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Instituto Galo conecta Atlético-MG a crianças da Guiné-Bissau em ação transformadora - Rede Gazeta de Comunicação

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Instituto Galo conecta Atlético-MG a crianças da Guiné-Bissau em ação transformadora

Em uma demonstração de paixão pelo futebol Atlético Mineiro – divulga vídeo que mostra crianças da periferia de Bissau, capital da Guiné-Bissau, treinando futebol com uniformes alvinegros

O sol forte do início da tarde caía sobre o campo de terra batida localizado no bairro periférico de Bandim, um dos mais populosos e carentes da capital da Guiné-Bissau. A cena, porém, não era de abandono ou desalento. Em meio à poeira levantada pelas pisadas apressadas, cerca de 40 crianças – meninos e meninas entre 7 e 14 anos – vestiam uniformes preto e branco do Clube Atlético Mineiro e participavam de exercícios de aquecimento, passes, dribles e finalizações sob o olhar atento de monitores locais. Atrás do gol improvisado com pneus velhos, uma faixa amarela escrita em português: “Projeto Aletheia – Esporte como ferramenta de transformação.”

O registro audiovisual, divulgado na quarta-feira (20) pelo Instituto Galo em suas redes sociais oficiais e rapidamente compartilhado pelo perfil do Atlético-MG, não demorou a viralizar entre a torcida alvinegra. Em menos de 24 horas, a publicação acumulava mais de 450 curtidas, dezenas de comentários entusiasmados e uma enxurrada de mensagens de apoio, com a hashtag #GaloPeloMundo figurando entre os assuntos mais comentados no segmento esportivo da plataforma X.

Para além da comoção imediata nas redes, porém, o episódio carrega um simbolismo que transcende o universo futebolístico: é o primeiro desdobramento internacional concreto de um instituto que, em apenas cinco anos de existência, já se consolidou como o maior projeto social do futebol brasileiro e da América Latina – com impacto superior a 200 mil pessoas em 2024, por meio de 12 projetos estruturados e 1.186 ações realizadas em Minas Gerais.

Uma viagem de ida e volta: do Morro do Papagaio à África Ocidental

O Instituto Galo foi fundado em 2021, em meio à pandemia de covid-19, por um grupo de dirigentes e ex-dirigentes do Atlético-MG que enxergaram no caos daquele período uma oportunidade de organizar a filantropia que sempre existiu no entorno do clube. “A responsabilidade social é um dos pilares da diretoria do Galo, e o Instituto Galo é o instrumento que coloca em prática esse fundamento”, afirma o material institucional da entidade.

O que começou como uma operação modesta – com algumas campanhas pontuais de arrecadação de alimentos e agasalhos – ganhou corpo e ambição graças a um modelo de gestão inovador no esporte brasileiro: o Instituto é juridicamente independente do Clube Atlético Mineiro, não recebe repasses diretos do orçamento do futebol profissional e se financia por meio de três pilares: leis de incentivo fiscal (em especial as voltadas para a infância e adolescência), doações de pessoas físicas e jurídicas e um percentual do faturamento da Arena MRV, o moderno estádio inaugurado pelo clube em 2024.

A diretoria, atualmente presidida por Maria Alice Coelho, é formada majoritariamente por profissionais com experiência no terceiro setor, e não por políticos ou cartolas do clube – o que confere ao Instituto uma rara autonomia para um braço social de uma agremiação esportiva. O diretor comercial, Henrique Muzzi, resumiu a filosofia da entidade em entrevista recente: “Não pode haver concorrência no terceiro setor. Hoje somos a maior instituição do terceiro setor no esporte brasileiro, referência para outros clubes.”

Entre os projetos mais emblemáticos do Instituto estão a Escola do Futuro, que oferece prática de futebol, acompanhamento psicológico e reforço escolar para cerca de 860 crianças e adolescentes em dez cidades mineiras, incluindo núcleos no Morro do Papagaio, uma das comunidades mais vulneráveis de Belo Horizonte. Há ainda o Galo Pong (tênis de mesa para jovens), aulas de inglês comunitárias, o programa Clube dos Imortais (de valorização de ex-atletas e funcionários idosos) e a campanha Quentinhas do Galo, que distribuiu 26 mil refeições em 2024.

A chegada a Bissau: como tudo começou

A articulação que levou as camisas alvinegras ao continente africano começou discretamente, em meados de 2025, por meio de um contato indireto. O Projeto Aletheia – cujo nome deriva do termo grego para “verdade” ou “revelação” – é uma organização de base comunitária que atua em Bissau desde 2019, promovendo atividades esportivas, reforço escolar e oficinas de cidadania para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. A entidade, mantida por pequenos doadores e pelo trabalho voluntário de educadores locais, não tem fins lucrativos e depende quase integralmente de parcerias pontuais.