Galo saiu perdendo por 2 a 0, reagiu com dois gols, mas pressão final não foi suficiente para empatar
O Campeonato Brasileiro Sub-17 teve nesta terça-feira (23) um daqueles jogos que ficam gravados na memória dos torcedores. No Sesc Venda Nova, em Belo Horizonte, Atlético-MG e Palmeiras protagonizaram um verdadeiro show de futebol, com direito a sete gols, pênaltis, viradas e um final emocionante que manteve a torcida atleticana em pé até o apito final. O placar de 4 a 3 para os visitantes, no entanto, decretou a segunda derrota consecutiva do Galinho na competição.
Começo arrasador do Palmeiras
A partida mal havia começado e o Atlético já via seus planos irem por água abaixo. Aos três minutos, em cobrança de escanteio, o zagueiro Ruan Yago subiu livre de marcação e cabeceou com força para o fundo do gol, abrindo o placar para os alviverdes. O golpe foi duro, mas o pior ainda estava por vir. Aos oito, a arbitragem assinalou pênalti após toque de mão na área atleticana. João França assumiu a responsabilidade, bateu com categoria no canto esquerdo e ampliou: 2 a 0. O Galinho, atordoado, via o jogo escapar antes mesmo dos dez primeiros minutos.
A equipe mineira tentou reagir ainda no primeiro tempo, mas esbarrava na defesa bem postada do Palmeiras e nas saídas rápidas do adversário. O técnico atleticano, visivelmente insatisfeito com a postura da equipe, fez ajustes táticos no intervalo e pediu mais intensidade aos seus jogadores.
Reação atleticana e resposta palmeirense
A mudança de postura surtiu efeito logo no início da etapa complementar. Aos quatro minutos, Vinícius, meia-atacante do Galo, caiu na área após contato e a arbitragem marcou pênalti. Ele mesmo pegou a bola, colocou na marca e bateu com frieza, reduzindo a diferença para 2 a 1. O Sesc Venda Nova veio abaixo com o grito de gol, e a torcida passou a acreditar na virada.
O empate, no entanto, durou pouco. Aos sete minutos, Diego fez aquilo que os palmeirenses chamam de “jogada de craque”: arrancou pela ponta esquerda, cortou para dentro, livrou-se de dois marcadores e chutou no canto, sem chances para o goleiro atleticano: 3 a 1. A resposta palmeirense foi cirúrgica e silenciou a torcida da casa.
Seis minutos depois, nova estocada. Guilherme Pires cruzou rasteiro da direita, a defesa atleticana se atrapalhou e a bola sobrou limpa para Tauan, que só empurrou para o gol vazio. 4 a 1. O placar parecia liquidado, e o Palmeiras já administrava a vantagem.
Galo mostra fibra e quase busca empate histórico
Foi então que o Atlético mostrou a força de sua camisa. Aos 20 minutos, Gabriel Veneno — nome que já carrega a fama de incomodar defesas adversárias — arrancou em velocidade pela direita, invadiu a área, driblou o marcador e sofreu penalidade. Vinícius, novamente, chamou a responsabilidade e converteu com a mesma frieza do primeiro pênalti: 4 a 2. O Galo cresceu e passou a acreditar.
O gol deu ânimo à equipe, que passou a pressionar o Palmeiras em seu campo de defesa. Aos 28 minutos, o lateral-direito Samuel Rodrigues subiu ao ataque e cruzou milimetricamente para a cabeça de Barros, que testou firme e diminuiu a diferença para 4 a 3. A torcida explodiu. O Sesc Venda Nova vibrava como se o empate já tivesse sido conquistado.
Os minutos finais foram de pura emoção. O Atlético partiu para o “abafa”, jogando com três atacantes e laterais transformados em pontas. O goleiro adversário fez pelo menos duas defesas milagrosas, e a trave ainda salvou o Palmeiras em uma cabeçada de Veneno nos acréscimos. O time paulista, acuado, recuou todas as linhas e se defendeu como pôde, segurando a vantagem mínima até o apito final.
O que vem por aí
Com a derrota, o Atlético-MG estaciona na tabela do Brasileiro Sub-17 e precisa urgentemente de uma vitória para não se distanciar do G-4. A próxima oportunidade será no sábado (27), às 10h, fora de casa, contra o Boston City, em Manhuaçu, pela nona rodada do Campeonato Mineiro Sub-17 — um confronto que pode servir como reabilitação moral e técnica para a equipe.
Já o Palmeiras, com o resultado positivo, confirma sua força na competição e se mantém entre os líderes, alimentando o sonho do título nacional na categoria.
Análise tática
O jogo evidenciou dois momentos distintos do Atlético-MG: a fragilidade defensiva nos minutos iniciais e a força ofensiva na etapa final. O técnico atleticano terá trabalho para ajustar o sistema defensivo, que sofreu quatro gols em casa, mas pode se apegar à capacidade de reação da equipe para seguir competitivo. Pelo lado palmeirense, a vitória consolida a confiança e mostra que o time soube administrar a pressão mesmo quando o adversário cresceu no jogo.
A torcida que compareceu ao Sesc Venda Nova saiu de cabeça erguida, apesar da derrota. Viu seu time lutar até o fim, mostrar raça e quase arrancar um empate heroico. O futebol é feito de finais felizes, mas também de aprendizado. E esse Galinho, apesar do tropeço, mostrou que tem coração para brigar até o fim.



