Descrição da imagem
EDITORIAL | SETE MESES DE ESPERA: Universitários seguem sem resposta em Pirapora - Rede Gazeta de Comunicação

PUBLICIDADE

EDITORIAL | SETE MESES DE ESPERA: Universitários seguem sem resposta em Pirapora

Paula Pereira

Jornalista | Programadora Visual | Analista de Marketing

A crise do transporte universitário em Pirapora deixou de ser uma questão administrativa para se transformar em um problema político. E, como todo problema político que afeta diretamente a vida da população, exige respostas claras, responsabilidade pública e solução imediata.

Há cerca de sete meses, a Associação dos Universitários e Técnicos de Pirapora (AUTP) aguarda a regularização dos repasses municipais necessários para manter o transporte de estudantes até Montes Claros. Sete meses depois, o resultado está diante dos olhos de todos: ônibus parados, estudantes prejudicados, cursos interrompidos e famílias angustiadas.

O que falta explicar é por que uma situação tão grave chegou a esse ponto.

A Prefeitura de Pirapora afirma que o processo está em análise jurídica e que mudanças na legislação exigiram adequações técnicas. Ninguém questiona a necessidade de cumprir a lei. O que se questiona é a capacidade da administração municipal de antecipar problemas, planejar soluções e evitar que a burocracia penalize justamente quem mais precisa do serviço.

Porque, enquanto documentos circulam entre departamentos e pareceres são aguardados, estudantes acumulam faltas, perdem provas, deixam de participar de atividades obrigatórias e, em alguns casos, abandonam a graduação.

A pergunta que a população faz é simples: onde estava a gestão municipal quando os sinais da crise começaram a aparecer?

A própria associação afirma que a documentação necessária foi entregue ainda em novembro do ano passado. Se isso ocorreu, por que o problema não foi resolvido antes do início do calendário acadêmico? Por que os estudantes precisaram chegar ao limite da paralisação para que o assunto ganhasse repercussão pública?

Mais grave ainda são os relatos de que houve expectativa de pagamento iminente, informação que levou, inclusive, ao enfraquecimento de uma mobilização estudantil que estava sendo organizada. O pagamento, entretanto, não aconteceu. E o problema continuou crescendo.

O silêncio e a demora têm consequências.

A cada dia sem transporte, jovens trabalhadores, filhos de famílias de baixa renda e estudantes que enxergam na educação uma oportunidade de ascensão social são colocados diante de uma escolha injusta: abandonar o curso ou assumir custos que não conseguem pagar.

É preciso dizer com clareza: transporte universitário não é favor político, não é benefício eleitoreiro e não é concessão de governo. Trata-se de uma política pública que garante acesso à educação para centenas de jovens que vivem fora dos grandes centros universitários.

Quando uma administração falha em manter esse serviço funcionando, não está apenas criando um problema logístico. Está comprometendo oportunidades, dificultando a formação profissional de sua juventude e limitando o futuro do próprio município.

Pirapora precisa de engenheiros, professores, administradores, farmacêuticos, advogados e profissionais qualificados. Mas como formar esses profissionais se o caminho até a universidade está sendo interrompido pela ineficiência administrativa?

Os estudantes já fizeram sua parte. A associação fez sua parte. As famílias fizeram sua parte.

Agora cabe ao poder público fazer a sua.

A Prefeitura precisa abandonar o discurso genérico de que o processo está em andamento e apresentar datas, prazos e soluções concretas. A população tem o direito de saber quando os recursos serão liberados, quando o transporte será retomado e quais medidas serão adotadas para impedir que uma situação semelhante volte a acontecer.

Até o fechamento desta edição, não foram apresentadas respostas objetivas para esses questionamentos, que continuam mobilizando estudantes, familiares e a sociedade piraporense.

A juventude de Pirapora não pode ser vítima da lentidão administrativa.

Sete meses são suficientes para concluir um semestre universitário. São suficientes para perder disciplinas. São suficientes para abandonar um curso.

E são mais do que suficientes para que a sociedade cobre dos gestores públicos aquilo que lhes foi confiado pelas urnas: capacidade de gestão, responsabilidade e compromisso com o interesse coletivo.

A educação não pode permanecer estacionada em uma garagem aguardando uma assinatura.

O futuro desses estudantes não pode continuar parado no ponto de ônibus da burocracia.

As perguntas são muitas, as tentativas para obtê-las também, seguimos aguardando as respostas.