O enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) tem ganhado reforço em Minas Gerais com investimentos significativos em pesquisa, inovação e atendimento à população. O Governo do Estado já destinou mais de R$ 5,4 milhões ao Centro Multiusuário de DCNT da Universidade do Estado de Minas Gerais, instalado no campus de Divinópolis, consolidando a instituição como referência regional na produção científica e no cuidado especializado.
Os recursos são viabilizados por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais, vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), e têm sido fundamentais para estruturar laboratórios, adquirir equipamentos de ponta e garantir bolsas de pesquisa, além de ampliar a capacidade de atendimento à população.
O Centro atua em duas frentes principais: a produção de conhecimento científico sobre doenças crônicas e a oferta de acompanhamento clínico e orientação à comunidade. Entre as condições atendidas estão diabetes, hipertensão arterial e obesidade — doenças que representam um dos maiores desafios para os sistemas de saúde no Brasil e no mundo.
De acordo com especialistas, as DCNT são responsáveis pela maior parte das mortes e incapacidades, envolvendo cinco grandes grupos: doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas, câncer, diabetes e condições mentais e neurológicas. Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre 2006 e 2024, houve aumento de 31% nos casos de hipertensão e crescimento de 118% na obesidade entre adultos brasileiros, o que reforça a urgência de políticas públicas voltadas à prevenção.
Nesse contexto, uma das principais pesquisas em andamento no Centro Multiusuário da Uemg tem como foco a obesidade e suas causas multifatoriais. O estudo, que conta com investimento de R$ 1,6 milhão da Fapemig, busca identificar como fatores genéticos, ambientais e comportamentais influenciam o desenvolvimento de doenças metabólicas.
A pesquisa é coordenada pela especialista em fisiologia do exercício e saúde, Camila Brandão, que destaca a complexidade do problema. Segundo ela, a obesidade não pode ser atribuída a um único fator, mas sim a uma combinação de aspectos genéticos, alimentação inadequada, sedentarismo e até fatores relacionados ao sono e ao uso de medicamentos.
Os participantes do estudo passam por avaliações completas, que incluem análises clínicas, exames físicos, investigação epigenética e acompanhamento da qualidade do sono. O objetivo é traçar perfis detalhados que permitam desenvolver estratégias mais eficazes de prevenção e tratamento.
“A ideia é entender melhor essa população e, a partir disso, propor intervenções mais específicas, que possam melhorar a qualidade de vida e reduzir os riscos associados às doenças crônicas”, explica a pesquisadora.
Além do impacto científico, o projeto também tem transformado a vida de quem participa. A empresária Michele Gonçalves, voluntária nas pesquisas, relata mudanças significativas após o acompanhamento multidisciplinar. “Passei a entender que o exercício físico não era uma opção, mas uma necessidade. Hoje tenho mais qualidade de vida”, afirma.
Criado em 2024, o Centro Multiusuário de DCNT é formado por seis laboratórios que atuam de maneira integrada e interdisciplinar, abordando desde genética e metabolismo até atividade física e psicologia do sono. A estrutura foi viabilizada a partir de uma chamada pública da Fapemig, que destinou R$ 3,8 milhões para a implantação do projeto.
Para o presidente da Fapemig, Carlos Arruda, o investimento em pesquisa é estratégico para o desenvolvimento do estado. “Os estudos desenvolvidos cumprem um papel essencial. Ao financiar equipamentos, bolsas e projetos, garantimos a continuidade de um trabalho que traz benefícios diretos para a população”, destaca.
Na mesma linha, a superintendente de Pesquisa e Tecnologia da Sede-MG, Ana Carolina Lima Ferreira, ressalta que iniciativas como essa vão além da saúde. “Esses investimentos impulsionam a produção científica, estimulam o empreendedorismo de base tecnológica e contribuem para a formação de profissionais qualificados”, afirma.
Outro ponto enfatizado pelos pesquisadores é o impacto econômico da prevenção. Segundo Camila Brandão, investir no diagnóstico precoce e na promoção de hábitos saudáveis pode reduzir significativamente os custos do sistema de saúde no longo prazo. “O tratamento de doenças crônicas é caro e contínuo. Quando conseguimos atuar na prevenção, reduzimos gastos públicos e melhoramos a qualidade de vida da população”, pontua.
Com a consolidação do Centro como referência regional, a expectativa é ampliar ainda mais o alcance das pesquisas e dos atendimentos, beneficiando um número crescente de pessoas. A iniciativa reforça o papel da ciência como aliada na construção de políticas públicas mais eficientes e sustentáveis.
Ao investir em conhecimento, tecnologia e cuidado, o Governo de Minas aposta em uma estratégia que une inovação e impacto social, enfrentando de forma estruturada um dos maiores desafios da saúde contemporânea: a prevenção e o controle das doenças crônicas não transmissíveis.



