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Hub Farma mobiliza setor produtivo para transformar Minas em referência da inovação farmacêutica - Rede Gazeta de Comunicação

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Hub Farma mobiliza setor produtivo para transformar Minas em referência da inovação farmacêutica

Projeto reúne indústria, universidades, centros de pesquisa e poder público para impulsionar o desenvolvimento tecnológico, atrair investimentos e fortalecer a soberania nacional na produção de medicamentos

Representantes da indústria farmacêutica, instituições de pesquisa, universidades e lideranças empresariais deram nesta terça-feira (16) um importante passo para a construção de uma nova agenda de desenvolvimento tecnológico para o país. Reunidos na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), em Belo Horizonte, os participantes iniciaram as discussões para a implantação do Hub Farma, iniciativa que pretende integrar conhecimento científico, capacidade produtiva e investimentos para fortalecer a inovação farmacêutica brasileira.

O encontro marcou o início de um movimento estratégico que busca posicionar Minas Gerais como protagonista nacional na pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos, reduzindo a dependência do Brasil de insumos e tecnologias importadas e ampliando a competitividade da indústria farmacêutica no cenário global.

A proposta do Hub Farma surge em um momento considerado decisivo para o setor. Apesar de possuir uma das maiores estruturas de saúde da América Latina e um mercado farmacêutico em constante expansão, o Brasil ainda depende fortemente da importação de insumos farmacêuticos ativos, especialmente de países como China e Índia.

Durante a abertura dos trabalhos, o presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Farmacêuticos e Químicos para Fins Industriais do Estado de Minas Gerais (Sindusfarq), Carlos Mário de Moraes, destacou a necessidade de o país investir em conhecimento, tecnologia e produção nacional para garantir maior autonomia ao setor.

Segundo ele, o fortalecimento da indústria farmacêutica brasileira passa necessariamente pelo desenvolvimento de competências próprias, capazes de gerar inovação, ampliar a competitividade internacional e criar um ambiente mais seguro para o abastecimento do mercado interno.

“O Brasil precisa avançar na produção de conhecimento e tecnologia para reduzir sua dependência externa e consolidar uma indústria farmacêutica forte, inovadora e preparada para competir globalmente”, ressaltou.

Minas Gerais reúne condições para liderar nova fase

A avaliação dos participantes é de que Minas Gerais reúne um conjunto de características que o colocam em posição privilegiada para liderar esse processo de transformação.

O diretor do Sindusfarq, Renato Alves da Silva, destacou que o estado já ocupa a terceira colocação entre os maiores polos farmacêuticos do país e possui uma combinação estratégica de universidades, centros de pesquisa, parques tecnológicos e indústrias capazes de impulsionar a inovação.

“Temos uma base industrial sólida, instituições de ensino e pesquisa reconhecidas nacionalmente e um ecossistema preparado para transformar conhecimento em soluções concretas para a sociedade”, afirmou.

Ele ressaltou ainda que a inovação farmacêutica representa uma das áreas com maior potencial de geração de riqueza, empregos qualificados e desenvolvimento econômico em escala global.

Como exemplo, citou o impacto da indústria farmacêutica na economia da Dinamarca, impulsionada por empresas inovadoras que transformaram pesquisa científica em crescimento econômico e protagonismo internacional. O executivo lembrou também que Minas Gerais já abriga operações estratégicas do setor, incluindo empreendimentos instalados no Norte de Minas, região que vem consolidando sua vocação industrial.

Integração para acelerar resultados

Um dos principais diferenciais do Hub Farma será a articulação entre diferentes atores do ecossistema de inovação. A proposta não prevê a criação de uma nova estrutura física isolada, mas sim a conexão de competências já existentes para potencializar resultados.

De acordo com o coordenador do Sindusfarq, Jomar Rodrigues, Minas Gerais já possui uma rede robusta de instituições de pesquisa, universidades e empresas inovadoras. O desafio agora é promover maior integração entre esses agentes para acelerar a transformação do conhecimento científico em produtos, medicamentos e tecnologias capazes de beneficiar a população.

“A ideia é conectar iniciativas já existentes e criar um ambiente colaborativo que favoreça a inovação, a transferência de tecnologia e o desenvolvimento de soluções para os desafios da saúde”, explicou.

Para Rodrigues, o Brasil alcançou maturidade científica suficiente para iniciar uma nova etapa de desenvolvimento farmacêutico, com maior protagonismo nacional na criação de tecnologias estratégicas para o setor.

Novo ciclo de crescimento para a indústria

O presidente da FIEMG Regional Norte, Adauto Marques, avaliou que o país vive um momento semelhante ao período que antecedeu a implantação da Lei dos Genéricos, em 1999, considerada um marco para a democratização do acesso aos medicamentos e para o fortalecimento da indústria farmacêutica nacional.

Segundo ele, o desafio atual é promover uma nova revolução baseada na ciência, na inovação e no desenvolvimento tecnológico.

“A Lei dos Genéricos transformou a indústria farmacêutica brasileira e ampliou o acesso da população aos medicamentos. Agora temos a oportunidade de dar um novo salto, fortalecendo a inovação e aumentando a competitividade do setor”, afirmou.

Adauto Marques também destacou a importância de Montes Claros e do Norte de Minas dentro dessa estratégia, ressaltando a força industrial da região e sua contribuição para o desenvolvimento do setor farmacêutico mineiro.

Investimentos, empregos e soberania tecnológica

Além de estimular a criação de novos medicamentos e tecnologias, o Hub Farma pretende ampliar a atração de investimentos, incentivar a instalação de empresas inovadoras, fortalecer a geração de empregos qualificados e aumentar a capacidade nacional de pesquisa e desenvolvimento.

A expectativa é que as discussões iniciadas em Belo Horizonte resultem, nos próximos meses, na elaboração de diretrizes capazes de orientar a implementação do programa e consolidar uma política de longo prazo para a inovação farmacêutica.

Para os participantes, o projeto representa uma oportunidade estratégica de posicionar Minas Gerais e o Brasil entre os principais polos de inovação farmacêutica da América Latina, fortalecendo a soberania tecnológica nacional e contribuindo para um sistema de saúde mais moderno, eficiente e preparado para os desafios do futuro.