Levantamento da Conab aponta comercialização de 16,6 milhões de toneladas nas Centrais de Abastecimento do país; exportações de frutas cresceram quase 20% e alcançaram faturamento recorde de US$ 1,56 bilhão
O mercado brasileiro de frutas, legumes e hortaliças manteve sua relevância estratégica para a economia nacional em 2025. Mesmo enfrentando desafios climáticos que afetaram parte da produção agrícola, o setor hortigranjeiro movimentou 16,6 milhões de toneladas de alimentos, gerando um volume financeiro de R$ 68,7 bilhões nas principais Centrais de Abastecimento (Ceasas) do país.
Os números foram divulgados nesta terça-feira (28) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por meio do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), levantamento que acompanha o desempenho das principais centrais atacadistas brasileiras e serve como referência para produtores, comerciantes, distribuidores e formuladores de políticas públicas.
A pesquisa analisou o comportamento das comercializações realizadas em 54 Centrais de Abastecimento, avaliando tanto os volumes negociados quanto os valores financeiros movimentados pelos diversos segmentos de frutas e hortaliças.
Os resultados reforçam a importância do setor para o abastecimento alimentar do país e demonstram que, mesmo diante das oscilações provocadas pelas mudanças climáticas, o mercado permanece resiliente e capaz de sustentar elevados níveis de comercialização.
Ceasas movimentam bilhões de reais
Entre as unidades que mais comercializaram hortigranjeiros durante o ano de 2025, a liderança permaneceu com a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), localizada na capital paulista.
Sozinha, a central movimentou aproximadamente 2,99 milhões de toneladas, gerando um faturamento de R$ 13,9 bilhões, consolidando-se como o maior entreposto atacadista da América Latina.
Na sequência aparecem:
Mercado do Produtor de Juazeiro (BA), com cerca de 1,62 milhão de toneladas e movimentação financeira de R$ 6,11 bilhões;
CeasaMinas, em Contagem, responsável por 1,499 milhão de toneladas e aproximadamente R$ 6 bilhões em negócios;
Ceasa do Rio de Janeiro, que comercializou 1,497 milhão de toneladas, também movimentando cerca de R$ 6,11 bilhões.
Esses quatro grandes entrepostos concentram parcela significativa da distribuição nacional de alimentos frescos, funcionando como elo entre produtores rurais, atacadistas, varejistas e consumidores.
Mercado mostra estabilidade mesmo diante das adversidades
Apesar da expressiva movimentação financeira, a pesquisa identificou uma pequena redução no volume físico comercializado.
Em comparação com 2024, houve queda de 0,82% na quantidade total de hortigranjeiros negociados nas Ceasas pesquisadas.
Segundo a Conab, esse comportamento reflete principalmente os impactos das condições climáticas adversas observadas ao longo dos últimos anos, que afetaram a produtividade em diversas regiões produtoras.
Além disso, o levantamento destaca que os preços mais elevados registrados em 2024 influenciaram diretamente a dinâmica de comercialização em 2025.
Mesmo assim, o setor demonstrou capacidade de adaptação, mantendo elevado nível de abastecimento e garantindo oferta contínua de alimentos à população brasileira.
Sudeste concentra mais da metade das vendas
O levantamento mostra que a Região Sudeste continua sendo o principal polo nacional de comercialização de hortigranjeiros.
Os estados da região responderam por aproximadamente 52% do volume comercializado e por 54% do valor financeiro movimentado em todo o país durante 2025.
A concentração reflete tanto a elevada produção agrícola quanto a presença das maiores Ceasas brasileiras, responsáveis pela distribuição de alimentos para diversos estados.
Hortaliças sofrem impacto do clima
Entre as 26 Centrais de Abastecimento monitoradas pelo Sistema de Informações do Mercado Atacadista de Hortigranjeiros (Simab), apenas seis registraram crescimento na movimentação de hortaliças.
Os maiores avanços ocorreram em:
Rio Branco (AC), com crescimento de 44,9%;
Belo Horizonte (MG), com aumento de 4,4%;
Foz do Iguaçu (PR), com expansão de 4,2%.
Mesmo com esses desempenhos positivos, o volume nacional de hortaliças apresentou retração de 2,8%.
Segundo a Conab, fatores como irregularidade das chuvas, altas temperaturas e eventos climáticos extremos influenciaram diretamente a produção em várias regiões do país.
Mercado de frutas mantém resiliência
O segmento de frutas apresentou comportamento semelhante.
Onze Ceasas registraram aumento na quantidade comercializada, destacando-se:
Rio Branco (AC), com crescimento de 24,11%;
Goiânia (GO), que avançou 21,04%.
No cenário nacional, entretanto, houve redução de 1,52% na quantidade negociada.
Para os técnicos da Conab, o desempenho demonstra a capacidade de adaptação da fruticultura brasileira diante das oscilações climáticas.
A análise ressalta que variações de temperatura e alterações no regime de chuvas influenciaram diretamente a oferta de diversas culturas ao longo do ano.
Exportações batem recorde
Se o mercado interno apresentou estabilidade, o comércio exterior registrou um dos melhores desempenhos dos últimos anos.
O Brasil exportou aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de frutas em 2025, crescimento de 19,7% em relação ao ano anterior.
O faturamento também apresentou forte expansão.
Entre janeiro e dezembro, as exportações renderam US$ 1,56 bilhão, resultado 29% superior ao registrado em 2024.
O desempenho confirma o fortalecimento da fruticultura brasileira no mercado internacional, impulsionado principalmente pela crescente demanda por frutas tropicais.
Manga, melão e melancia lideram vendas externas
Grande parte do crescimento das exportações foi impulsionada por cinco produtos:
manga;
melão;
melancia;
limão;
lima.
Juntos, esses produtos responderam por mais de 73,5% de todo o volume exportado pelo Brasil.
A União Europeia permaneceu como o principal destino das frutas brasileiras, consolidando-se como o maior mercado consumidor dos produtos nacionais.
A qualidade, diversidade e competitividade da produção brasileira têm ampliado a presença do país no comércio internacional, especialmente em mercados que valorizam frutas frescas produzidas em regiões tropicais.
Cadeia estratégica para a economia
Além do abastecimento da população, o setor hortigranjeiro possui papel relevante na geração de emprego e renda em todas as regiões brasileiras.
A cadeia envolve milhares de produtores rurais, cooperativas, transportadores, atacadistas, supermercados, feiras livres e pequenos comerciantes, movimentando diariamente a economia nacional.
Para a Conab, o levantamento confirma que, mesmo diante das dificuldades impostas pelo clima e pelas oscilações de mercado, o setor mantém sua importância estratégica para a segurança alimentar, o desenvolvimento do agronegócio e a expansão das exportações brasileiras.
Os dados também reforçam a necessidade de investimentos contínuos em infraestrutura logística, armazenagem, tecnologia agrícola e gestão hídrica, fatores considerados fundamentais para aumentar a produtividade, reduzir perdas e fortalecer ainda mais a competitividade do Brasil no mercado nacional e internacional de frutas e hortaliças.



