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Uma Arqueóloga de Coração - Rede Gazeta de Comunicação

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Uma Arqueóloga de Coração

Adelaide Valle Pires

Psicóloga

Outro dia me perguntaram por que gosto tanto de observar conversas.

Achei engraçada a pergunta.

Talvez porque eu seja psicóloga por formação e arqueóloga de coração.

Enquanto algumas pessoas passam por uma cena, eu costumo parar para recolher pequenos vestígios: uma frase, uma pergunta, uma lembrança, um gesto, uma história contada sem pretensão.

É o que, na minha metodologia de leitura CHARME, chamo de captura.

Tudo começa ali.

Capturamos algo que chama nossa atenção.

Depois vem o hábito.

Porque observar uma vez é curiosidade.

Observar muitas vezes é treino.

E aquilo que repetimos acaba se tornando parte de quem somos.

Mas também não basta capturar e repetir.

É preciso agir.

Afinal, conhecimento guardado na gaveta produz tanto resultado quanto um livro fechado na estante.

A ação nos coloca em movimento.

E o movimento pede reflexão.

Em um mundo que valoriza respostas rápidas, a reflexão nos convida a fazer uma pausa e perguntar:

“O que isso tem a ver comigo?”

É nessa conversa silenciosa que muitas transformações começam.

Por isso, recentemente, resolvi trocar uma palavra da minha metodologia.

O M de CHARME era mudança.

Hoje prefiro movimento.

Porque mudança parece algo distante, quase monumental.

Movimento pode ser pequeno.

Uma conversa.

Uma página lida.

Uma pergunta.

Uma decisão.

Um passo.

E são esses pequenos movimentos que tornam possível a expansão.

Expandir é sair das zonas de conforto e exercer influência sobre aquilo que realmente podemos transformar.

Gosto tanto da comunicação, da leitura e da escrita.Porque elas não entregam pessoas prontas.Elas colocam pessoas em movimento.

E toda transformação que permanece começa exatamente assim:

Com uma captura.

Um hábito.

Uma ação.

Uma reflexão.

Um movimento.

E, por fim, uma expansão.

Ou, para simplificar:

Com um pouco mais de CHARME.