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Vozinha sofreu goleadas contra Atlético e Cruzeiro em 2013 - Rede Gazeta de Comunicação

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Vozinha sofreu goleadas contra Atlético e Cruzeiro em 2013

Arqueiro cabo-verdiano que brilhou contra a Espanha na Copa já havia visitado Belo Horizonte com o Progresso de Angola e levado 4 a 0 dos dois rivais mineiros

A história do futebol é feita de ironias. E a trajetória do goleiro Vozinha, sensação da Copa do Mundo de 2026, é um exemplo perfeito disso. Após se tornar herói nacional ao segurar o empate por 0 a 0 contra a Espanha na estreia do Mundial, o arqueiro cabo-verdiano viu seu nome estampar manchetes e viralizar nas redes sociais. Mas o que poucos sabem é que, anos antes de encarar os gigantes europeus, ele já havia conhecido o gosto amargo de levar gols em terras mineiras.

Em 2013, Vozinha defendia o Progresso, clube de Angola, e participou de uma excursão pelo Brasil que incluiu dois amistosos em Belo Horizonte. O roteiro, que poderia ser um sonho para qualquer jogador africano, transformou-se em um pesadelo esportivo. O goleiro, que hoje acumula mais de 10 milhões de seguidores e é tratado como ídolo em Cabo Verde, viu sua meta ser violada oito vezes em duas partidas, sem conseguir esboçar reação.

A primeira parada foi contra o Atlético, no dia 2 de fevereiro daquele ano. O Galo, que na época já se preparava para a campanha histórica que culminaria com o título inédito da Copa Libertadores, não tomou conhecimento do time angolano. Alecsandro abriu o placar, Luan brilhou com dois gols e Carlos César completou a goleada por 4 a 0. Ronaldinho Gaúcho, então principal estrela do elenco alvinegro, sequer entrou em campo, poupado para compromissos mais importantes. Apesar do resultado desfavorável, a visita rendeu um momento de descontração para os jogadores do Progresso: eles aproveitaram para tirar fotos com Gilberto Silva, pentacampeão mundial pela Seleção Brasileira e na época volante do Atlético. O registro, guardado como uma lembrança afetiva, contrasta com o placar elástico sofrido em campo.

Dias depois, o cenário se repetiu, mas com um adversário diferente. O Progresso cruzou o muro da cidade e enfrentou o Cruzeiro, que também vivia um ano especial. Sob o comando de Marcelo Oliveira, a Raposa construía a base do time que, meses depois, encerraria um jejum de dez anos sem títulos nacionais e levantaria o Campeonato Brasileiro. E, mais uma vez, Vozinha foi vazado quatro vezes. Luan, que também havia marcado contra o Atlético, repetiu a dose com dois gols. Everton Ribeiro e Anselmo Ramon completaram a goleada, selando o 4 a 0 que igualava o placar do clássico rival.

O que parecia um simples roteiro de pré-temporada para o Progresso ganhou contornos históricos mais de uma década depois. Vozinha, que à época era um nome desconhecido do grande público, transformou-se no protagonista de uma das maiores zebras do futebol mundial. Contra a Espanha, dona de um elenco repleto de estrelas e apontada como uma das favoritas ao título, o goleiro de 39 anos fez defesas milagrosas, distribuiu autoridade na área e saiu de campo ovacionado. O 0 a 0 conquistado diante dos espanhóis foi celebrado como uma vitória em Cabo Verde, e o nome do arqueiro viralizou instantaneamente.

Curiosamente, enquanto o Atlético e o Cruzeiro de 2013 escreviam páginas douradas em suas respectivas histórias — o Galo com a Libertadores e a Raposa com o Brasileirão —, o goleiro que seria goleado por ambos os clubes mineiros seguia um caminho de perseverança que, anos mais tarde, o levaria ao palco mais brilhante do futebol mundial. O revés em Belo Horizonte, visto hoje com olhos mais generosos, foi apenas um capítulo de aprendizado em uma carreira que parecia improvável, mas que encontrou na maturidade seu momento de glória.

A ironia, no entanto, não termina aí. Enquanto Vozinha se consagra como um dos destaques da Copa, as imagens de 2013, com ele vestindo as cores do Progresso e sofrendo os gols de Luan, Alecsandro e companhia, ressurgem nas redes sociais como uma curiosidade que alimenta a narrativa de superação. O goleiro, que hoje fecha o gol como poucos, já foi aberto. Mas, como bem diz o ditado, o importante não é como você começa, e sim como você termina. E Vozinha, aos 39 anos, prova que o fim da estrada pode ser muito mais brilhante do que o início.