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Novo medicamento para epilepsia resistente chega ao Brasil e amplia perspectivas de tratamento para milhões de pacientes - Rede Gazeta de Comunicação

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Novo medicamento para epilepsia resistente chega ao Brasil e amplia perspectivas de tratamento para milhões de pacientes

Cenobamato será comercializado a partir de agosto após aprovação da Anvisa; terapia é indicada para adultos com epilepsia farmacorresistente e apresenta resultados promissores na redução e até eliminação de crises em parte dos pacientes

Uma nova alternativa terapêutica para o tratamento da epilepsia farmacorresistente começará a ser disponibilizada no Brasil a partir de agosto de 2026. Trata-se do XCOPRI® (cenobamato), medicamento desenvolvido para adultos que convivem com crises epilépticas persistentes mesmo após o uso de diferentes anticonvulsivantes, situação que representa um dos maiores desafios da neurologia moderna.

A chegada do novo medicamento ao mercado brasileiro foi anunciada pela farmacêutica Eurofarma, após a aprovação da molécula pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em março deste ano, e da definição dos preços pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), em julho.

A expectativa é que o medicamento esteja disponível nas farmácias de todo o país a partir de agosto, nas apresentações de 12,5 mg, 50 mg, 100 mg e 200 mg, oferecendo uma nova possibilidade terapêutica para pacientes que apresentam dificuldades em controlar as crises com os tratamentos atualmente disponíveis.

Epilepsia resistente desafia médicos e pacientes

A epilepsia é uma doença neurológica crônica caracterizada por descargas elétricas anormais no cérebro, responsáveis pelas crises convulsivas e por outros tipos de manifestações neurológicas.

Embora boa parte dos pacientes consiga controlar os episódios com medicamentos convencionais, uma parcela significativa continua apresentando crises frequentes mesmo após utilizar dois ou mais anticonvulsivantes corretamente prescritos.

Essa condição é conhecida como epilepsia farmacorresistente ou epilepsia de difícil controle.

Nesses casos, as crises podem comprometer profundamente a qualidade de vida, limitando atividades cotidianas, trabalho, estudos, direção de veículos e convívio social, além de aumentar o risco de acidentes, hospitalizações e complicações clínicas.

Segundo especialistas, a persistência das crises também está associada a impactos psicológicos importantes, como ansiedade, depressão e isolamento social.

Nova opção terapêutica

De acordo com a Eurofarma, o lançamento representa um avanço importante para pacientes que até então possuíam poucas alternativas terapêuticas ou dependiam de processos de importação excepcional para ter acesso ao medicamento.

O cenobamato já vinha sendo comercializado em outros países da América Latina, como Chile e Peru, por meio de uma parceria entre a Eurofarma e a empresa sul-coreana SK Biopharmaceuticals, responsável pelo desenvolvimento da molécula.

Agora, com sua chegada ao mercado brasileiro, amplia-se o acesso a uma terapia considerada inovadora no tratamento da epilepsia resistente.

Como o medicamento atua

O diferencial do cenobamato está em seu mecanismo de ação.

Enquanto muitos anticonvulsivantes atuam em apenas uma via neurológica, o novo medicamento combina dois mecanismos distintos para reduzir a ocorrência das crises.

Ele promove a modulação dos canais de sódio presentes nos neurônios — reduzindo a atividade elétrica excessiva responsável pelas convulsões — e, simultaneamente, potencializa a ação do GABA (ácido gama-aminobutírico), principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central.

O aumento da atividade do GABA ajuda a diminuir a excitabilidade cerebral, favorecendo um melhor controle das descargas elétricas anormais.

Segundo neurologistas, essa atuação combinada diferencia o medicamento das terapias tradicionais e pode explicar os resultados observados nos estudos clínicos.

Estudos mostram redução expressiva das crises

Os ensaios clínicos realizados antes da aprovação regulatória demonstraram resultados considerados bastante promissores.

Pacientes que utilizaram o cenobamato como terapia complementar apresentaram redução significativa da frequência das crises epilépticas.

Em parte dos casos, foi observada inclusive a ausência completa das crises, resultado considerado raro entre pessoas com epilepsia farmacorresistente.

Especialistas lembram que, após sucessivas tentativas frustradas com medicamentos convencionais, a possibilidade de alcançar controle total da doença costuma diminuir progressivamente.

Por isso, a disponibilidade de novas moléculas representa uma esperança para pacientes que convivem há anos com crises frequentes e limitações importantes.

Milhões convivem com a doença

A epilepsia é uma das doenças neurológicas mais comuns em todo o mundo.

No Brasil, estima-se que entre 1% e 2% da população conviva com algum tipo da enfermidade, o que corresponde a aproximadamente dois a três milhões de pessoas.

Na América Latina, milhões de pacientes ainda enfrentam dificuldades relacionadas ao diagnóstico precoce, acesso a especialistas e disponibilidade de tratamentos modernos.

Além das crises, a doença pode gerar impactos econômicos relevantes, tanto para as famílias quanto para os sistemas públicos e privados de saúde, devido aos custos com internações, exames, medicamentos e perda de produtividade.

Tratamento vai além dos medicamentos

Especialistas ressaltam que o controle da epilepsia depende de acompanhamento médico contínuo e individualizado.

A escolha do tratamento considera fatores como tipo de crise, idade do paciente, presença de outras doenças, resposta aos medicamentos anteriores e possíveis efeitos colaterais.

Em alguns casos, além do tratamento farmacológico, podem ser indicadas cirurgia para epilepsia, estimulação do nervo vago, dieta cetogênica ou outras abordagens terapêuticas.

Por isso, o uso do cenobamato deverá ocorrer sempre sob prescrição e acompanhamento de um neurologista.

Avanço para a neurologia brasileira

A introdução do cenobamato no mercado nacional é considerada um marco para a assistência aos pacientes com epilepsia resistente, ampliando o arsenal terapêutico disponível aos profissionais de saúde.

Para especialistas, quanto maior o número de opções eficazes disponíveis, maiores são as chances de personalizar o tratamento e alcançar melhor controle das crises, reduzindo hospitalizações, complicações e limitações impostas pela doença.

A expectativa é que o novo medicamento contribua para melhorar a autonomia, a segurança e a qualidade de vida de milhares de brasileiros que convivem diariamente com uma condição neurológica ainda cercada por desafios clínicos e sociais.

Embora o lançamento represente um importante avanço, médicos reforçam que o diagnóstico precoce, a adesão correta ao tratamento e o acompanhamento especializado continuam sendo os pilares fundamentais para o controle da epilepsia e para a redução do impacto da doença na vida dos pacientes e de suas famílias.