Paula Pereira
Jornalista | Programadora Visual | Analista de Marketing
Há um jeito bem norte-mineiro de olhar para as coisas. O povo daqui escuta, observa, desconfia um cadim, mas também sabe reconhecer quando enxerga resultado. No sertão das Gerais, fama nunca bastou. O que vale mesmo é o que se faz debaixo do sol quente, na poeira da estrada, na fila do posto de saúde, na sala de aula, na rua asfaltada, na praça iluminada e na porta de casa.
Foi com esse espírito que Montes Claros recebeu a divulgação do mais recente levantamento do Instituto Veritá, que colocou o prefeito Guilherme Guimarães entre os prefeitos mais bem avaliados do Brasil entre os grandes municípios fora das capitais. O ranking também posiciona o chefe do Executivo municipal entre os mais bem avaliados de Minas Gerais, sinalizando que a administração local tem alcançado reconhecimento em um cenário que reúne cidades de grande porte e desafios igualmente complexos.

Toda pesquisa merece ser lida com serenidade. Ela representa um retrato de determinado momento, elaborado a partir de critérios metodológicos específicos. Não é sentença definitiva, nem substitui o julgamento permanente que a população faz todos os dias. Ao mesmo tempo, também não deve ser descartada quando aponta tendências relevantes. Pesquisas sérias servem justamente para medir a percepção da sociedade sobre o desempenho das administrações públicas.
Montes Claros não é uma cidade pequena. Tornou-se, ao longo das últimas décadas, o principal centro econômico, comercial, universitário e de saúde do Norte de Minas. Cresceu em população, em responsabilidade e em complexidade. Hoje recebe diariamente milhares de pessoas de dezenas de municípios vizinhos em busca de atendimento médico, educação, comércio e oportunidades de trabalho.
Administrar uma cidade com esse perfil exige mais do que boa vontade. Exige planejamento, capacidade técnica, diálogo institucional e decisões que nem sempre agradam a todos. É natural que diferentes setores tenham avaliações distintas sobre uma gestão. A cidade é plural, e as demandas também.
Nesse contexto, uma boa posição em um ranking nacional pode ser entendida como um indicativo de que parte significativa da população percebe avanços na condução da administração municipal. Mas o verdadeiro desafio começa justamente quando chegam os elogios: mantê-los.
O Norte de Minas conhece bem a diferença entre promessa e realização. Nossa história foi construída por gente que aprendeu a transformar escassez em oportunidade, a vencer distâncias e a prosperar sem perder suas raízes. É uma região que valoriza quem trabalha, mas também cobra resultados.
Montes Claros vive um momento singular. A cidade consolida seu protagonismo regional, amplia investimentos privados, fortalece seu parque industrial, expande o setor de serviços e segue atraindo novos empreendimentos. Esse crescimento, contudo, traz desafios igualmente proporcionais.
A mobilidade urbana precisa acompanhar a expansão dos bairros. A infraestrutura deve avançar na mesma velocidade em que surgem novos loteamentos. A saúde pública continua sendo pressionada pelo atendimento regional. A educação necessita de investimentos permanentes. A geração de empregos qualificados precisa acompanhar o crescimento econômico para que a prosperidade alcance um número cada vez maior de famílias.
É nesse cenário que qualquer gestor é avaliado, muito além dos índices divulgados em pesquisas.
A boa administração pública não se mede apenas por números. Mede-se pela capacidade de transformar recursos em políticas públicas eficientes, de ouvir a população, de planejar o futuro e de responder com rapidez aos problemas cotidianos.
O reconhecimento apontado pelo levantamento também amplia a responsabilidade da gestão municipal. Quem alcança bons índices naturalmente passa a ser mais observado e mais cobrado. A expectativa da população cresce junto com a aprovação.
E isso é saudável para a democracia.
Em Montes Claros, o cidadão quer continuar vendo obras concluídas, serviços públicos funcionando, investimentos chegando e planejamento para enfrentar os desafios que acompanham o crescimento urbano. A confiança registrada hoje dependerá da capacidade de manter resultados amanhã.
Existe uma sabedoria antiga nas bandas do sertão que atravessa gerações. Dizem os mais velhos que “árvore boa é aquela que continua dando sombra mesmo depois de crescer”. Talvez essa imagem também sirva para a administração pública. Crescer em reconhecimento é importante; continuar entregando benefícios concretos para a população é o que sustenta esse reconhecimento.
Nossa cidade nunca parou de sonhar grande. Desde os tempos em que era entreposto de tropeiros até se tornar uma das principais economias do interior brasileiro, Montes Claros aprendeu que desenvolvimento não acontece por acaso. Ele exige continuidade, responsabilidade e compromisso coletivo.
Pesquisas passam. Mandatos também passam. O que permanece é a cidade e o legado construído por cada geração.
Que os bons indicadores sirvam como estímulo para avançar ainda mais, e não como motivo para acomodação. Que as críticas sejam recebidas como oportunidade de aperfeiçoamento. E que os acertos encontrem continuidade em políticas públicas capazes de melhorar, de forma concreta, a vida de quem acorda cedo todos os dias para construir esta terra.
Porque, no fim das contas, é o olhar do povo — aquele que cruza a feira, pega o ônibus, trabalha no comércio, planta na roça, estuda, empreende e cria seus filhos — que continua sendo a medida mais importante de qualquer governo.
E esse olhar, em Montes Claros, renova-se a cada amanhecer sob o céu largo das Gerais, onde a esperança caminha lado a lado com a exigência de que o desenvolvimento anunciado se transforme, cada vez mais, em realidade para todos.



