamento de mais de dois quilômetros, outro subgrupo atuava na avaliação de riscos secundários — vazamento de óleo e diesel, superaquecimento dos motores e possível ignição da carga, que incluía materiais inflamáveis embalados em caixas de papelão. Um terceiro contingente dedicou-se exclusivamente ao atendimento pré-hospitalar do passageiro, realizando a imobilização do braço esquerdo com talas improvisadas, aferindo sinais vitais e administrando oxigênio suplementar para estabilizar o quadro até a chegada da ambulância de suporte.
Após cerca de 40 minutos de trabalho ininterrupto, com o tráfego já parcialmente liberado em sistema de pare-e-siga, a vítima mais grave foi imobilizada em maca rígida e conduzida em viatura de resgate até o Hospital Municipal de Francisco Sá, onde deu entrada por volta das 19h10. Lá, permaneceu sob observação da equipe médica de plantão, realizando exames de imagem para descartar hemorragias internas e avaliar a extensão da lesão no ombro e no abdômen. O motorista da segunda carreta, depois de medicado e liberado, permaneceu no local para prestar depoimento à Polícia Rodoviária Federal, que foi acionada para registrar a ocorrência e conduzir a perícia técnica.
As primeiras investigações apontam que a colisão pode ter sido causada por uma tentativa de ultrapassagem em local proibido, em plena subida da serra, onde a visibilidade é reduzida e o asfalto, escorregadio devido a um chuvisco fino que caía na região desde o início da tarde. Os bombeiros reforçam que, embora o saldo de feridos tenha sido relativamente leve para a violência do choque — que arrancou o eixo traseiro de uma das carretas e destruiu o para-choque da outra —, o episódio serve como um duro alerta sobre os riscos da condução de veículos pesados em trechos serranos, especialmente durante mudanças climáticas bruscas e em horários de pico de circulação de cargas.



