CagriSema, ainda em desenvolvimento, combina dois princípios ativos e apresentou resultados promissores em pacientes com diabetes e pessoas com obesidade
Uma nova geração de medicamentos para controle do peso apresentou resultados que podem ampliar a disputa entre as chamadas “canetas emagrecedoras”. O CagriSema, medicamento que ainda está em fase de testes clínicos e é desenvolvido pela farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, apresentou perda de peso média superior à observada com o Mounjaro em um estudo de estágio avançado envolvendo pacientes com diabetes.
Os resultados foram divulgados pela própria Novo Nordisk durante o Capital Markets Day da empresa, realizado na segunda-feira (21). A companhia é fabricante de medicamentos como Ozempic e Wegovy, que têm como princípio ativo a semaglutida.
No estudo, pacientes que receberam uma dose de 1 mg de CagriSema apresentaram perda de peso média estimada em 12,4%. Entre aqueles tratados com tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, na dose de 5 mg, a redução média foi de 9,1%.
A comparação também levou em conta o controle da glicemia. Segundo os resultados apresentados pela empresa, o CagriSema demonstrou não inferioridade em relação à tirzepatida na redução da hemoglobina glicada (HbA1c), indicador utilizado no acompanhamento do diabetes e que permite avaliar a média dos níveis de glicose no sangue ao longo de um período.
Resultados também foram observados em pessoas com obesidade
Outro estudo de estágio avançado avaliou o medicamento em adultos com obesidade. Nesse grupo, o CagriSema proporcionou uma perda de peso de 21% na dose de 1,0 mg, em comparação com o placebo.
O estudo também identificou resultados superiores ao placebo em outros indicadores avaliados previamente pelos pesquisadores. Entre eles estavam a pressão arterial sistólica, a relação entre cintura e altura e o perfil lipídico em jejum, que reúne diferentes medidas relacionadas às gorduras presentes no sangue.
Os resultados, no entanto, ainda fazem parte do processo de desenvolvimento e avaliação do medicamento. O CagriSema não é, neste momento, uma opção disponível de forma regular no mercado para tratamento da obesidade, dependendo das etapas regulatórias e das decisões das autoridades sanitárias.
Combinação de dois mecanismos
O CagriSema é administrado por meio de injeção semanal e reúne dois princípios ativos: a cagrilintida e a semaglutida.
A cagrilintida atua de maneira semelhante à amilina, hormônio produzido pelo pâncreas que participa da regulação da saciedade. Já a semaglutida é o princípio ativo presente em medicamentos como Ozempic e Wegovy e atua sobre mecanismos relacionados ao controle do apetite e da ingestão de alimentos.
A combinação das duas substâncias busca atuar por mecanismos complementares no controle do peso e do metabolismo.
A expectativa da Novo Nordisk é que a agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos, a FDA, avalie o pedido de aprovação do CagriSema para controle do peso ainda em 2026. Caso o processo avance conforme o cronograma divulgado pela companhia, a previsão é de que o medicamento possa chegar ao mercado norte-americano em 2027.
Corrida por novas alternativas
O desenvolvimento do CagriSema ocorre em meio à expansão da pesquisa por medicamentos destinados ao tratamento da obesidade e do diabetes. A primeira geração de medicamentos que ganhou grande repercussão por sua capacidade de reduzir o apetite abriu espaço para uma nova corrida entre farmacêuticas em busca de tratamentos com diferentes mecanismos de ação, formas de administração e resultados.
Além de novas combinações de princípios ativos, estão em desenvolvimento medicamentos que procuram ampliar a perda de peso, facilitar a administração e, em alguns casos, reduzir efeitos adversos associados aos tratamentos atuais.
As pesquisas incluem alternativas administradas por injeção em diferentes intervalos e medicamentos em comprimidos. Também são estudadas opções destinadas a pessoas que apresentam resposta limitada ou insuficiente aos tratamentos já disponíveis.
Apesar dos resultados promissores, a comparação entre medicamentos precisa considerar que os estudos podem utilizar doses, populações, períodos de acompanhamento e critérios diferentes. Resultados de ensaios clínicos também precisam ser avaliados por autoridades regulatórias antes que um novo medicamento seja aprovado para uso amplo.
Para pacientes que utilizam medicamentos atualmente disponíveis para diabetes ou controle do peso, mudanças de tratamento não devem ser feitas com base apenas nos resultados de estudos ou notícias sobre medicamentos em desenvolvimento. A indicação e a eventual substituição de uma terapia dependem da avaliação médica individual.


