Docentes entregam documento ao governador durante visita a Montes Claros e reforçam reivindicação prevista em acordo firmado após greve de 2016
A diretoria da Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Montes Claros (Adunimontes) voltou a defender uma das principais pautas históricas da categoria: a incorporação das gratificações ao salário-base dos professores da Unimontes e da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg). O pleito foi apresentado diretamente ao governador de Minas Gerais, Mateus Simões, durante sua passagem por Montes Claros, no fim de junho, quando a cidade sediou simbolicamente as atividades da capital mineira.
Na ocasião, representantes da entidade entregaram ao governador um documento detalhando a reivindicação e os impactos da atual estrutura remuneratória sobre a carreira docente. A expectativa da categoria é de que o Governo de Minas avance nas negociações e apresente uma solução para uma demanda que se arrasta há cerca de uma década.
Segundo a Adunimontes, a incorporação das gratificações representa uma medida essencial para fortalecer a carreira dos professores das universidades estaduais e corrigir distorções que afetam diretamente a remuneração dos servidores.
Reivindicação histórica
De acordo com o presidente da Adunimontes, Wesley Helker Felício Silva, o encontro com o governador representa mais um passo nas tratativas para solucionar um impasse que, segundo a entidade, permanece sem resposta definitiva há dez anos.
O dirigente sindical explicou que a pauta integra as articulações permanentes da associação e que, paralelamente ao diálogo com o Executivo estadual, a categoria também busca o apoio dos deputados estaduais, especialmente daqueles que representam o Norte de Minas.
A estratégia, segundo ele, é ampliar a mobilização política para sensibilizar o governo quanto à necessidade de alterar a estrutura salarial dos docentes.
Compromisso firmado após greve
A incorporação das gratificações conhecidas como “pó de giz” e GDPES está prevista no acordo judicial que encerrou a greve dos professores das universidades estaduais em 2016.
O compromisso firmado entre representantes da categoria e o Governo de Minas foi homologado pela Justiça em 2018.
Entretanto, conforme a Adunimontes, a cláusula referente à incorporação das gratificações ainda não foi efetivada, situação que continua sendo alvo de reivindicações por parte dos docentes.
Para a entidade, o cumprimento integral do acordo é fundamental para garantir maior segurança financeira aos professores e valorizar a carreira universitária.
Impactos na remuneração
Segundo Wesley Helker Felício Silva, o atual modelo salarial gera prejuízos aos professores sempre que ocorre afastamento por motivo de saúde ou para participação em cursos de capacitação e qualificação profissional.
Como parte da remuneração depende das gratificações, esses valores deixam de ser recebidos em determinadas situações, reduzindo significativamente os vencimentos.
“A incorporação das gratificações ao vencimento básico evita que os professores tenham de trabalhar mesmo doentes, muitas vezes enfrentando enfermidades graves, por receio de perder parte importante da renda familiar”, afirmou o presidente da Adunimontes.
Ele acrescenta que o mesmo problema atinge docentes que se afastam temporariamente para realizar cursos de pós-graduação, especialização, mestrado ou doutorado
“Na prática, os professores acabam sendo penalizados por buscar qualificação profissional ou por necessitarem cuidar da própria saúde”, destacou.
Preocupação com a permanência de docentes
Outro ponto levantado pela entidade diz respeito à dificuldade de retenção de professores efetivos.
Segundo a Adunimontes, desde a realização do último concurso público, a universidade tem registrado perda contínua de docentes, motivada, entre outros fatores, pela estrutura remuneratória considerada pouco atrativa.
A associação avalia que a valorização salarial é um dos principais instrumentos para manter profissionais qualificados na instituição e assegurar a continuidade das atividades de ensino, pesquisa e extensão.
Para a diretoria da entidade, fortalecer a carreira docente significa também fortalecer a própria universidade pública e sua capacidade de formar profissionais e produzir conhecimento voltado ao desenvolvimento regional.
Defesa da universidade pública
Ao final do encontro com o governador, a Adunimontes reafirmou que continuará dialogando com o Governo de Minas, com parlamentares e demais representantes da sociedade em busca de uma solução para a pauta.
Segundo a entidade, a incorporação das gratificações é uma medida que beneficia não apenas os professores, mas contribui para a valorização da universidade pública, para a estabilidade da carreira docente e para a melhoria da qualidade do ensino superior oferecido à população mineira.
Até o momento, não houve manifestação pública do Governo de Minas sobre o pedido apresentado pela Adunimontes durante a reunião realizada em Montes Claros.



