Descrição da imagem
Caso Banco Master chega ao STF e amplia crise envolvendo sistema financeiro, autoridades e política - Rede Gazeta de Comunicação

PUBLICIDADE

Caso Banco Master chega ao STF e amplia crise envolvendo sistema financeiro, autoridades e política

Investigação começou antes da liquidação do banco e passou por tentativa de venda ao BRB, operações da Polícia Federal e, em 2026, por questionamentos envolvendo ministros do Supremo

A crise envolvendo o Banco Master e seu ex-controlador, Daniel Vorcaro, ganhou novas dimensões ao longo de 2025 e 2026. O que começou como uma negociação para a venda de parte da instituição ao Banco de Brasília (BRB) passou a envolver o Banco Central, Polícia Federal, Ministério Público, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF).

A situação chegou a um novo capítulo em setembro de 2026, depois que informações extraídas do celular de Vorcaro passaram a integrar procedimentos no Supremo e provocaram questionamentos sobre as relações do ex-banqueiro com autoridades, inclusive com o ministro Alexandre de Moraes.

Os acontecimentos, porém, precisam ser separados entre fatos já documentados, investigações em andamento e manifestações políticas.

A tentativa de venda ao BRB

A crise ganhou maior visibilidade em março de 2025, quando o BRB anunciou a intenção de adquirir 58% do Banco Master. A operação passou a ser analisada pelos órgãos responsáveis e enfrentou questionamentos judiciais e políticos.

Durante os meses seguintes, a estrutura da operação foi modificada. Em julho, o BRB apresentou uma nova proposta ao Banco Central, reduzindo a parcela de ativos que seria adquirida.

Em 3 de setembro de 2025, o Banco Central rejeitou a aquisição do Master pelo BRB. A decisão encerrou a negociação que vinha sendo analisada desde março. O BRB informou que pediria acesso aos fundamentos técnicos da decisão e avaliaria as medidas cabíveis. A rejeição foi registrada por veículos de referência, como Folha de S.Paulo, InfoMoney e CNN Brasil.

Polícia Federal entra no caso

As investigações sobre operações envolvendo o Banco Master avançaram paralelamente à tentativa de venda. A Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, passou a investigar suspeitas de irregularidades financeiras relacionadas à instituição.

Em 17 de novembro de 2025, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal. No dia seguinte, 18 de novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de outras instituições do conglomerado.

A decisão do Banco Central foi fundamentada em uma grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações das normas que regulam as instituições financeiras. O órgão informou ainda que continuaria apurando responsabilidades.

A documentação oficial do Banco Central confirma a liquidação do Banco Master em 18 de novembro de 2025 e a adoção de Regime de Administração Especial Temporária para o Banco Master Múltiplo.

O caso chega ao Supremo

Depois da liquidação, a investigação passou a ter novos desdobramentos judiciais. Em janeiro de 2026, o STF divulgou decisão do ministro Dias Toffoli retirando o sigilo de depoimentos e de uma acareação relacionados à investigação sobre a tentativa de compra do Master pelo BRB. O procedimento estava registrado no Inquérito 5026.

Em março, Daniel Vorcaro voltou a ser alvo de prisão preventiva por decisão do ministro André Mendonça, no âmbito da investigação. A decisão foi tomada a partir de pedido da Polícia Federal.

A investigação continuou avançando durante o primeiro semestre. Em junho, Mendonça autorizou a nona fase da Operação Compliance Zero, que incluiu buscas e medidas cautelares relacionadas a suspeitas de crimes financeiros, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa. Segundo a decisão divulgada pelo STF, a investigação também passou a examinar possíveis relações entre dirigentes do Master e o senador Jaques Wagner.

Em julho, a Polícia Federal deflagrou a décima fase da operação. De acordo com a PF, essa etapa investigava, entre outros pontos, uma possível atuação coordenada nas redes sociais para comprometer a credibilidade do Banco Central e ações destinadas a interferir em investigações. A PF informou que os fatos poderiam, em tese, configurar crimes contra o sistema financeiro, organização criminosa e embaraço à investigação.

Mensagens envolvendo Alexandre de Moraes

Em setembro de 2026, o caso passou a provocar uma crise específica dentro do STF.

Informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro deram origem à Petição 16.662. Segundo o próprio Supremo, o relatório elaborado pela Polícia Federal contém supostos diálogos que teriam relação com o ministro Alexandre de Moraes. A Procuradoria-Geral da República, por sua vez, pediu a nulidade desse relatório.

A divulgação das informações provocou reações no Congresso. Em 1º de setembro, senadores fizeram discursos defendendo o afastamento de Moraes por impeachment ou renúncia. Essas manifestações foram registradas oficialmente pelo Senado, mas representam posições de parlamentares e não uma decisão institucional do Senado sobre o caso.

O julgamento de setembro

Em 15 de setembro, o plenário do STF analisou uma questão de ordem relacionada às Petições 16.662 e 16.704.

A primeira tem origem no relatório da Polícia Federal baseado em informações extraídas do celular de Vorcaro e menciona supostos diálogos relacionados a Moraes. A segunda envolve questionamentos sobre a condução do caso pelo ministro André Mendonça.

A discussão era sobre a possibilidade de reunir os dois procedimentos e redistribuí-los. O ministro Flávio Dino pediu vista, interrompendo a análise.

O próprio STF foi explícito ao informar que o mérito das petições não foi analisado naquela sessão e que não houve conclusão sobre eventual responsabilidade penal. Segundo a Corte, essa atribuição depende do Ministério Público e dos procedimentos próprios.

Na sessão, Nunes Marques declarou-se impedido e Dias Toffoli declarou suspeição.

Viagem em aeronave ligada a Vorcaro

Outro episódio que ganhou repercussão ocorreu em setembro, após a divulgação de imagens mostrando Alexandre de Moraes e sua esposa, a advogada Viviane Barci, desembarcando de uma aeronave vinculada à Prime Aviation, empresa que já teve Vorcaro entre seus sócios.

O escritório Barci de Moraes confirmou que contratou serviços de táxi aéreo da Prime Aviation, mas negou que Vorcaro tenha viajado com o casal e afirmou que a contratação não teve relação pessoal com os proprietários das aeronaves.

A Agência Brasil também registrou que o escritório havia prestado serviços jurídicos ao Banco Master antes da liquidação da instituição. Segundo a reportagem, o contrato divulgado pela imprensa tinha valor de R$ 130 milhões.

As informações sobre contratos, viagens e contatos passaram a ser utilizadas no debate político, mas sua existência, isoladamente, não estabelece responsabilidade criminal ou irregularidade.

Moraes se declara impedido

Em 21 de setembro, Alexandre de Moraes declarou-se impedido de analisar um mandado de segurança apresentado pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo).

A ação solicita ao Senado registros de entrada e saída de pessoas na Casa, entre elas Viviane Barci e Daniel Vorcaro. Também são citados Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e Fábio Luís Lula da Silva.

Moraes fundamentou o impedimento no artigo 144, inciso IV, do Código de Processo Civil, que trata de situações envolvendo parentes do magistrado. Com a decisão, o processo deverá ser encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, para definição de novo relator.

O que está comprovado e o que ainda está sob investigação

A documentação disponível permite estabelecer alguns fatos objetivos: o Banco Master foi submetido à liquidação extrajudicial pelo Banco Central; a tentativa de aquisição pelo BRB foi rejeitada; a Polícia Federal conduz a Operação Compliance Zero; Daniel Vorcaro é investigado e já foi preso; e diferentes procedimentos relacionados ao caso chegaram ao STF.

Já as suspeitas envolvendo autoridades, o conteúdo e a interpretação das mensagens encontradas no celular de Vorcaro, eventual interferência em investigações e possíveis responsabilidades individuais continuam dependendo da apuração dos órgãos competentes e das decisões judiciais.

O próprio STF reforçou essa distinção ao informar que a sessão de 15 de setembro não analisou o mérito da Petição 16.662 nem estabeleceu responsabilidade penal de qualquer pessoa.

O caso Banco Master, portanto, permanece em diferentes frentes: financeira, criminal, judicial e política. E, à medida que novos documentos e depoimentos são incorporados às investigações, o episódio continua produzindo consequências no Congresso e no Supremo, em um momento de proximidade com as eleições de outubro.