Paralisação começou na noite de quinta-feira após categoria rejeitar proposta da empresa; plano de saúde e reajuste estão entre os principais pontos de impasse
Os trabalhadores dos Correios entraram em greve por tempo indeterminado em todo o país a partir das 22h de quinta-feira (10). A paralisação foi aprovada em assembleias realizadas em praticamente todas as regiões brasileiras, depois que a categoria rejeitou a proposta apresentada pela empresa durante as negociações da campanha salarial.
Segundo a Federação Interestadual dos Sindicatos dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT), as assembleias realizadas nas bases sindicais aprovaram a paralisação. Entre os sindicatos que confirmaram a greve estão os de São Paulo, Rio de Janeiro, Bauru, Santos, Maranhão e Mato Grosso do Sul. Minas Gerais também aparece entre as bases que aprovaram o movimento.
Um dos principais pontos de divergência envolve o plano de saúde dos empregados, aposentados e dependentes. A categoria é contrária à proposta de mudança na condição dos Correios como mantenedora do benefício, temendo impactos sobre o custeio e a assistência médica.
O impasse ocorre após uma série de rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Na quinta-feira, uma nova reunião terminou sem acordo, especialmente em relação ao plano de saúde.
Reajuste também está no centro da disputa
A campanha salarial ocorre em meio a uma discussão sobre reajustes e manutenção das cláusulas do acordo coletivo. Segundo a FINDECT, propostas anteriores apresentadas pela empresa chegaram a prever reajuste correspondente a apenas 20% do INPC, o equivalente a 0,87% sobre salários e benefícios, além de mudanças no plano de saúde.
A entidade sindical considerou os termos insuficientes e manteve a mobilização que levou à convocação das assembleias de 10 de setembro.
Os Correios, por sua vez, afirmam que apresentaram uma proposta contemplando 78 das 80 cláusulas do acordo coletivo vigente. A empresa informou que o texto previa reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios e manutenção da assistência à saúde.
A estatal também informou que está adotando medidas para reduzir os impactos da paralisação, como remanejamento de equipes, reforço das atividades operacionais e ajustes logísticos para preservar a regularidade das entregas.
Serviços podem sofrer atrasos
A greve não significa necessariamente a interrupção completa das atividades dos Correios. A extensão dos efeitos sobre as entregas, atendimento nas agências e distribuição de encomendas dependerá da adesão dos trabalhadores em cada região e das medidas adotadas pela empresa.
Para os usuários, o principal reflexo esperado é a possibilidade de atrasos na postagem, distribuição e entrega de cartas e encomendas, especialmente caso a paralisação se prolongue.
Os Correios mantêm canais de atendimento digitais e informaram que pretendem adotar medidas operacionais para preservar a prestação dos serviços durante o movimento. A empresa disponibiliza atendimento pelo site, aplicativo, telefone, WhatsApp e chat.
Greve acontece em meio a crise financeira
A paralisação ocorre em um momento delicado para os Correios. A empresa registrou prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (11). No primeiro semestre, o prejuízo acumulado informado pelo balanço chegou a R$ 5,6 bilhões.
A estatal também busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, operação que depende de garantia do Tesouro Nacional. O recurso integra o processo de reestruturação financeira da empresa, que já havia contratado um empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025.
A situação financeira acrescenta outro componente à negociação trabalhista. De um lado, os empregados pressionam pela manutenção de direitos e por melhores condições salariais. Do outro, a empresa enfrenta a necessidade de reduzir despesas e recuperar sua capacidade financeira.
Até o momento, não há prazo definido para o fim da greve. A categoria afirma que pretende manter a paralisação até que haja avanços nas negociações. A empresa, por sua vez, afirma que continua empenhada na busca de uma solução negociada e na manutenção dos serviços postais.


