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Semana da Luta Antimanicomial reforça defesa da inclusão e dos direitos das pessoas em sofrimento psíquico - Rede Gazeta de Comunicação

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Semana da Luta Antimanicomial reforça defesa da inclusão e dos direitos das pessoas em sofrimento psíquico

Programação promoveu debates, oficinas e palestras sobre saúde mental, acolhimento humanizado e fortalecimento da rede de atenção psicossocial

Com reflexões voltadas à dignidade humana, inclusão social e valorização do cuidado em liberdade, a Prefeitura de Montes Claros promoveu, entre os dias 18 e 20 de maio, a Semana da Luta Antimanicomial, mobilização que reforçou a importância da construção de políticas públicas humanizadas para pessoas em sofrimento psíquico.

Coordenada pela Secretaria Municipal de Saúde, por meio da Coordenação de Saúde Mental, a programação deste ano trouxe como tema “Somos diferentes, somos muitos, mas todos cabem no mundo”, destacando a necessidade de combater o preconceito, a exclusão e os tratamentos desumanos historicamente associados aos antigos hospitais psiquiátricos.

A iniciativa também buscou fortalecer o debate sobre os direitos das pessoas com transtornos mentais, enfatizando práticas de acolhimento, autonomia, convivência social e cuidado humanizado dentro da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

A luta antimanicomial surgiu no Brasil como movimento social e político em defesa da transformação do modelo de assistência em saúde mental, combatendo o isolamento compulsório e defendendo a substituição dos manicômios por serviços comunitários, terapêuticos e integrados à sociedade.

Em Montes Claros, a programação reuniu profissionais da saúde, gestores públicos, estudantes, usuários da rede de saúde mental e representantes de instituições parceiras em diferentes atividades ao longo da semana.

A abertura oficial aconteceu na segunda-feira, 18 de maio, data em que é celebrado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. O evento foi realizado no auditório do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Área Mineira da Sudene, com palestras, mesas-redondas e debates sobre políticas públicas de saúde mental e os desafios enfrentados na promoção do cuidado em liberdade.

Especialistas destacaram a importância do fortalecimento da rede pública de atenção psicossocial, da ampliação do acesso aos serviços especializados e da superação de práticas excludentes que marcaram historicamente o tratamento psiquiátrico no país.

Na terça-feira (19), a programação teve continuidade no Centro de Educação Profissional e Tecnológica da Universidade Estadual de Montes Claros, onde foram promovidas oficinas temáticas voltadas ao fortalecimento das redes de proteção e acolhimento.

As atividades reuniram profissionais de saúde, estudantes e trabalhadores da assistência social em discussões sobre estratégias de cuidado, escuta qualificada, fortalecimento de vínculos e construção de práticas interdisciplinares no atendimento às pessoas em sofrimento psíquico.

Já na quarta-feira (20), a sede da Secretaria Municipal de Saúde recebeu palestra ministrada pelo especialista em saúde mental Ricardo Otávio Maia Gusmão, que abordou os desafios contemporâneos da assistência psicossocial e a importância da humanização no atendimento aos usuários do SUS.

Ao longo da semana, as atividades também buscaram conscientizar a população sobre a necessidade de combater o estigma ainda associado aos transtornos mentais e às pessoas que utilizam os serviços de saúde mental

Para a assistente social e coordenadora municipal de Saúde Mental da Prefeitura de Montes Claros, Raimara Gonçalves Pereira, a Semana da Luta Antimanicomial representou um momento importante de valorização da saúde mental e fortalecimento das ações desenvolvidas no município

“Durante o mês de maio, o CAPS promoveu uma série de ações, encontros e oficinas com o objetivo de fortalecer os laços entre os usuários e enfatizar a importância do cuidado, da liberdade e da construção de uma sociedade mais inclusiva e humana”, afirmou.

Segundo Raimara, as ações desenvolvidas pela Rede de Atenção Psicossocial buscam garantir atendimento humanizado, fortalecimento da autonomia dos usuários e integração social das pessoas em sofrimento psíquico.

A coordenadora também destacou que o trabalho desenvolvido no município está alinhado às diretrizes da reforma psiquiátrica brasileira, que defende a substituição do modelo hospitalocêntrico por uma rede territorializada de cuidado em saúde mental.

Nos últimos anos, a política de saúde mental no Brasil passou a priorizar o atendimento comunitário, realizado por equipes multiprofissionais em Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), unidades básicas de saúde, residências terapêuticas e outros serviços integrados ao SUS.

Especialistas reforçam que o cuidado em liberdade é considerado fundamental para preservar vínculos familiares, sociais e comunitários, contribuindo para o processo terapêutico e para a recuperação da cidadania das pessoas atendidas.

Além das discussões técnicas, a Semana da Luta Antimanicomial em Montes Claros também teve caráter educativo e de mobilização social, promovendo reflexões sobre respeito às diferenças, convivência coletiva e garantia dos direitos humanos.

A programação reafirmou o compromisso do município com políticas públicas voltadas à inclusão, ao acolhimento e ao fortalecimento de práticas humanizadas de saúde mental, colocando o cuidado e a dignidade das pessoas no centro das ações desenvolvidas pela rede municipal de saúde.