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OBRAS QUE TRANSFORMAM | Após aporte de R$ 17 milhões, ESURB amplia tapa-buracos e regulariza salários - Rede Gazeta de Comunicação

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OBRAS QUE TRANSFORMAM | Após aporte de R$ 17 milhões, ESURB amplia tapa-buracos e regulariza salários

ESURB realizou 145 mil metros de tapa-buracos em 2025 e já soma 40 mil em 2026; aporte de R$ 17 milhões quitou dívidas trabalhistas históricas; novo processo seletivo contrata temporariamente pedreiros, pintores e eletricistas

Uma cidade se constrói no visível – asfaltamento, iluminação, meio-fio – mas também no invisível: a recuperação de uma autarquia falida, o pagamento de salários atrasados, a compra de equipamentos de proteção individual. Foi desse lugar duplo que a presidente da Empresa Municipal de Serviços, Obras e Urbanização (ESURB) , Maria Lúcia Pereira Ramos, falou durante entrevista ao Jornal da Terra, na Rádio 90,9 FM, nesta quarta-feira (13/5). O balanço apresentado revela não apenas números, mas uma mudança substantiva na gestão da infraestrutura urbana de Montes Claros.

A malha viária de Montes Claros é antiga – algumas vias têm mais de 40 anos sem recapeamento estrutural. O período chuvoso, tradicionalmente entre outubro e março, transforma pequenas fissuras em crateras perigosas. Para enfrentar esse desafio, a ESURB executou, somente em 2025, mais de 145 mil metros lineares de tapa-buracos. Para se ter ideia da dimensão, essa extensão equivale a quase quatro voltas completas no perímetro urbano da cidade.

De janeiro a abril de 2026, já foram realizados mais de 40 mil metros – uma média de 10 mil metros por mês. A presidente explica a priorização: “Priorizamos inicialmente os principais corredores do transporte coletivo. A Prefeitura visa a segurança dos transeuntes, pedestres e veículos automotores, garantindo a mobilidade urbana.” A estratégia representa uma mudança substantiva em relação a gestões anteriores, quando a pulverização dos recursos muitas vezes não resolvia os gargalos críticos.

Talvez o dado mais relevante – e que não constava da entrevista original de forma detalhada – seja o passivo trabalhista herdado. Quando o atual governo assumiu, a ESURB enfrentava bloqueios judiciais recorrentes em suas contas bancárias, o que impedia a compra de materiais básicos, como asfalto e cimento. Funcionários chegaram a ficar até quatro meses sem receber salários.

O prefeito Guilherme Guimarães autorizou um aporte financeiro extraordinário de R$ 17 milhões para quitar integralmente as dívidas trabalhistas acumuladas ao longo de anos anteriores. O resultado, segundo Lúcia Ramos, foi imediato: “Hoje não temos mais problemas de bloqueio nas contas. Agora os funcionários da ESURB recebem em dia.” A medida também devolveu à autarquia a capacidade de negociar com fornecedores e planejar obras de médio e longo prazo, algo impossível sob o regime de penhora de recursos.

A ESURB opera atualmente com um quadro de aproximadamente 220 colaboradores – entre operários de manutenção, motoristas, eletricistas, engenheiros e administrativos. A presidente enfatiza que são “extremamente capacitados e trabalham por amor à empresa”. Mas a demanda da cidade é crescente, e a autarquia precisa recompor seu efetivo.

Na última segunda-feira (4/5), encerrou-se o prazo para inscrições em um processo seletivo para contratação temporária de profissionais das áreas de pedreiro, pintor, servente de obras e eletricista. Os contratos terão validade de um ano, podendo ser renovados conforme necessidade. “Estamos na fase de apuração para ver a demanda real da empresa”, explicou a presidente. A expectativa é que os primeiros convocados assumam ainda neste semestre, reforçando as equipes de manutenção de praças, iluminação pública e capina.

Apesar dos avanços, a presidente admite gargalos. O principal é a idade da infraestrutura subterrânea – redes de água e esgoto da Copasa, galerias de águas pluviais, dutos de telecomunicações – que frequentemente rompem e obrigam a ESURB a recomeçar o trabalho de recuperação asfáltica. “Não adianta tapar o buraco se a tubulação embaixo está quebrada. Trabalhamos em parceria com a Copasa, mas a logística é complexa”, reconheceu.

Outro desafio é a frota de veículos e máquinas. Muitos caminhões e rolos compactadores estão com mais de 15 anos de uso. A empresa pleiteia, junto ao governo estadual, a doação de equipamentos excedentes do DER-MG. Enquanto isso, a manutenção preventiva tem sido a saída encontrada.