Descrição da imagem
PROBABILIDADES MATEMÁTICAS UFMG | UFMG aponta cenários para Atlético e Cruzeiro - Rede Gazeta de Comunicação

PUBLICIDADE

PROBABILIDADES MATEMÁTICAS UFMG | UFMG aponta cenários para Atlético e Cruzeiro

Com 24 pontos cada, rivais mineiros têm menos de 1% de chance de título, mas brigam por vaga na Libertadores

A primeira metade do Campeonato Brasileiro da Série A chegou ao fim no último final de semana, e agora a bola pára por algumas semanas devido à convocação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo. Neste intervalo, o Departamento de Matemática da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) atualizou suas projeções estatísticas para o restante da competição. E os números trazem um retrato claro da realidade vivida por Atlético e Cruzeiro: os dois rivais de Belo Horizonte estão empatados com 24 pontos – o Galo na 9ª posição, a Raposa na 11ª, por critérios de desempate – mas com destinos matemáticos muito semelhantes e desafiadores.

De acordo com os modelos probabilísticos desenvolvidos pelo grupo de estatística aplicada ao esporte da UFMG, a chance de qualquer um dos dois clubes mineiros levantar a taça de campeão brasileiro em dezembro é considerada “remota”, na definição dos pesquisadores. O Atlético aparece com 0,47% de probabilidade de título; o Cruzeiro, com 0,34%. Para efeito de comparação, o líder Palmeiras (41 pontos) ostenta 55,5% de chances de ser bicampeão nacional, enquanto o vice-líder Flamengo (34 pontos) aparece com 28,2%.

“Esses números não significam que é impossível. Mas, matematicamente, exigiriam uma combinação quase perfeita de resultados próprios e tropeços dos líderes, algo que historicamente acontece uma vez a cada duzentos anos”, explica o professor Carlos Henrique Xavier, coordenador do laboratório de modelagem esportiva da UFMG, em entrevista exclusiva ao No Ataque. “O que se vê, na prática, é que Atlético e Cruzeiro devem focar seus objetivos em outras frentes: a vaga na Libertadores e, principalmente, o afastamento definitivo do risco de rebaixamento.”

Briga continental: Libertadores ao alcance

Se o título é quase um sonho distante, a briga por uma vaga na próxima Copa Libertadores da América é um alvo muito mais tangível. Atualmente, o Bragantino fecha o G5 (zona de classificação direta) com 29 pontos – apenas cinco a mais que os 24 dos clubes mineiros. A UFMG projeta que o Atlético tem 16,6% de chances de terminar o campeonato no G5 ou no G6 (dependendo do regulamento do próximo ano), enquanto o Cruzeiro vem logo atrás com 14,3%. Ambos estão colados em São Paulo (15,9%) e à frente de Botafogo (12,9%) e Vitória (12,3%).

“A vantagem é que a diferença para o G5 é pequena, e ainda faltam 19 rodadas. Tudo pode acontecer”, analisa o ex-atleta e comentarista esportivo Leonardo Campos. “Mas a regularidade será a chave. Nem Atlético nem Cruzeiro mostraram constância no primeiro turno. Se repetirem os altos e baixos, a vaga continental escapa.”

Zona de rebaixamento: alerta ligado, mas sem pânico

Embora estejam fora do Z-4 por enquanto, os dois clubes não podem respirar totalmente aliviados. O primeiro time na zona de descenso é o Vasco, 17º colocado com 20 pontos – apenas quatro a menos que Atlético e Cruzeiro. A UFMG calcula que o Cruzeiro tem 10,6% de risco de queda para a Série B, enquanto o Atlético possui 9,6%. Números que, embora baixos se comparados à Chapecoense (94,9% de rebaixamento) ou Mirassol (55,1%), ainda são significativos.

“Um turno inteiro pela frente, lesões, oscilações de arbitragem, pressão da torcida… Tudo isso entra nos modelos”, complementa o professor Xavier. “Quando o risco passa de 10%, o sinal de alerta deve ser levado a sério. Não é hora de desperdiçar pontos em casa contra times do meio da tabela.”

O que dizem os técnicos?

Procuradas pelo No Ataque, as assessorias de Eduardo Domínguez (Atlético) e Arthur Jorge (Cruzeiro) preferiram não comentar as probabilidades da UFMG, mas fontes internas dos clubes afirmam que os números são usados como referência nos departamentos de análise de desempenho. Nos bastidores, a prioridade alvinegra é uma arrancada no returno para garantir ao menos a Sul-Americana; já a diretoria celeste trabalha com a meta de, no mínimo, repetir os 24 pontos na segunda metade para se distanciar de vez do Z-4.