Webinário da FNP reuniu experiências municipais e debateu soluções para enfrentar chuvas intensas e outros eventos climáticos extremos
A drenagem urbana e a preparação das cidades para os efeitos das mudanças climáticas estiveram no centro de um debate promovido pela Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP). Realizado na quinta-feira, 10 de setembro, o webinário “Drenagem urbana e resiliência municipal: gestão das águas pluviais frente às mudanças climáticas” reuniu representantes de municípios e instituições para discutir alternativas de prevenção e resposta aos eventos climáticos extremos.
O encontro foi promovido pela Comissão de Adaptação, Mitigação e Prevenção de Desastres (CAMP), da FNP, e apresentou experiências de cidades que já adotam medidas voltadas à melhoria da drenagem e ao fortalecimento da resiliência hídrica.
A discussão destacou a necessidade de uma atuação integrada entre municípios, governo federal e organizações parceiras. A proposta é ampliar a capacidade das cidades de planejar intervenções, reduzir riscos e enfrentar situações provocadas por chuvas intensas e outros fenômenos associados às mudanças climáticas.
Durante o encontro, a Prefeitura de Montes Claros ressaltou a importância do intercâmbio de experiências entre os municípios. A administração municipal também defendeu a necessidade de rever os modelos de drenagem utilizados no país, considerando problemas históricos de planejamento urbano e as características específicas de cada região brasileira.
O tema ganhou ainda mais relevância diante do aumento dos desafios relacionados aos eventos climáticos extremos. Representantes da Prefeitura de Maringá destacaram que o problema tem dimensão nacional e afeta especialmente municípios localizados em áreas sujeitas a chuvas intensas, com fenômenos climáticos como o El Niño entre os fatores que podem influenciar os padrões de precipitação.
Durante o webinário, Silvano Silvério da Costa, da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), apresentou um diagnóstico sobre o déficit de infraestrutura de drenagem existente no Brasil. A apresentação também abordou as possibilidades de utilização do Marco Legal do Saneamento Básico para contribuir com o enfrentamento dos problemas relacionados à drenagem urbana.
A deficiência de infraestrutura é um dos principais desafios para os municípios diante de eventos de chuva mais intensos. Sistemas de drenagem insuficientes ou inadequados podem aumentar os riscos de alagamentos, enxurradas e outros impactos, especialmente em áreas urbanas que passaram por crescimento sem planejamento adequado.
Nesse cenário, o planejamento preventivo aparece como uma das estratégias para reduzir os prejuízos provocados pelos eventos extremos. A discussão entre os municípios busca justamente ampliar o conhecimento técnico e compartilhar experiências que possam ser adaptadas às diferentes realidades locais.
A série de webinários faz parte das ações desenvolvidas pela FNP para preparar os municípios para os efeitos previstos do El Niño nos próximos anos e fortalecer a capacidade de adaptação climática das cidades. A programação deverá continuar até dezembro de 2026, com informações e conteúdos disponibilizados pelos canais oficiais da entidade.
Além dos webinários, a FNP mantém ações de articulação institucional e capacitação técnica voltadas à gestão de riscos e à adaptação às mudanças climáticas. Entre as iniciativas estão cursos gratuitos e atividades destinadas ao compartilhamento de boas práticas entre gestores municipais.
A agenda da entidade está estruturada em quatro frentes principais: realização de encontros técnicos e políticos; fortalecimento da discussão legislativa no Congresso Nacional; diálogo permanente com o governo federal para defender medidas preventivas nos municípios; e ampliação do apoio federal para ações de preparação e enfrentamento dos impactos climáticos.
Para os municípios, o debate sobre drenagem urbana ultrapassa a execução de obras pontuais. A preparação para períodos de chuvas intensas envolve planejamento territorial, infraestrutura, gestão de riscos, monitoramento e capacidade de resposta. A troca de experiências entre cidades busca contribuir para que essas ações sejam planejadas antes da ocorrência dos desastres.
O encontro reforçou, assim, a necessidade de tratar a adaptação climática como uma agenda permanente das administrações municipais, combinando investimentos em infraestrutura, planejamento urbano e prevenção para reduzir a vulnerabilidade das cidades diante de um cenário de eventos climáticos cada vez mais desafiadores.


