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VOLTA POR CIMA | Douglas Santos brilha em amistoso - Rede Gazeta de Comunicação

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VOLTA POR CIMA | Douglas Santos brilha em amistoso

Lateral de 32 anos, ex-Atlético, foi titular contra o Egito nos EUA e agora briga por vaga na Copa do Mundo, uma década após deixar o Brasil rumo ao anonimato no futebol europeu

Pois é, o futebol às vezes guarda roteiros que nem os mais otimistas roteiristas de Hollywood ousariam escrever. Na noite do último sábado (6), no Cleveland Browns Stadium, em Ohio, o lateral-esquerdo Douglas Santos, de 32 anos, vestiu novamente a camisa da Seleção Brasileira como titular no amistoso contra o Egito — dez anos depois de ter deixado o Atlético Mineiro e, de certa forma, desaparecido do radar do torcedor brasileiro.

Contra todas as previsões, o jogador que muitos já davam como “eternamente esquecido” na fria Rússia foi um dos destaques da vitória brasileira por 2 a 0, com atuação segura na defesa e boas subidas ao ataque. O técnico Carlo Ancelotti, conhecido por resgatar caras conhecidas em vez de apostar em modismos, confirmou a escalação do lateral na véspera e não se arrependeu.

A trajetória de Douglas Santos até esse reencontro com a amarelinha é digna de um documentário. Revelado nas categorias de base do Náutico, desembarcou em Belo Horizonte em 2013 como uma promessa crua. No Galo, porém, floresceu rapidamente: conquistou a Recopa Sul-Americana e a Copa do Brasil em 2014, além do Campeonato Mineiro, encantando a Massa com sua técnica apurada e cruzamentos milimétricos. Entre 2014 e 2015, chegou a ser especulado em grandes clubes europeus, mas a saída só se concretizou em meados de 2016, quando foi negociado com o Hamburgo, da Alemanha, por cerca de 2,5 milhões de euros.

A passagem pela Bundesliga, no entanto, foi amarga. Douglas oscilou entre reserva e titular, sofreu lesões curtas e viu o Hamburgo ser rebaixado em 2018. Foi nesse momento que a imprensa brasileira praticamente enterrou qualquer chance de ele voltar à Seleção. O destino seguinte, o Zenit, da Rússia, soou como um adeus definitivo aos holofotes.

Mas foi justamente em São Petersburgo que Douglas renasceu. Ao longo de sete temporadas, tornou-se capitão, conquistou quatro Campeonatos Russos (2019, 2020, 2021 e 2025), três Copas da Rússia e duas Supercopas. A consistência tática e a liderança dentro de campo chamaram a atenção de Ancelotti, que precisava de uma opção experiente para a lateral esquerda após as lesões de Guilherme Arana e a oscilação de Renan Lodi.

No amistoso contra o Egito, Douglas atuou ao lado de Marquinhos, Éder Militão e Danilo, formando uma linha defensiva que pouco sofreu diante de Mohamed Salah e companhia. O jogo, transmitido ao vivo pela TV Globo e sportv, terminou com gols de Rodrygo e Vinicius Jr. — ambos construídos em jogadas pelas pontas, com participação indireta do lateral. A atuação segura rendeu elogios dos comentaristas, que destacaram a “maturidade impressionante” do jogador.

Após a partida, Douglas concedeu entrevista emocionada. “Voltar vestir essa camisa depois de tanto tempo é indescritível. Muita gente achou que eu tinha acabado, mas eu nunca deixei de acreditar. O futebol russo me deu estrutura, disciplina e vitórias. Hoço, quero mostrar ao Ancelotti que posso ser útil na Copa”, declarou, com a voz embargada.

Agora, a expectativa é saber se o lateral de 32 anos será chamado para o Mundial. A concorrência inclui nomes como Caio Henrique (Mônaco), Abner Vinícius (Betis) e o retorno de Arana, mas a atuação sólida contra os egípcios certamente pesou a favor de Douglas. Para um jogador que deixou o Brasil há uma década praticamente como desconhecido, essa ressurreição tardia pode ser o capítulo mais bonito de sua história.