Homem de 41 anos foi encontrado caído ao lado da motocicleta com capacete ainda na cabeça; testemunha e irmão relataram histórico de consumo frequente de álcool e quedas anteriores; perícia não compareceu porque cena não foi preservada
A Polícia Militar de Minas Gerais, por meio da 11ª Região da Polícia Militar (RPM), foi acionada na noite da última terça-feira (19) para atender a uma ocorrência de acidente de trânsito com vítima fatal na Fazenda Lobeiro, localizada na zona rural do município de Riacho dos Machados, no Norte do Estado. O caso, que inicialmente chegou às autoridades por meio de um comunicado do Centro de Saúde da cidade, revelou uma série de circunstâncias preocupantes envolvendo o histórico do condutor e as condições precárias da estrada vicinal.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima – um homem de 41 anos, cujo nome não foi divulgado pela corporação em respeito à família – deu entrada na unidade de saúde local já sem sinais vitais. Ele havia sido socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que foi acionada por populares que passavam pelo trecho rural por volta das 19h30. Os socorristas relataram aos policiais militares que, ao chegarem ao local indicado, encontraram o motociclista caído ao solo, ainda com o capacete firmemente preso à cabeça, a poucos metros de uma motocicleta Honda CG 150, de cor vermelha, que apresentava danos significativos tanto na parte dianteira quanto na traseira.
Segundo o relatório do Samu, a equipe realizou os procedimentos padronizados de emergência, incluindo imobilização cervical e verificação de pulsos, mas já não havia qualquer resposta neurológica ou cardiorrespiratória. Mesmo assim, o motociclista foi conduzido com urgência ao posto de saúde de Riacho dos Machados, onde o médico plantonista, após exame clínico minucioso, constatou o óbito. As causas imediatas da morte não foram detalhadas pela unidade, mas a suspeita inicial é de trauma cranioencefálico grave, possivelmente agravado por impacto contra o solo ou contra algum obstáculo na estrada.
Uma testemunha que passava pelo momento exato do acidente – um morador da região que preferiu não se identificar – afirmou aos policiais que tudo indicava se tratar de uma queda de motocicleta sem envolvimento de outros veículos. Ele contou que viu o corpo já estendido no chão e a moto tombada alguns metros adiante. A mesma testemunha revelou um dado importante: conhecia a vítima de longa data e sabia que ela fazia uso frequente de bebida alcoólica, muitas vezes dirigindo após consumir bebidas em bares da cidade ou em residências de amigos na zona rural. “Ele sempre foi assim, gostava de beber e pegar a moto. A gente até falava que um dia ia dar problema”, teria dito a testemunha, conforme registrado no boletim.
A informação foi corroborada pelo irmão da vítima, que também compareceu ao local após ser informado pelo Samu. O familiar declarou, em depoimento formal aos militares, que o motociclista possuía um longo histórico de condução de veículo sob efeito de álcool e que já havia se envolvido em pelo menos outros três acidentes e quedas de motocicleta nos últimos cinco anos.
Ao se deslocarem para o local exato do acidente – uma estrada vicinal de terra batida que dá acesso à Fazenda Lobeiro –, os policiais militares encontraram diversos vestígios: fragmentos da carenagem da motocicleta espalhados pela pista, manchas de sangue no chão e marcas de frenagem que indicavam uma tentativa desesperada de controle do veículo. As marcas formavam uma linha curva que se estendia por aproximadamente 15 metros até um monte de terra acumulado às margens da estrada, provavelmente proveniente de uma antiga obra de drenagem ou de erosão. A suspeita da perícia informal feita pela própria PM é de que o motociclista tenha perdido o controle da direção ao passar sobre esse monte de terra, talvez por alta velocidade ou por reflexos comprometidos, resultando em uma queda violenta.
A Perícia Técnica da Polícia Civil foi acionada por telefone, mas, segundo a própria PM, os peritos informaram que não seria possível comparecer porque a cena do acidente não havia sido preservada. Isso ocorreu porque, antes da chegada dos militares, populares e até mesmo alguns familiares removeram parte dos destroços e movimentaram a vítima – ainda que com a boa intenção de socorrê-la –, comprometendo a cadeia de custódia e a integridade dos vestígios. A orientação padrão em casos de acidentes graves é que ninguém mexa na cena até a chegada da perícia, a menos que haja risco iminente de incêndio ou explosão.
Como resultado, não foi possível realizar exame de alcoolemia ou análises mais aprofundadas de velocidade, frenagem e pontos de impacto. O registro de óbito, portanto, foi confeitos exclusivamente pelo médico do posto de saúde de Riacho dos Machados, com base nos sinais clínicos de morte encefálica e nos relatos das testemunhas. O corpo foi liberado à família para velório e sepultamento, que ocorreu na manhã desta quinta-feira (21) no cemitério local, com presença de parentes e amigos.
O acidente comoveu os moradores de Riacho dos Machados, cidade de aproximadamente 7 mil habitantes onde todos se conhecem. Nas redes sociais, amigos postaram mensagens de pesar e alertaram sobre os perigos do mesmo trecho da estrada, que já teria sido palco de outras quedas sem vítimas fatais.



