Operação no bairro Vila Brasilina encontrou 180 microtubos de cocaína, crack, maconha e três balanças de precisão
Uma denúncia anônima sobre intenso movimento de usuários de drogas nas imediações de um bar no bairro Vila Brasilina levou a Polícia Militar de Minas Gerais, por meio da 11ª Região da Polícia Militar (11ª RPM), a deflagrar uma operação na noite dessa quarta-feira (20) que resultou na apreensão de grande quantidade de substâncias análogas a entorpecentes, além de equipamentos e materiais típicos do tráfico. A ação ocorreu na rua São Luís, em pleno coração do bairro, e expôs a estrutura de um ponto de venda de drogas que funcionava a céu aberto, com apoio logístico de uma residência usada como depósito e ponto de distribuição.
De acordo com o boletim de ocorrência, os militares receberam informações detalhadas de que um homem, ainda não identificado oficialmente, estaria comandando um comércio ilegal de entorpecentes nas proximidades de um bar conhecido na região. O modus operandi, segundo a denúncia, seguia um padrão já observado em outras cidades do Norte de Minas: usuários frequentavam o estabelecimento comercial e, logo em seguida, dirigiam-se à residência do suspeito — situada a poucos metros dali — para adquirir drogas como cocaína, crack e maconha. A proximidade entre o bar e o ponto de tráfico facilitava a logística criminosa e dificultava a ação imediata das autoridades.
Ao receber a denúncia, as equipes da 11ª RPM iniciaram uma fase de monitoramento discreto do imóvel. Durante o serviço de inteligência em campo, os policiais confirmaram a veracidade das informações ao observar intensa movimentação de pessoas entrando e saindo da residência em curtos intervalos de tempo, muitas deles em atitude suspeita e com características compatíveis com as de usuários habituais de drogas. O fluxo incessante, inclusive em horário noturno, chamou a atenção e motivou a necessidade de uma ação tática imediata.
Com o reforço da equipe do Tático Móvel — unidade especializada no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas em pequenos e médios municípios mineiros — os policiais planejaram uma aproximação controlada ao endereço. O objetivo era realizar a abordagem ao suspeito, identificá-lo formalmente e, em seguida, cumprir buscas no interior da residência com base na fundada suspeita de atividade criminosa. Contudo, ao perceber a presença das viaturas e dos agentes se aproximando, o homem reagiu de forma rápida e violenta contra a ordem de parada: ele correu em direção aos fundos do lote e pulou o muro lateral da residência, desaparecendo em meio a vielas e terrenos baldios da vizinhança.
Imediatamente, os policiais montaram um cerco na região e realizaram diligencias por ruas adjacentes, mas o suspeito não foi localizado. Apesar da frustração parcial com a fuga, os militares prosseguiram com a operação e ingressaram no imóvel, agora sob a justificativa legal de evitar a destruição de provas e localizar materiais ilícitos que pudessem estar armazenados no local.
Dentro da casa, o que os agentes encontraram foi uma verdadeiro centro de distribuição de entorpecentes, ainda que improvisado. Em cômodos diferentes, espalhados por armários, gavetas e sobre móveis, foram apreendidos: 180 microtubos plásticos contendo uma substância branca com características físicas e químicas compatíveis com a cocaína; uma pedra bruta da mesma substância ainda não fracionada; três porções já embaladas de material semelhante ao crack; e um pequeno tablete de erva escura, prensada, com aparência e odor similares ao da maconha.
Além das drogas, os policiais encontraram três balanças de precisão de modelo digital — instrumento indispensável para a pesagem e o fracionamento exato dos entorpecentes destinados à venda. Também foram recolhidos diversos materiais utilizados para embalar as substâncias: sacos plásticos pequenos, fitas adesivas, tesouras e recipientes hermeticamente fechados. No meio do material, foi localizada ainda a quantia de R$ 30,00 em espécie, possivelmente resultado da venda de pequenas porções realizadas momentos antes da chegada da polícia.
Durante a varredura minuciosa no imóvel, os agentes encontraram um aparelho celular abandonado sobre um dos colchões, que teria sido deixado para trás pelo suspeito durante a fuga precipitada. Ao examinar o dispositivo, os militares verificaram que ele estava completamente desbloqueado — sem qualquer senha ou trava de segurança ativada. A tela inicial exibia, como papel de parede, uma fotografia nítida do próprio suspeito em pose descontraída, o que, segundo os policiais, reforça de forma contundente a ligação direta entre o indivíduo foragido, o imóvel e todo o material ilícito apreendido no local.
Todo o material — drogas, balanças, embalagens, celular e dinheiro — foi devidamente recolhido, registrado em boletim de ocorrência e encaminhado à Delegacia de Polícia Civil de Januária para os procedimentos legais cabíveis. A Polícia Civil dará continuidade às investigações, com o objetivo de identificar o suspeito por meio das imagens do celular e de possíveis impressões digitais deixadas no imóvel, além de apurar a existência de eventuais comparsas e a origem das drogas apreendidas, que podem estar ligadas a rotas do tráfico que conectam o Norte de Minas Gerais a outros estados da federação.



