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ATIVAR OS MÚSCULOS | Entre pernas fortes e palavras contidas, o corpo e o encontro também pedem exercício - Rede Gazeta de Comunicação

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ATIVAR OS MÚSCULOS | Entre pernas fortes e palavras contidas, o corpo e o encontro também pedem exercício

Adelaide Valle Pires

Autora

No grupo das colegas do CIC, outro dia, chegou uma mensagem dessas que ficam martelando: a confiança não mora no cérebro… mora nas pernas. E mais — dizem que são elas, fortes, firmes, que anunciam longevidade.

Guardei.

Hoje, no pilates, eu estava no Cadillac — que, para mim, já virou quase um lugar de comunicação — enquanto, ali ao lado, a famosa cadeira (aquela que o povo chama de tortura) fazia o seu trabalho. Veio a tremedeira.

A professora, com a calma de quem entende o corpo, disse:

— Tá ativando o músculo.

Logo depois, veio pra mim:

— Ativa o abdômen.

E eu, do meu jeito, fui traduzindo:

disse o seu Nário aqui dentro…

isometria é “congela”…

ativar o abdômen é “encolhe a barriga”…

e tremedeira… ah, tremedeira é músculo acordando.

Na mesma hora, lembrei da mensagem. Das pernas. Do cuidado escondido dentro daquele esforço. E a tal cadeira, veja só, já não parecia mais castigo.

Mas o curioso veio junto.

Enquanto o corpo ali se ocupa em ativar músculos, existe um outro exercício acontecendo — mais silencioso — que é o de conter a conversa. Como se, junto com o abdômen, a gente tivesse que segurar também as palavras.

E foi aí que me peguei pensando… será que a gente não corre o risco de, sem querer, atrofiar um outro músculo? O da comunicação boa — aquela que aproxima, que encontra, que cria ponte?

Não é sobre falar por falar. É sobre aquela troca leve que também faz bem.

Nessa hora, me veio à memória o Sr. H, lá de Balneário, com seu jeito bem-humorado, soltando uma de suas piadas:

“As pernas… são as primeiras a jogar de lado.”

Ri na hora… e hoje entendi diferente.

Talvez porque as pernas sustentem. Levem. Mantenham a gente em movimento.

E talvez a palavra — quando bem usada — também faça isso.

Saí da aula com uma percepção nova:

fortalecer as pernas é cuidar do corpo…

mas não deixar a conversa boa desaparecer… é cuidar do encontro.

Porque, no fim, tem músculo que sustenta a gente de pé…

e tem palavra que sustenta a gente junto.