Descrição da imagem
DENÚNCIA | Sem transporte, universitários de Pirapora cobram solução da Prefeitura - Rede Gazeta de Comunicação

PUBLICIDADE

DENÚNCIA | Sem transporte, universitários de Pirapora cobram solução da Prefeitura

Paralisação do serviço que liga o município a Montes Claros afeta cerca de 90 estudantes e coloca em risco a continuidade de cursos superiores

A suspensão do transporte universitário entre Pirapora e Montes Claros tem provocado preocupação entre estudantes que dependem diariamente do serviço para frequentar instituições de ensino superior. A interrupção ocorreu após a falta de repasses da subvenção municipal destinada à manutenção das atividades da Associação dos Universitários e Técnicos de Pirapora (AUTP), responsável pelo transporte dos acadêmicos.

Segundo a entidade, os recursos não são repassados há cerca de sete meses. Sem condições financeiras para manter a operação, a associação anunciou a paralisação temporária do serviço, impactando diretamente aproximadamente 90 estudantes cadastrados. O número de pessoas afetadas pode ser ainda maior quando considerados usuários que utilizavam caronas e outras formas de deslocamento vinculadas ao sistema.

A situação reacendeu o debate sobre o acesso ao ensino superior para estudantes do interior, que frequentemente dependem do transporte coletivo para frequentar universidades localizadas em cidades-polo da região.

De acordo com a diretoria da AUTP, toda a documentação necessária para renovação do convênio com o município foi entregue ainda em novembro do ano passado. A entidade afirma que, durante a tramitação do processo, houve necessidade de reapresentação de documentos em mais de uma ocasião, o que teria contribuído para o atraso na liberação dos recursos.

Sem a subvenção, a associação não conseguiu manter o serviço em funcionamento. O transporte universitário opera há mais de duas décadas e é considerado fundamental para garantir o acesso de estudantes de Pirapora às instituições de ensino superior instaladas em Montes Claros, um dos principais polos universitários do Norte de Minas.

A paralisação já provoca reflexos na rotina acadêmica. Estudantes relatam dificuldades para comparecer às aulas, participar de avaliações, realizar estágios obrigatórios e cumprir atividades presenciais exigidas pelos cursos. Alguns afirmam que precisaram reduzir a frequência nas universidades, enquanto outros cogitam interromper temporariamente a graduação.

A gravidade da situação chegou ao conhecimento da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Em alguns cursos, coordenações acadêmicas receberam a declaração emitida pela associação informando a impossibilidade de deslocamento dos estudantes. O documento foi encaminhado aos professores para ciência da situação enfrentada pelos universitários.

Apesar da medida, estudantes destacam que a flexibilização acadêmica não resolve os prejuízos provocados pela ausência do transporte. Atividades práticas, apresentações de trabalhos, avaliações presenciais e estágios continuam exigindo comparecimento às instituições.

O impacto financeiro também preocupa. Muitos universitários afirmam que o transporte coletivo representa a única alternativa viável para cursar uma graduação em Montes Claros. A mudança para outra cidade implica despesas com moradia, alimentação e deslocamento urbano, custos considerados inviáveis para diversas famílias.

Antes da paralisação, a mensalidade cobrada dos usuários já havia passado por reajuste, saltando de R$ 150 para R$ 250. Ainda assim, segundo a associação, os valores arrecadados não foram suficientes para compensar a ausência dos recursos públicos.

A insatisfação dos estudantes chegou a motivar a articulação de uma manifestação em frente à Prefeitura de Pirapora. A mobilização, porém, foi suspensa após informações de que o pagamento da subvenção estaria próximo de ser efetuado. Como os recursos não foram liberados, o serviço acabou sendo interrompido.

Procurada sobre o impasse, a Prefeitura informou que o processo de transferência dos recursos está sendo analisado conforme as exigências legais previstas para repasses a organizações da sociedade civil. Segundo o município, a tramitação encontra-se atualmente em fase de avaliação jurídica.

Embora reconheçam a necessidade de cumprimento da legislação, estudantes e familiares questionam a demora na conclusão do processo e cobram a apresentação de um cronograma para a regularização do convênio.

Para os universitários, o transporte não representa apenas uma questão de mobilidade, mas uma ferramenta essencial para permanência no ensino superior. A interrupção do serviço, afirmam, compromete a formação acadêmica, amplia desigualdades e dificulta o acesso à qualificação profissional.

Enquanto o impasse administrativo permanece sem solução definitiva, estudantes seguem aguardando uma definição que permita a retomada das viagens e a continuidade dos estudos. A principal reivindicação é que o problema seja resolvido antes que os prejuízos acadêmicos se tornem irreversíveis para parte dos universitários afetados.