Descrição da imagem
EDITORIAL | SILVANA MAMELUQUE:  Entre memórias, cultura e viagens - Rede Gazeta de Comunicação

PUBLICIDADE

EDITORIAL | SILVANA MAMELUQUE:  Entre memórias, cultura e viagens

Paula Pereira

Jornalista | Programadora Visual | Analista de Marketing

Sua trajetória começa às margens do Rio São Francisco, em Pirapora, onde nasceu e viveu os primeiros anos cercada pelo rio, pela cultura, pelo artesanato, pela música e pelas manifestações populares que fazem daquela região um pedaço tão singular do Norte de Minas. Foi ali, ainda menina, que começou a construir um olhar curioso para o mundo e uma disposição especial para participar da vida comunitária.

Aos 16 anos, a vida levou Silvana Mameluque para Montes Claros. A mudança, provocada pela transferência profissional do pai, poderia ter sido apenas mais uma página na história de uma adolescente. Mas Montes Claros acabou se tornando sua casa, seu território afetivo e o lugar onde ela fincou raízes.

Entre Pirapora e Montes Claros, entre as lembranças do São Francisco e os caminhos da cidade que a acolheu, nasceu uma trajetória feita de movimento.

Silvana quis conhecer o mundo. E foi conhecê-lo.

Formou-se em Turismo, viveu cerca de duas décadas em Belo Horizonte, trabalhou na área em que se preparou e acumulou experiências que ampliaram sua visão sobre pessoas, culturas e lugares. Depois, retornou a Montes Claros e ingressou no serviço público municipal, onde sua história profissional se entrelaçou definitivamente com o turismo, a cultura, os eventos e a comunicação.

E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores riquezas de sua caminhada: Silvana nunca se limitou a uma profissão. Ela fez do trabalho uma maneira de se relacionar com as pessoas e de participar da construção da cidade.

Ao longo dos anos, tornou-se também fotógrafa. Primeiro, a fotógrafa da família. Depois, uma observadora atenta dos acontecimentos de Montes Claros.

Desde 2011, seus registros fotográficos formam um acervo que ultrapassa o simples prazer de fotografar. São imagens de pessoas, eventos, encontros, manifestações culturais e momentos que, muitas vezes, poderiam se perder no tempo.

Silvana registra porque sabe que a memória é frágil.

Uma festa termina. Um evento acaba. As pessoas envelhecem, os lugares mudam, as circunstâncias desaparecem. Mas uma fotografia permanece.

E é nesse gesto aparentemente simples de apertar o botão da câmera que Silvana vem construindo, há anos, uma espécie de memória afetiva e documental de Montes Claros.

Talvez por isso o reconhecimento que recebeu ao longo da caminhada tenha um significado tão especial. Fazer parte de instituições ligadas à cultura e à memória, como o Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros, além de integrar conselhos e espaços de participação social, não representa para ela apenas uma homenagem.

Representa pertencimento.

E essa talvez seja uma das palavras que melhor definem sua relação com Montes Claros.

Silvana não nasceu aqui. Mas escolheu amar esta cidade.

Foi acolhida quando chegou adolescente, construiu amizades, desenvolveu sua carreira, criou vínculos e acompanhou de perto as transformações de uma Montes Claros que deixou de ser a cidade em crescimento de décadas atrás para se transformar em uma das principais referências do Norte de Minas.

Sua história também é feita de estrada.

Quem conversa com Silvana logo percebe que viajar, para ela, nunca foi apenas deslocar-se de um lugar para outro. É conhecer. É aprender. É experimentar. É colecionar histórias.

Europa, Portugal, Grécia, Estados Unidos, Caribe, América do Sul. Motorhome, avião, navio, cruzeiro. Cada viagem acrescentou uma nova camada à sua maneira de enxergar o mundo.

E há uma frase sua que resume uma filosofia inteira de vida:

“Eu não vou levar nada dessa terra, então vou levar o que eu vivi.”

Talvez seja essa a grande lição de Silvana.

Viver.

Viver com intensidade. Trabalhar enquanto houver vontade. Viajar enquanto houver curiosidade. Fotografar enquanto houver histórias. Encontrar pessoas. Cultivar amizades. Cuidar da família. Conhecer lugares. Aprender.

Aos quase 70 anos, depois de aproximadamente cinco décadas de trabalho, Silvana não demonstra vontade de parar. E não é difícil compreender por quê.

Ela não trabalha apenas para cumprir uma obrigação. Trabalha porque ainda encontra sentido naquilo que faz.

Sua aposentadoria, como ela mesma explica, só deverá chegar quando o corpo pedir, quando a família precisar de sua presença ou quando acabar a paixão pelo trabalho.

Enquanto isso não acontece, ela segue.

Segue trabalhando, fotografando, viajando, participando, encontrando pessoas e registrando momentos.

Segue também sendo mãe, avó, irmã, amiga e aquela pessoa que sabe que uma fotografia pode ser muito mais do que uma imagem: pode ser um pedaço de tempo guardado para sempre.

Há uma delicadeza especial na história de Silvana porque ela não parece ter buscado protagonismo. O reconhecimento veio como consequência de uma vida dedicada a fazer, participar e contribuir.

Ela própria admite que já teve receio de dar entrevistas porque não imaginava que sua trajetória pudesse despertar interesse.

Mas histórias como a dela precisam ser contadas.

Porque uma cidade não é feita apenas de prédios, avenidas, números e acontecimentos oficiais. Uma cidade também é feita pelas pessoas que ajudam a construir sua identidade.

Silvana é uma dessas pessoas.

É parte da memória de Montes Claros. É uma ponte entre cultura, turismo, fotografia, comunicação e convivência. É alguém que aprendeu a olhar para o mundo sem esquecer suas raízes.

Nasceu às margens do São Francisco, mas encontrou em Montes Claros um lugar para chamar de seu.

Conheceu o mundo, mas nunca perdeu o vínculo com sua terra.

Fotografou centenas de pessoas, mas também deixou que a vida fotografasse sua própria trajetória.

E talvez seja justamente por isso que sua história mereça ser contada com carinho.

Porque, no fim das contas, quando a gente olha para uma vida como a de Silvana Mameluque, percebe que o verdadeiro patrimônio de uma cidade não está somente naquilo que ela constrói.

Está também nas pessoas que, silenciosamente, dedicam parte de sua existência para preservar aquilo que não pode ser reconstruído: o tempo, as lembranças e as histórias de quem veio antes e de quem ainda virá.

Silvana escolheu guardar o mundo em fotografias, viagens e memórias.

E, sem perceber, também foi deixando sua própria fotografia na história de Montes Claros.