Estimativa do INCA aponta 78.610 novos casos por ano entre 2026 e 2028; diagnóstico precoce amplia possibilidades de tratamento e paciente de 33 anos relata descoberta do tumor e início da quimioterapia
O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Desconsiderados os tumores de pele não melanoma, a doença é o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres brasileiras.
Durante o Outubro Rosa, a atenção se volta para a prevenção, o acompanhamento médico e, principalmente, para a identificação precoce de alterações nas mamas. O diagnóstico em fases iniciais pode ampliar as possibilidades de tratamento e reduzir a gravidade da doença.
O mastologista Omar Filogonio Macedo, médico credenciado da Aurora Saúde, destaca a importância da mamografia no rastreamento. Segundo ele, o exame pode identificar alterações antes mesmo do surgimento de sinais clínicos.
“A mamografia é o principal exame para rastreamento e permite identificar alterações antes mesmo do aparecimento de sinais clínicos. Quando descobrimos a doença em fases iniciais, as possibilidades de tratamento são maiores”, afirma.
Além do acompanhamento por exames, a recomendação é que as mulheres conheçam o próprio corpo e procurem avaliação profissional diante de mudanças persistentes. Entre os sinais que precisam ser investigados estão nódulos nas mamas ou axilas, retrações, alterações na pele e secreção espontânea, especialmente quando sanguinolenta, pelo mamilo.
Rastreamento varia conforme a idade
A indicação da mamografia não é igual para todas as mulheres e deve levar em consideração idade, histórico familiar, fatores de risco e avaliação individual.
De acordo com as orientações atuais do Ministério da Saúde, o rastreamento populacional é recomendado a cada dois anos para mulheres entre 50 e 74 anos. Fora dessa faixa etária, a realização do exame deve ser discutida com um profissional de saúde, considerando os riscos, benefícios e características de cada paciente.
O mastologista chama atenção também para a ocorrência da doença entre mulheres mais jovens. “Cerca de 25% das incidências têm ocorrido entre 40 e 49 anos. Em consequência, as mulheres desta faixa etária, após avaliação médica, podem realizar a mamografia de rastreamento também”, afirma.
O câncer de mama é considerado uma doença multifatorial. Entre os fatores associados ao aumento do risco estão o avanço da idade, excesso de peso, sedentarismo e consumo de bebidas alcoólicas. Por isso, o cuidado não deve ficar restrito ao mês de outubro.
A campanha Outubro Rosa funciona como um período de maior mobilização e conscientização, mas o acompanhamento da saúde das mamas deve fazer parte dos cuidados ao longo de todo o ano.
Um caroço percebido aos 33 anos
A história da motorista Juliana Rodrigues da Silva mostra que o câncer de mama também pode ser descoberto em mulheres jovens. Aos 33 anos, mãe de uma menina de pouco mais de 1 ano, ela percebeu uma alteração na própria mama e decidiu procurar um mastologista.
Durante a consulta, Juliana realizou um ultrassom. Diante da necessidade de uma investigação mais detalhada, retornou dois dias depois para fazer uma biópsia. O diagnóstico de câncer de mama foi confirmado em 25 de abril.
Em aproximadamente 15 dias, ela realizou praticamente todos os exames necessários para iniciar o tratamento. Desde então, foram seis sessões de quimioterapia, já concluídas. A cirurgia está prevista para novembro.
Para Juliana, manter parte da rotina e contar com uma rede de apoio foram importantes para enfrentar o período de tratamento, inclusive durante o acompanhamento pelo plano de saúde.
“Não é uma coisa que a gente deseja para ninguém, mas não precisa haver sofrimento. Hoje, existem recursos e eles estão à disposição. É seguir com o tratamento e acreditar que vai dar certo”, afirma.
O caso reforça a importância de não ignorar alterações nas mamas, independentemente da idade. Embora o rastreamento populacional tenha faixas etárias definidas, a presença de sinais ou sintomas deve ser avaliada por um profissional de saúde.


