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MPMG alerta para avanço do feminicídio, golpes digitais e desafios da segurança pública em Minas - Rede Gazeta de Comunicação

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MPMG alerta para avanço do feminicídio, golpes digitais e desafios da segurança pública em Minas

Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 aponta redução dos homicídios no estado, mas crescimento da violência contra a mulher, do tráfico de drogas, dos desaparecimentos e dos suicídios entre policiais, exigindo ações integradas de prevenção e combate ao crime

A divulgação do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, elaborada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, acendeu um alerta para os principais desafios enfrentados pela segurança pública em Minas Gerais e no país. Na avaliação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o levantamento funciona como um retrato detalhado da criminalidade, revelando avanços importantes, mas também indicadores preocupantes que exigem respostas coordenadas entre instituições e sociedade.

Entre os dados positivos está a redução das Mortes Violentas Intencionais (MVI). Em Minas Gerais, os homicídios caíram 14,2% entre 2024 e 2025, passando de 3.124 para 2.698 vítimas, com redução da taxa de 14,7 para 12,6 homicídios por 100 mil habitantes. No cenário nacional, a queda foi de 8,2%. Apesar disso, o MPMG ressalta que os índices ainda permanecem muito acima dos padrões mundiais e que o país continua entre os que concentram o maior número de assassinatos do planeta.

Feminicídio preocupa autoridades

Se os homicídios apresentaram redução, o mesmo não ocorreu com os crimes de violência contra a mulher. Minas Gerais registrou 177 feminicídios consumados em 2025, um aumento de 4,4% em relação ao ano anterior, passando a concentrar 11,3% de todas as vítimas do país, o segundo maior número absoluto entre os estados brasileiros. Já os casos de feminicídio tentado somaram 207 ocorrências, uma redução de 16,8%, dado que levanta preocupação sobre possível subnotificação.

Para a coordenadora do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAOVD), promotora Denise Guerzoni, a diminuição das tentativas pode refletir dificuldades na identificação correta desses crimes durante o primeiro atendimento às vítimas.

Segundo ela, é fundamental que os profissionais responsáveis pelos registros consigam reconhecer rapidamente os indícios de tentativa de feminicídio para preservar provas, garantir investigação adequada e assegurar proteção às vítimas. O MPMG vem promovendo capacitações junto às forças de segurança para aprimorar esse processo.

O coordenador da Coordenadoria Estadual das Promotorias de Justiça do Tribunal do Júri (Cojur), promotor Cláudio Barros, reforça que a efetividade das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha pode representar a diferença entre salvar uma vida e evitar uma tragédia.

Violência psicológica cresce acima da média nacional

Outro indicador que chamou atenção foi o crescimento das ocorrências de violência psicológica contra mulheres. Em Minas Gerais, esse tipo de crime aumentou 32,5%, quase o dobro da média nacional, alcançando 3.994 registros.

O estado contabilizou ainda 85.993 vítimas de ameaça, o segundo maior número do Brasil, além de 6.533 casos de perseguição (stalking), aumento de 22,2% em relação ao ano anterior. Também houve crescimento de 9,9% no descumprimento de medidas protetivas de urgência, que chegaram a 12.403 registros em 2025.

Para fortalecer a proteção das vítimas, o Ministério Público vem ampliando o uso do Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar), além do georreferenciamento de vítimas e do monitoramento eletrônico de agressores. Apenas no interior mineiro, a utilização dessa tecnologia cresceu 189% em nove meses.

Desaparecimentos aumentam mais de 30% em Minas

O levantamento também aponta crescimento expressivo dos desaparecimentos. Enquanto o Brasil registrou alta de 3,6%, Minas Gerais apresentou aumento de 30,5%, passando de 6.970 para 9.123 pessoas desaparecidas em apenas um ano.

Segundo o MPMG, esse indicador engloba situações bastante diversas, como conflitos familiares, violência doméstica, transtornos mentais, dependência química, tráfico de pessoas, exploração sexual, acidentes e até homicídios cujos corpos não foram localizados.

Tráfico cresce impulsionado pela posição estratégica de Minas

Outro dado considerado preocupante é o avanço do tráfico de drogas. Entre 2024 e 2025, as ocorrências cresceram 41,7% em Minas Gerais, percentual superior ao registrado nacionalmente, de 18,5%.

De acordo com o coordenador da Coecrim, promotor Rafael Henrique Martins Fernandes, a extensa malha rodoviária mineira transforma o estado em uma importante rota de circulação e distribuição de drogas provenientes de países vizinhos e destinadas aos mercados consumidores do Sudeste brasileiro.

Golpes digitais consolidam o estelionato como principal crime patrimonial

Na área dos crimes patrimoniais, o estelionato segue em expansão. Em Minas Gerais, o número total de registros aumentou 3,3%, enquanto as fraudes praticadas por meios digitais cresceram 10,5%.

O promotor Rafael Henrique Martins Fernandes afirma que o estelionato se consolidou como o principal crime patrimonial da atualidade, impulsionado pelo uso massivo da tecnologia, vazamentos de dados e atuação de organizações criminosas especializadas em golpes virtuais.

Segundo ele, embora o crescimento venha desacelerando, o número de fraudes ainda permanece elevado e exige atenção permanente das autoridades e da população.

O anuário também destaca que o furto e o roubo de celulares passaram a desempenhar papel estratégico para os criminosos, já que os aparelhos permitem acesso a aplicativos bancários, dados pessoais e mecanismos de recuperação de senhas, potencializando fraudes financeiras. Apesar disso, o Ministério Público ressalta que Minas Gerais continua entre os estados com menor taxa de roubos de celulares do país.

Saúde mental dos policiais entra no radar

Além dos indicadores criminais, o levantamento evidencia um tema cada vez mais sensível: a saúde mental dos profissionais da segurança pública.

Na contramão da tendência nacional, Minas Gerais registrou aumento de 40% nos suicídios entre policiais, passando de dez casos em 2024 para 14 em 2025.

Para o promotor Rafael Henrique Martins Fernandes, o dado demonstra a necessidade urgente de fortalecimento das políticas públicas voltadas ao cuidado psicológico de policiais civis e militares.

“Precisamos cuidar de quem cuida da gente”, destacou o representante do Ministério Público.

Ao analisar os números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, o MPMG conclui que, embora Minas Gerais tenha avançado na redução dos homicídios, os indicadores relacionados ao feminicídio, violência doméstica, desaparecimentos, tráfico de drogas, fraudes digitais e saúde mental dos agentes de segurança mostram que o enfrentamento à criminalidade exige ações permanentes, integração entre os órgãos públicos e fortalecimento das políticas de prevenção e proteção às vítimas.