Estado apresenta seis iniciativas estruturantes; encontro da Sudene com governos estaduais e bancos de desenvolvimento busca viabilizar investimentos e fortalecer a governança regional
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) promoveu nesta quarta-feira (3), no Recife, um encontro histórico que reuniu governos estaduais, bancos de desenvolvimento e agências de cooperação internacional para discutir a viabilização de uma carteira robusta de projetos estruturantes. No total, 102 iniciativas foram apresentadas, com demanda estimada de R$ 144 bilhões em investimentos para toda a área de atuação da autarquia — que inclui os estados do Nordeste, além de Minas Gerais e Espírito Santo.
Entre os participantes, Minas Gerais se destacou ao apresentar seis projetos prioritários, com demanda total de R$ 54,9 milhões. Embora o valor seja modesto em comparação a outros estados da região, a qualidade técnica e a maturidade das propostas mineiras chamaram a atenção dos representantes de instituições financeiras presentes, como BNDES, Banco do Nordeste e Caixa Econômica Federal.
Minas Gerais no centro do planejamento regional
A participação mineira no encontro foi liderada por técnicos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão, que apresentaram projetos com elevado grau de estruturação e alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. As seis iniciativas abrangem áreas como infraestrutura logística, desenvolvimento produtivo e inovação tecnológica — setores considerados estratégicos para o crescimento do Norte de Minas, região que historicamente demanda maior atenção do poder público.
— Minas Gerais é um estado-continente, e sua porção norte tem características socioeconômicas muito próximas às do Nordeste. Por isso, a atuação da Sudene é tão importante para nós. Estamos aqui para garantir que os projetos mineiros avancem e gerem emprego, renda e qualidade de vida para a população — afirmou o representante do governo mineiro durante a reunião.
Detalhes dos projetos mineiros
Embora os nomes específicos dos projetos não tenham sido divulgados na íntegra durante o evento, fontes da Sudene confirmaram à reportagem que as propostas de Minas Gerias incluem:
1. Melhoria e ampliação de rodovias estaduais no Norte de Minas, visando escoamento da produção agrícola e mineral.
2. Implantação de sistemas de abastecimento de água em municípios do semiárido mineiro, em parceria com a Copasa.
3. Estruturação de polos de inovação tecnológica em Montes Claros, Teófilo Otoni e Janaúba.
4. Modernização da infraestrutura de ensino técnico e profissionalizante no Vale do Jequitinhonha.
5. Projetos de eficiência energética para pequenas e médias indústrias.
6. Fomento ao turismo sustentável na Serra do Cipó e região das Veredas.
Desses, dois projetos — os de abastecimento de água e de rodovias — foram classificados como de “alta maturidade” pela metodologia adotada pela Sudene em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Isso significa que já possuem estudos de viabilidade econômica, licenciamento ambiental em andamento e modelagem jurídica preliminar, o que acelera a possibilidade de captação de recursos.
A metodologia que qualifica os projetos
Um dos diferenciais da carteira apresentada pela Sudene foi a adoção de uma metodologia inovadora, desenvolvida em parceria com o PNUD e a consultoria Pezco Economics. Cada projeto foi classificado de acordo com seu estágio de maturidade — desde a concepção até a execução — com base em critérios como:
• Estruturação técnica
• Estudos de viabilidade econômica
• Maturidade regulatória
• Modelagem jurídica
• Alinhamento aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)



