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Norte de Minas chega ao segundo turno dividido entre Lula e Flávio Bolsonaro - Rede Gazeta de Comunicação

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Norte de Minas chega ao segundo turno dividido entre Lula e Flávio Bolsonaro

Resultado do primeiro turno mostra Flávio Bolsonaro à frente em Montes Claros e Pirapora, enquanto Lula lidera em cidades como Januária, Bocaiuva, Salinas, São Francisco, Brasília de Minas, Espinosa, Grão Mogol e Jaíba

CAPA 1

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O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 revelou um Norte de Minas politicamente dividido. Embora Flávio Bolsonaro (PL) tenha terminado a votação à frente em Minas Gerais e tenha sido o candidato mais votado em Montes Claros, principal colégio eleitoral da região, Lula (PT) liderou em várias das principais cidades do Norte do Estado.

O mapa regional mostra que não existe um comportamento eleitoral único no Norte de Minas. As diferenças entre municípios são expressivas e colocam a região no centro da disputa do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Em Minas Gerais, Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 48,24% dos votos válidos, contra 43,33% de Lula. Em números absolutos, foram 5.777.548 votos para Flávio e 5.188.936 para Lula, uma diferença de 588.612 votos.

Montes Claros deu vantagem a Flávio

Em Montes Claros, Flávio Bolsonaro recebeu 108.875 votos, equivalentes a 49,25% dos votos válidos. Lula ficou com 94.112 votos, ou 42,57%. A diferença entre os dois foi de 14.763 votos.

O resultado final foi registrado com 100% das urnas apuradas. Montes Claros, sexto maior colégio eleitoral de Minas Gerais entre os municípios, teve 221.074 votos válidos para presidente.

O resultado chama atenção porque Montes Claros é o principal centro urbano e eleitoral do Norte de Minas. Antes da votação, a cidade havia recebido agendas de campanha dos dois candidatos, justamente pela importância estratégica do município e da região.

Os percentuais são calculados sobre os votos válidos de cada município. Os resultados de Janaúba, Januária, Pirapora, Salinas, São Francisco, Taiobeiras e Brasília de Minas foram divulgados com base nos dados do TSE; os resultados finais de Montes Claros, Bocaiuva, Grão Mogol e Jaíba também foram conferidos em bases que reproduzem a totalização oficial.

Januária é um dos maiores contrastes

Entre os municípios analisados, Januária apresenta uma das maiores diferenças.

Lula alcançou 70,65% dos votos válidos, com 24.776 votos, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 24,12%, ou 8.458 votos. A diferença chegou a mais de 46 pontos percentuais.

O resultado de Januária contrasta fortemente com o de Pirapora. Na cidade ribeirinha, Flávio obteve 52,74%, contra 39,59% de Lula, diferença de 13,15 pontos percentuais.

As duas cidades demonstram como o comportamento eleitoral pode mudar dentro da própria região.

Bocaiuva também mostrou forte vantagem de Lula

Bocaiuva foi outro município em que Lula abriu diferença significativa.

Na totalização final, o petista alcançou 63,04%, com 16.819 votos, enquanto Flávio Bolsonaro teve 30,42%, com 8.117 votos.

A cidade, localizada na área de influência direta de Montes Claros, apresentou, portanto, um comportamento diferente do principal centro urbano regional.

Salinas e São Francisco

Em Salinas, Lula terminou o primeiro turno com 54,75% dos votos válidos, contra 39,20% de Flávio. Foram 12.741 votos para o petista e 9.122 para o candidato do PL.

Em São Francisco, a diferença também foi expressiva: Lula obteve 62,37%, enquanto Flávio ficou com 32,05%. O petista recebeu 17.831 votos, contra 9.161 do adversário.

Taiobeiras segue outro caminho

Taiobeiras apresentou um dos resultados mais favoráveis a Flávio Bolsonaro entre as cidades analisadas.

O candidato do PL recebeu 58,02% dos votos válidos, totalizando 11.580 votos. Lula teve 36,49%, com 7.283 votos.

A diferença de mais de 21 pontos percentuais coloca Taiobeiras entre os municípios do Norte de Minas em que a votação do candidato do PL foi mais expressiva.

Brasília de Minas, Espinosa e Grão Mogol

O bloco de municípios com forte votação em Lula inclui Brasília de Minas, Espinosa e Grão Mogol.

Em Brasília de Minas, Lula alcançou 64,46%, contra 30,19% de Flávio. Foram 12.018 votos contra 5.628.

Em Espinosa, Lula chegou a 58,94%, enquanto Flávio ficou com 35,68%.

Já em Grão Mogol, o petista teve 66,60% dos votos válidos, contra 28,88% de Flávio Bolsonaro.

Jaíba: disputa mais apertada

Jaíba apresentou um quadro diferente de municípios como Januária, Bocaiuva e Grão Mogol.

Lula ficou à frente com 51,40% dos votos válidos, contra 43,93% de Flávio Bolsonaro. Foram 10.039 votos para o petista e 8.580 para o candidato do PL.

A diferença de aproximadamente 7,5 pontos percentuais mostra uma disputa mais equilibrada do que a observada em outras cidades da região.

Janaúba também teve diferença menor

Janaúba apresentou outro resultado relativamente equilibrado.

Na totalização final, Lula registrou 49,31% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 44,44%. A diferença foi de 4,87 pontos percentuais.

A cidade, portanto, aparece entre os municípios em que a disputa entre os dois candidatos foi mais próxima dentro do recorte analisado.

O que os números revelam?

O conjunto dos resultados mostra três características importantes do voto no Norte de Minas.

A primeira é que Montes Claros não reproduziu o comportamento de toda a região. O maior município deu vantagem a Flávio, mas várias outras cidades importantes votaram majoritariamente em Lula.

A segunda é a existência de diferenças muito grandes entre municípios próximos. Januária, por exemplo, teve mais de 70% dos votos válidos para Lula, enquanto Taiobeiras passou de 58% para Flávio.

A terceira é que existem cidades onde a diferença entre os dois candidatos é pequena, como Janaúba e Jaíba. Nesses locais, uma alteração no comportamento de parte do eleitorado pode representar uma mudança significativa na composição dos votos válidos no segundo turno.

O segundo turno muda a lógica da disputa

O primeiro turno terminou com um eleitorado dividido entre vários candidatos. Agora, somente Lula e Flávio Bolsonaro permanecem na disputa presidencial.

Isso significa que os votos destinados a Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Zema e aos demais candidatos não pertencem automaticamente a nenhuma das duas campanhas.

O comportamento desses eleitores será um dos pontos de atenção do segundo turno. Também será necessário acompanhar a participação dos eleitores que não compareceram no primeiro turno, além dos votos brancos e nulos.

A abstenção nacional chegou a 21,08% no primeiro turno, segundo levantamento dos resultados eleitorais.

Minas continua sendo um estado central na disputa

A importância do Norte de Minas também precisa ser entendida dentro do cenário estadual.

Minas Gerais terminou o primeiro turno com vantagem de Flávio Bolsonaro, mas a diferença entre os dois candidatos ficou abaixo de cinco pontos percentuais. Foram 48,24% para Flávio e 43,33% para Lula.

O resultado estadual mostra que, embora Flávio tenha liderado Minas, o Estado apresentou uma disputa mais equilibrada do que outros estados do Sudeste.

Para o segundo turno, as campanhas deverão buscar ampliar suas votações nos diferentes territórios mineiros. No Norte de Minas, os números do primeiro turno mostram que isso significa lidar com um eleitorado heterogêneo, no qual cidades importantes apresentaram escolhas bastante diferentes.

Uma região, dois mapas eleitorais

O resultado do primeiro turno permite desenhar, portanto, dois grandes comportamentos dentro do recorte das principais cidades analisadas.

Flávio Bolsonaro liderou em Montes Claros, Pirapora e Taiobeiras.

Lula liderou em Janaúba, Januária, Bocaiuva, Salinas, São Francisco, Brasília de Minas, Espinosa, Grão Mogol e Jaíba.

Esse quadro não permite afirmar qual será o resultado do segundo turno. Ele mostra apenas como os eleitores dessas cidades se posicionaram em 4 de outubro.

A partir de agora, a disputa será pela ampliação dessas votações e pela conquista dos eleitores que escolheram outros candidatos no primeiro turno ou que não participaram da votação.

Para o Norte de Minas, a eleição presidencial entra em uma nova etapa com uma característica clara: a região não fala com uma única voz nas urnas.