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Regulamentação técnica impulsiona Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí e abre mercado nacional para produtores mineiros - Rede Gazeta de Comunicação

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Regulamentação técnica impulsiona Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí e abre mercado nacional para produtores mineiros

O tradicional Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí, símbolo da cultura e da produção rural do Leste de Minas Gerais, alcança um novo patamar de reconhecimento e oportunidades com a oficialização do Regulamento Técnico de Identidade e Qualidade (RTIQ). O anúncio, realizado pelo Governo de Minas por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG), representa um avanço histórico para cerca de 200 produtores da região, que agora passam a ter respaldo legal para comercializar o produto em todo o território nacional.

A regulamentação, assinada no município de São Pedro do Suaçuí, estabelece padrões que garantem a padronização do processo produtivo, a segurança sanitária e a valorização das características tradicionais do queijo. Com isso, o produto passa a atender às exigências legais necessárias para sua circulação formal no mercado, desde que os produtores obtenham certificações como o Serviço de Inspeção Federal (SIF), o Selo Arte ou o registro no Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisbi).

Mais do que uma formalidade, o RTIQ representa uma transformação estrutural para a cadeia produtiva local. Durante décadas, os produtores enfrentaram limitações para expandir seus negócios, restritos, muitas vezes, ao comércio informal ou regional. Agora, com a regulamentação, abre-se um novo horizonte de crescimento econômico, fortalecimento da identidade regional e inserção em mercados mais amplos e competitivos.

Conhecido por muitos como o “parmesão mineiro”, o queijo do Vale do Suaçuí possui características únicas que o diferenciam de outras variedades artesanais do estado. Sua produção inclui uma etapa de cozimento da massa a temperaturas que podem chegar a 45°C, resultando em uma textura semidura e sabor marcante, ideal para conservação e transporte. Essa particularidade contribuiu para a disseminação da produção na região desde a década de 1980, quando técnicas foram introduzidas por profissionais vindos de outras regiões produtoras.

Atualmente, a cadeia produtiva do queijo envolve 66 agroindústrias, com predominância da agricultura familiar, e uma produção anual que ultrapassa 678 toneladas. A regulamentação tende a fortalecer ainda mais esse segmento, promovendo não apenas ganhos econômicos, mas também impactos sociais significativos, como a geração de renda, a fixação do homem no campo e a valorização do saber tradicional.

O processo de reconhecimento do queijo foi resultado de um esforço conjunto entre diferentes instituições públicas. A Emater-MG foi responsável pela caracterização da região e pela identificação dos métodos tradicionais de produção. Já a Epamig conduziu pesquisas técnicas e análises laboratoriais que contribuíram para a definição dos parâmetros de qualidade. O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), por sua vez, elaborou o regulamento que estabelece os critérios de identidade, produção e inspeção do produto.

Para os produtores, a medida é motivo de celebração e expectativa. Muitos veem na regulamentação a chance de transformar uma atividade tradicional em um negócio sustentável e competitivo. É o caso de famílias que mantêm a produção há gerações e que agora vislumbram a possibilidade de expandir seus mercados, investir em rotulagem, branding e conquistar novos consumidores em diferentes regiões do país.

Além do impacto direto na economia rural, o reconhecimento do Queijo Artesanal do Vale do Suaçuí também fortalece o turismo gastronômico e cultural da região.