Estado concentra 40% dos produtores formalizados do país e amplia presença da bebida artesanal no mercado internacional
Símbolo da cultura, da tradição e da identidade mineira, a cachaça produzida em Minas Gerais segue consolidando sua força econômica dentro e fora do país. No Dia da Cachaça Mineira, comemorado nesta semana, dados divulgados pela Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais revelam que a cadeia produtiva da bebida movimentou R$ 624,7 milhões em 2025, reafirmando o protagonismo do estado na produção nacional.
O levantamento faz parte de um panorama atualizado do setor elaborado pela secretaria e reúne informações estratégicas sobre produção, mercado, exportações, geração de empregos e arrecadação pública. O relatório evidencia não apenas a força econômica da atividade, mas também o papel cultural e histórico da cachaça para Minas Gerais.
Reconhecida nacionalmente pela tradição na produção artesanal da bebida, Minas lidera com ampla vantagem o ranking brasileiro de estabelecimentos produtores formalizados. Segundo os dados da Seapa, o estado concentra 40% de todas as unidades registradas no país, somando 501 empreendimentos formais espalhados por diferentes regiões mineiras.
A presença expressiva de produtores reforça a capilaridade da atividade e a importância da cachaça para centenas de municípios, especialmente em áreas rurais onde a produção se tornou fonte de renda, geração de empregos e fortalecimento do turismo gastronômico e cultural.
De acordo com a assessora técnica da Seapa, Maíra Ferman, o novo material oferece um retrato atualizado de um setor que vem ampliando sua relevância econômica e conquistando novos mercados.
Segundo ela, um dos aspectos mais relevantes identificados no levantamento é o avanço da comercialização da cachaça mineira para outros estados e países.
“Hoje, 54% do faturamento da cachaça mineira já ocorre no mercado interestadual e internacional, demonstrando a expansão da bebida para novos mercados consumidores”, destaca Maíra Ferman.
O crescimento das exportações também chama atenção. Conforme o relatório, a cachaça produzida em Minas vem ampliando sua presença no exterior, fortalecendo o processo de internacionalização do agronegócio mineiro.
Em 2025, os principais destinos internacionais da bebida foram Uruguai, Estados Unidos e Itália, países que concentram parcela significativa das vendas externas do setor.
O desempenho internacional reforça o reconhecimento da cachaça mineira como produto de qualidade e valor agregado, especialmente no segmento artesanal, onde fatores como origem, tradição, envelhecimento e métodos de produção têm ganhado destaque entre consumidores estrangeiros.
Além do impacto econômico direto, a cadeia produtiva também se destaca pela contribuição na arrecadação pública estadual. Segundo os dados divulgados pela secretaria, o setor gerou R$ 56,5 milhões em arrecadação de ICMS ao longo de 2025.
O desempenho evidencia a importância da atividade para a economia mineira, especialmente em um contexto de fortalecimento das cadeias agroindustriais regionais.
Outro indicador apontado pelo estudo é o crescimento na geração de empregos formais ligados à fabricação de aguardente de cana-de-açúcar. O setor mantém trajetória de expansão nos últimos anos, impulsionado tanto pela valorização da produção artesanal quanto pela abertura de novos mercados consumidores.
Em diversas cidades mineiras, a produção de cachaça se tornou uma atividade estratégica para pequenos produtores rurais, cooperativas e agroindústrias familiares, contribuindo para movimentar economias locais e fortalecer tradições históricas ligadas ao campo.
A bebida também ocupa posição importante na identidade cultural de Minas Gerais. Presente em festas populares, roteiros turísticos, festivais gastronômicos e manifestações tradicionais, a cachaça mineira se consolidou como um dos principais símbolos do patrimônio cultural e produtivo do estado.
Além da tradição secular, o setor passou por forte modernização nas últimas décadas, incorporando melhorias em processos produtivos, controle de qualidade, certificações e estratégias de comercialização.
Hoje, Minas Gerais reúne desde pequenos alambiques familiares até marcas reconhecidas nacional e internacionalmente, muitas delas premiadas em concursos especializados no Brasil e no exterior.
O relatório divulgado pela Seapa reforça justamente essa combinação entre tradição e desenvolvimento econômico, apresentando uma visão ampla da cadeia produtiva e seu potencial de crescimento.
Segundo especialistas do setor, a valorização da cachaça artesanal brasileira no mercado internacional tem ampliado oportunidades para produtores mineiros, especialmente diante da crescente busca global por produtos ligados à identidade territorial, sustentabilidade e autenticidade cultural.
A expectativa é que o fortalecimento das exportações, aliado ao crescimento do turismo gastronômico e rural, continue impulsionando a cadeia produtiva nos próximos anos.
Com números expressivos de faturamento, geração de empregos e presença internacional, a cachaça mineira reafirma seu papel como um dos mais importantes patrimônios econômicos e culturais de Minas Gerais, mantendo viva uma tradição que atravessa gerações e leva o sabor mineiro para diferentes partes do mundo.



