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Agricultura familiar movimenta Expomontes com 160 expositores e geração de renda no Norte de Minas - Rede Gazeta de Comunicação

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Agricultura familiar movimenta Expomontes com 160 expositores e geração de renda no Norte de Minas

Espaço reúne produtores de 12 municípios, fortalece economia local, valoriza mulheres do campo e oferece programação cultural com forró, concurso de mandioca e homenagem a Zé Vicente

A 52ª Expomontes não é apenas um palco para o agronegócio de grande porte ou para as inovações tecnológicas do campo. Um dos seus cantos mais vibrantes e emocionantes fica na Feira da Agricultura Familiar, que transforma o Parque de Exposições João Alencar Athayde num verdadeiro retrato das tradições, sabores e histórias do Norte de Minas. Mais do que um simples mercado, o espaço se consolidou como um ponto de encontro entre o campo e a cidade, onde o visitante pode conversar com quem plantou, colheu e preparou cada produto que leva para casa.

Nesta edição, a feira reúne cerca de 160 agricultores familiares, distribuídos em 40 barracas, representando 12 municípios da região. A estimativa é que aproximadamente 300 famílias estejam envolvidas em toda a cadeia produtiva — desde o preparo da terra e o cultivo da matéria-prima até a comercialização dos alimentos prontos e dos artesanatos que carregam a identidade cultural mineira. Entre os produtos oferecidos estão mandioca, goma, farinha, beijus, doces caseiros, compotas, quitandas, sucos naturais, shakes, cafés especiais, queijos artesanais e o tradicional frango caipira, que faz sucesso entre os frequentadores.

Criada em 2011, a feira nasceu com o propósito de valorizar o pequeno produtor e criar um canal direto entre quem produz e quem consome. Desde então, evoluiu não apenas em tamanho, mas em qualidade e profissionalismo. Segundo Flávio Gonçalves Oliveira, presidente da Sociedade Rural de Montes Claros, a iniciativa sempre teve como essência o reconhecimento do trabalho rural, mas com o tempo ganhou novos contornos. “Ampliamos o espaço, melhoramos a infraestrutura de atendimento, oferecemos mais capacitações e criamos oportunidades para que os expositores profissionalizem cada vez mais seus negócios. Hoje, a Agricultura Familiar ocupa um papel estratégico dentro da Expomontes, demonstrando a força do empreendedorismo rural e contribuindo diretamente para o desenvolvimento econômico e social de toda a nossa região”, destaca.

Um dado que chama atenção nesta edição é o protagonismo feminino. Segundo a Emater, cerca de 70% dos expositores são mulheres, com idade entre 40 e 60 anos. Elas comandam barracas, produzem alimentos, administram os negócios e, muitas vezes, são as principais responsáveis pela renda da família. A presença massiva das mulheres reforça o papel transformador da agricultura familiar no empoderamento feminino e na promoção da igualdade de gênero no meio rural.

Para José Carlos, extensionista da Emater, a feira vai além da venda imediata. “É um espaço em que o agricultor, além de comercializar o que produz, fortalece sua relação com os consumidores e cria oportunidades de negócio que permanecem durante todo o ano. Muitos visitantes que conhecem os produtos na Expomontes passam a comprar posteriormente nas feiras livres, diretamente dos produtores ou por meio do delivery, que já é uma realidade para muitos agricultores familiares”, explica.

Dona Nenzinha, como é carinhosamente conhecida Maria Madalena, da Comunidade de Pinheiros, é uma das veteranas da feira. Participa desde a primeira edição e, em sua barraca, o carro-chefe é o frango caipira, prato que atravessa gerações na culinária regional. “Eu tenho um prazer muito grande de fazer parte dessa caminhada da Agricultura Familiar. É um reconhecimento para nós produtores, porque antes não tínhamos esse privilégio. Participando da feira, adquirimos conhecimento, fortalecemos a agricultura, divulgamos nosso trabalho e nossos produtos. Em dez dias nos tornamos uma família, companheiros de luta, e isso é muito importante”, emociona-se.

Luciene Soares, da comunidade de Riachão, no município de Mirabela, está há seis anos na feira. Ao lado de outras mulheres, comercializa beijus recheados, queijos, coco, sucos naturais, polpas de frutas e café. Para ela, a feira é uma escola. “A gente conhece pessoas diferentes, aprende novas receitas, troca experiências e faz amizades. Além disso, o resultado financeiro ajuda muito. Para quem vive da produção rural, participar da feira representa uma oportunidade importante de fortalecer a renda da família”, relata.

O secretário municipal de Agricultura de Montes Claros, Osmani Barbosa Neto, também destacou a importância da feira para a economia local. “Além de gerar renda durante os dias da Expomontes, a feira amplia a visibilidade dos produtores e de seus produtos. Muitos visitantes conhecem os alimentos durante o evento e passam a consumir durante todo o ano. Isso fortalece a comercialização, amplia mercados e cria novas oportunidades de negócio para as famílias rurais”, ressalta.

Mas a feira não se resume às barracas e aos produtos. A programação paralela promete animar o público com atrações que celebram a cultura e as tradições do campo. No dia 29 de junho, acontece a Noite Dançante da Agricultura Familiar, com apresentação de Terno de Reis, violeiros e muito forró, valorizando a música e a identidade rural. No dia 30, será realizada a Mostra Tecnológica da Agricultura Familiar, com exposição de tecnologias e iniciativas voltadas ao fortalecimento da produção sustentável. No mesmo dia, acontece o tradicional Concurso do Pé de Mandioca Mais Pesado, com prêmio total de R$ 2 mil para os vencedores, e à noite, um tributo ao cantor e compositor Zé Vicente, com poesias, músicas e a participação de sua família. Já no dia 1º de julho, o Arroz Show trará palestras de pesquisadores da EPAMIG, casos de sucesso de agricultores locais e degustação de produtos à base de arroz. O encerramento da feira está marcado para 4 de julho, com uma celebração dos resultados alcançados e o reconhecimento dos produtores participantes.

Ao unir tradição, empreendedorismo, cultura e geração de renda, a Feira da Agricultura Familiar na Expomontes reafirma que o desenvolvimento do campo passa, antes de tudo, pela valorização das pessoas que nele vivem e trabalham. É lá que as famílias se encontram e o campo abraça a cidade.