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Montes Claros amplia educação financeira para estudantes da rede municipal - Rede Gazeta de Comunicação

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Montes Claros amplia educação financeira para estudantes da rede municipal

Projeto Educação para o Consumo aborda dinheiro, direitos do consumidor, segurança digital e sustentabilidade e deve alcançar mais de 4 mil alunos por ano

Mais de 4 mil estudantes da rede municipal de ensino de Montes Claros deverão ser alcançados, anualmente, por ações de educação financeira e orientação para o consumo. A iniciativa integra o projeto Educação para o Consumo, que iniciou uma nova etapa na última sexta-feira (11), com uma aula inaugural realizada na Escola Municipal de Educação para o Consumo.

A atividade ocorreu na mesma data em que o Código de Defesa do Consumidor completou 36 anos e marcou a ampliação de uma proposta criada em 2025 para levar aos estudantes conhecimentos relacionados não apenas à administração do dinheiro, mas também aos direitos e deveres nas relações de consumo.

O projeto trabalha temas como planejamento financeiro, utilização consciente de produtos e serviços, comportamento de consumo, aspectos psicológicos relacionados às decisões de compra, direitos do consumidor e descarte correto de resíduos. A preservação ambiental também faz parte dos conteúdos.

A Escola Municipal de Educação para o Consumo funciona em espaço anexo ao Procon de Montes Claros, na Rua Coronel Altino de Freitas, no Centro. A proposta é utilizar situações do cotidiano para aproximar os estudantes de assuntos que fazem parte da vida financeira e das relações de consumo.

Dinheiro, consumo e vida digital

A educação financeira trabalhada pelo projeto é apresentada dentro de um conceito mais amplo de cidadania econômica. A programação inclui planejamento financeiro, consumo ético e sustentável, proteção jurídica do consumidor, uso seguro de tecnologias digitais, empreendedorismo, pensamento crítico, inovação, participação cidadã e responsabilidade socioambiental.

A iniciativa também considera as mudanças provocadas pela expansão das plataformas digitais. Compras por aplicativos, publicidade direcionada por algoritmos, superendividamento, apostas on-line e consumismo estão entre os assuntos incorporados às discussões sobre comportamento do consumidor.

Para o promotor de Justiça e coordenador Regional de Defesa do Consumidor de Montes Claros, Felipe Gonçalves Caires, a realidade digital tornou necessária a preparação dos jovens para lidar com novas formas de consumo.

“Em uma era de algoritmos, de plataformas digitais, de superendividamento, de problemas com bets, de consumismo e de urgência pela sustentabilidade é fundamental trabalharmos com a educação para o consumo dos nossos jovens”, afirmou.

A proposta também considera que os estudantes de hoje serão consumidores, empreendedores e fornecedores de produtos e serviços no futuro. Por isso, o conteúdo busca trabalhar tanto os direitos quanto as responsabilidades envolvidos nas relações de consumo.

Projeto nasceu de uma denúncia

A criação da Escola Municipal de Educação para o Consumo teve origem em uma situação relacionada ao exercício dos direitos do consumidor. Conforme informações divulgadas pelo Município, um morador de Montes Claros procurou o Ministério Público para denunciar uma cobrança que considerava indevida.

O caso resultou em uma ação civil pública e, posteriormente, em um acordo. Parte dos recursos decorrentes desse acordo foi destinada à reforma da sede do Procon de Montes Claros e à construção da escola.

A partir dessa origem, a proposta passou a ter alcance educacional, com o objetivo de utilizar a informação como instrumento de prevenção de conflitos nas relações de consumo. Entre os problemas que a iniciativa pretende abordar estão o baixo letramento financeiro, o desconhecimento dos direitos do consumidor, o uso inadequado do crédito e a influência da publicidade e das redes digitais nas decisões de compra.

Formação também para educadores

Além dos estudantes, a Escola Municipal de Educação para o Consumo prevê atividades de formação continuada para educadores e servidores públicos. A intenção é ampliar a circulação dos conhecimentos sobre direitos, deveres e relações de consumo para além das salas de aula.

Segundo a coordenadora pedagógica da escola, Elisângela Mesquita Silva, a metodologia utiliza situações concretas e experiências relacionadas ao cotidiano.

“A Escola Municipal do Consumidor promove formação continuada e permanente por meio da experienciação, articulando conhecimentos às vivências cotidianas dos cidadãos e contribuindo para relações de consumo mais conscientes e equilibradas”, explicou.

Durante a aula inaugural, estudantes também participaram das atividades e puderam tirar dúvidas sobre os assuntos apresentados. A aluna Ana Clara dos Santos Marques, de 12 anos, do sexto ano da Escola Municipal Alcides Carvalho, participou do encontro.

O projeto pretende manter a educação para o consumo como uma ação permanente, levando aos alunos conhecimentos que possam ser aplicados em situações do dia a dia. A expectativa é formar consumidores mais informados sobre seus direitos e deveres e ampliar a capacidade de tomada de decisões relacionadas a dinheiro, compras, crédito, tecnologia e sustentabilidade.

Com a nova etapa, a iniciativa passa a alcançar uma quantidade maior de estudantes da rede municipal e amplia o conteúdo para acompanhar mudanças no comportamento de consumo e os desafios trazidos pelas novas tecnologias.