O resultado representa não apenas um avanço quantitativo, mas também uma mudança substantiva no cenário agrícola estadual, impulsionada pela combinação entre condições climáticas favoráveis
Minas Gerais caminha para registrar uma safra histórica de cana-de-açúcar no ciclo 2026/2027, consolidando ainda mais sua posição entre os principais polos sucroenergéticos do país. De acordo com o primeiro levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento, a produção mineira deverá alcançar 82,6 milhões de toneladas, crescimento de 7,1% em relação ao ciclo anterior.
O resultado representa não apenas um avanço quantitativo, mas também uma mudança substantiva no cenário agrícola estadual, impulsionada pela combinação entre condições climáticas favoráveis, recuperação da produtividade das lavouras e fortalecimento da cadeia de biocombustíveis.
Além do aumento da produção, a área cultivada com cana-de-açúcar em Minas Gerais também deve crescer cerca de 2%, indicando expansão da atividade e maior confiança do setor sucroenergético no mercado nacional e internacional.
Clima favorável impulsionou recuperação das lavouras
Segundo especialistas do setor, um dos fatores decisivos para o desempenho recorde foi o comportamento climático ao longo do desenvolvimento da cultura.
A assessora técnica da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Maíra Ferman, explica que a estação seca de 2025 foi menos severa do que nos ciclos anteriores, favorecendo a recuperação das áreas após o corte da cana e preservando melhores níveis de umidade no solo.
“Já a partir de meados de dezembro, as chuvas se regularizaram e permaneceram em níveis adequados ao longo do desenvolvimento vegetativo da cana-de-açúcar, sem registro de veranicos com impacto relevante sobre a produção”, afirmou.
O comportamento climático também alterou o ritmo operacional das usinas sucroenergéticas.
Colheita começou mais tarde em algumas usinas
Em parte das unidades produtoras mineiras, o início da colheita e da moagem precisou ser adiado devido ao excesso de umidade do solo.
Esse cenário prolongou o desenvolvimento vegetativo da cultura e retardou sua maturação, exigindo ajustes logísticos e operacionais por parte das indústrias.
Apesar da expectativa de redução no teor de sacarose da matéria-prima em comparação ao ciclo anterior, o setor projeta maior direcionamento da cana para a fabricação de etanol, impulsionado pelas condições favoráveis do mercado energético e pelos preços internacionais do açúcar.
Produção de etanol deve crescer quase 16%
Um dos dados mais expressivos do levantamento está relacionado ao avanço da produção de etanol em Minas Gerais.
A expectativa é de que o estado produza cerca de 3,1 bilhões de litros de etanol no ciclo 2026/27, crescimento de 15,8% em relação à safra passada.
O aumento acompanha o fortalecimento dos biocombustíveis no Brasil, impulsionado por políticas de transição energética, ampliação da mistura obrigatória de etanol anidro à gasolina e pela busca global por fontes renováveis menos poluentes.
Especialistas apontam que o etanol brasileiro vem ganhando importância estratégica diante das discussões internacionais sobre descarbonização da economia e redução da dependência de combustíveis fósseis.
Produção de açúcar terá leve retração
Enquanto o etanol avança, a produção de açúcar em Minas Gerais deverá apresentar pequena retração.
A previsão da Companhia Nacional de Abastecimento aponta produção de aproximadamente 5,6 milhões de toneladas de açúcar, queda discreta de 0,6% em relação ao ciclo anterior.
Segundo analistas do setor, o movimento ocorre porque muitas usinas têm direcionado maior volume da matéria-prima para a fabricação de combustíveis renováveis, considerados atualmente mais vantajosos em termos econômicos.
Triângulo Mineiro lidera produção estadual
O Triângulo Mineiro permanece como o principal polo produtor de cana-de-açúcar do estado, concentrando grande parte das áreas cultivadas e das unidades industriais sucroenergéticas.
A região possui infraestrutura logística consolidada, alto nível de mecanização agrícola e forte integração entre produtores rurais e usinas.
No entanto, a cadeia produtiva da cana-de-açúcar em Minas Gerais vai além do Triângulo Mineiro. Atualmente, mais de 100 municípios mineiros participam diretamente da atividade sucroenergética, gerando empregos, movimentando o transporte de cargas e fortalecendo economias regionais.
Setor movimenta economia e gera empregos
A cadeia da cana-de-açúcar possui forte impacto econômico em Minas Gerais.
Além da produção de açúcar e etanol, o setor impulsiona atividades ligadas ao transporte, manutenção industrial, fabricação de máquinas agrícolas, comércio de insumos e prestação de serviços especializados.
Especialistas apontam ainda que a atividade sucroenergética tem papel relevante na geração de empregos diretos e indiretos, especialmente em municípios do interior.
Embora o processo de mecanização tenha reduzido parte da mão de obra operacional nas lavouras, as usinas passaram a demandar profissionais qualificados nas áreas de tecnologia, logística, engenharia agrícola e gestão industrial.
Bioeletricidade ganha relevância estratégica
Outro aspecto importante da cadeia sucroenergética mineira é a produção de bioeletricidade.
O bagaço da cana-de-açúcar utilizado nas usinas é transformado em energia elétrica renovável, contribuindo para a matriz energética brasileira.
Esse modelo permite o aproveitamento integral da matéria-prima, reduz desperdícios e amplia a sustentabilidade do setor.
Especialistas destacam que a bioeletricidade produzida a partir da cana ajuda a complementar o sistema elétrico nacional principalmente em períodos de estiagem, quando os reservatórios hidrelétricos operam em níveis mais baixos.
Minas reforça posição estratégica no agronegócio nacional
O desempenho projetado para a safra 2026/27 reforça a importância de Minas Gerais no agronegócio brasileiro.
O estado já ocupa posição de destaque em diversas cadeias produtivas, incluindo café, leite, grãos, pecuária e produção sucroenergética.
A expectativa de safra recorde da cana-de-açúcar confirma o fortalecimento do setor agroindustrial mineiro e evidencia o papel estratégico da agricultura na geração de renda, empregos e energia renovável.
Em meio aos desafios climáticos enfrentados por diferentes regiões do país nos últimos anos, o avanço da produção em Minas Gerais também demonstra a crescente adoção de tecnologias agrícolas, manejo mais eficiente do solo e maior capacidade de adaptação do setor às oscilações ambientais.
Com produção em expansão, investimentos contínuos e demanda crescente por combustíveis renováveis, Minas Gerais consolida sua posição como um dos principais protagonistas da nova economia verde brasileira.



