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Moradia pesa no bolso e faz brasileiros cortarem gastos para conseguir continuar em casa - Rede Gazeta de Comunicação

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Moradia pesa no bolso e faz brasileiros cortarem gastos para conseguir continuar em casa

Pesquisa mostra que 82% dos brasileiros veem o aumento das despesas habitacionais como obstáculo à casa própria; entre quem não tem imóvel, quase metade já reduziu gastos com alimentação

Ter um lugar para morar continua sendo um dos principais sonhos dos brasileiros, mas manter esse lugar está cada vez mais caro. O aumento das despesas com aluguel, financiamento, contas e manutenção da casa já está obrigando famílias a reorganizarem o orçamento e abrirem mão de outros gastos. Para 82% dos brasileiros, o encarecimento da moradia dificulta a conquista da casa própria.

O retrato aparece em um estudo inédito realizado pela organização Habitat para a Humanidade, que ouviu 1.400 adultos no Brasil entre abril e junho de 2026, dentro de uma pesquisa internacional realizada em 22 países. Os números mostram que o problema habitacional não está apenas na falta de imóveis, mas na dificuldade de pagar por uma moradia e, principalmente, de permanecer nela sem comprometer outras necessidades.

Na prática, a casa está disputando espaço com a comida, os remédios, o vestuário e outros gastos básicos. Setenta e quatro por cento dos entrevistados afirmam ter reduzido pelo menos uma despesa no último ano para conseguir pagar os custos relacionados à moradia. Para 34%, a situação chega ao ponto de ser necessário escolher entre despesas da casa e necessidades essenciais.

Entre as pessoas que ainda não têm casa própria, a pressão é ainda maior. Quase metade, 48%, afirma ter reduzido gastos com alimentação para conseguir arcar com os custos habitacionais. É um indicativo de como o preço de morar pode ultrapassar a questão do conforto ou da qualidade de vida e atingir diretamente a alimentação e outras condições básicas das famílias.

O sonho da casa própria continua forte, apesar das dificuldades. Noventa e dois por cento dos brasileiros esperam ter um imóvel próprio em algum momento da vida. O problema é transformar essa expectativa em realidade diante de um cenário em que a moradia consome uma parcela cada vez maior da renda.

A pressão também interfere em decisões que vão muito além da compra ou do aluguel. Para 57% dos entrevistados, os custos da moradia dificultam a possibilidade de formar uma família. Outros 60% temem que essas despesas reduzam as oportunidades oferecidas às crianças sob seus cuidados.

A insegurança financeira aparece ainda no medo de perder o próprio lugar. Cinquenta e seis por cento dos brasileiros temem que algum imprevisto comprometa a capacidade de continuar morando onde vivem. Para 23%, a situação habitacional está entre as principais fontes de estresse.

O resultado é uma espécie de contradição: o brasileiro continua acreditando na possibilidade de melhorar de vida, mas precisa fazer escolhas cada vez mais difíceis no presente para conseguir manter as contas em dia. Mesmo diante das dificuldades atuais, 79% acreditam que sua situação habitacional poderá melhorar nos próximos três anos.

A pesquisa também mostra que a insegurança habitacional não atinge todos da mesma maneira. Pessoas que vivem em situações consideradas informais — como imóveis sem documentação regular, acomodações temporárias ou outros arranjos não formalizados — apresentam índices significativamente maiores de insatisfação.

Nesse grupo, aproximadamente 70% estão insatisfeitas com a própria situação habitacional, contra 37% na média nacional. A falta de segurança sobre a permanência no imóvel também é mais evidente entre essas pessoas.

A questão, portanto, não se resume a ter ou não ter uma casa. Uma moradia adequada envolve também segurança da posse, condições físicas do imóvel, acesso a infraestrutura, serviços públicos e oportunidades de trabalho e renda.

Em um país onde o preço dos imóveis e dos aluguéis pesa cada vez mais no orçamento, a discussão sobre habitação também passa pela capacidade das famílias de continuar pagando as contas sem precisar sacrificar necessidades básicas.

Apesar da pressão financeira, a casa própria permanece como um dos principais símbolos de estabilidade para a população. Noventa e um por cento dos entrevistados consideram uma moradia segura e adequada um direito humano básico, enquanto 86% apoiariam a existência de mais moradias sociais ou acessíveis em suas regiões.

Os números apontam para uma demanda que não desapareceu com a alta dos custos. Pelo contrário: quanto mais difícil fica pagar pela moradia, maior parece ser a percepção de que o acesso a uma casa adequada precisa estar acompanhado de políticas capazes de considerar a renda das famílias e o custo real de viver.

A pesquisa “Lar a Que Custo? Brasil – Esperança permanece forte, mas a segurança habitacional segue frágil” integra um levantamento internacional realizado pela Habitat para a Humanidade em 22 países. No Brasil, os dados revelam uma realidade conhecida diariamente por milhões de famílias: quando morar fica caro demais, alguma outra coisa precisa ficar para depois — e, muitas vezes, esse “depois” envolve comida, planos de família, segurança financeira e qualidade de vida.