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EDITORIAL | O joelho de Neymar e as mãos de Delfim - Rede Gazeta de Comunicação

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EDITORIAL | O joelho de Neymar e as mãos de Delfim

Paula Pereira

Jornalista | Programadora Visual | Analista de Marketing

O Galo precisava de dois gols, entregou quatro, buscou o empate no agregado e encontrou um goleiro para transformar pênalti em pesadelo santista.

O Atlético entrou em campo precisando de uma reação. Do outro lado estava o Santos, carregando a vantagem construída no primeiro jogo e, de quebra, uma frase de Neymar que havia atravessado a semana como quem joga gasolina em churrasqueira: “um joelho meu é melhor do que o time inteiro de vocês”.

Pois é.

O futebol, essa entidade que não respeita roteiro, resolveu responder.

Não com discurso. Não com entrevista. Não com postagem.

Com quatro gols.

O primeiro veio praticamente antes de a torcida terminar de se ajeitar na cadeira. Bernard marcou aos 17 segundos e avisou que aquela não seria uma noite para cardíaco. Reinier apareceu duas vezes, o Galo fez 3 a 1 e, por alguns minutos, a conta parecia caminhar para uma classificação sem sofrimento.

Mas, naturalmente, estamos falando do Atlético.

Sofrimento é quase patrimônio imaterial.

O Santos diminuiu, o placar ficou 3 a 2 e o relógio começou a andar mais rápido do que deveria. Até que Cuello apareceu aos 46 minutos do segundo tempo para fazer o quarto gol e mandar a decisão para os pênaltis.

Aí entrou em cena Gabriel Delfim.

E aqui talvez esteja a melhor ironia da noite: enquanto a internet discutia joelho, o Galo encontrou mãos.

Três.

Três defesas de pênaltis.

O goleiro virou o personagem principal de uma classificação que parecia perdida quando a bola rolou em Santos. O Atlético venceu a disputa por 3 a 1 e carimbou a passagem para a semifinal da Sul-Americana.

A matemática também resolveu colaborar com a resenha. O Santos tinha vencido por 2 a 0 na Vila Belmiro. O Galo precisava devolver o placar para levar a decisão aos pênaltis ou vencer por três gols para avançar diretamente.

Devolveu.

E ainda deu troco.

Futebol também tem memória

O mais divertido dessas histórias é que o futebol não precisa de jornalista para guardar memória. A internet faz esse trabalho.

Depois do jogo, os torcedores atleticanos foram buscar a frase de Neymar, recuperar publicações, memes e provocações. O “joelho” virou material de arquibancada. E, como sempre acontece quando uma provocação volta pela porta dos fundos, a criatividade da torcida fez o restante.

É preciso reconhecer: o futebol brasileiro seria bem menos divertido se as redes sociais não transformassem essas pequenas frases em combustível para a resenha.

Mas existe uma diferença importante.

A provocação pode render meme.

A classificação fica na tabela.

E, nesta quarta-feira, quem escreveu a história foi o Atlético.

Delfim, o dono da noite

No meio de toda a brincadeira, há um personagem que merece mais do que meme: Gabriel Delfim.

O goleiro não precisou responder a Neymar. Não precisou publicar nada. Não precisou explicar absolutamente coisa alguma.

Defendeu três pênaltis.

É o tipo de resposta que goleiro gosta de dar.

Delfim saiu de uma noite de pressão para uma noite de consagração. Quando a bola foi colocada na marca da cal, ele parecia ter combinado com a torcida que ninguém iria embora cedo.

E não foi.

A Arena MRV virou uma espécie de laboratório de emoções: grito, silêncio, esperança, desespero, comemoração e, finalmente, aquela sensação atleticana tão conhecida de que, se poderia ter sido simples, naturalmente não seria.

E o Galo segue

O Atlético está na semifinal da Sul-Americana. Também segue vivo na Copa do Brasil. E a temporada, que já parecia cheia de capítulos, ganhou mais um.

Não foi uma vitória burocrática.

Foi uma vitória com quatro gols, virada emocional, pênaltis, três defesas de goleiro e uma boa dose daquela velha capacidade atleticana de transformar uma partida de futebol em teste de resistência cardiovascular.

Quanto ao joelho?

Bem…

Naquela noite, ele ficou de fora.

As mãos de Delfim estavam dentro.

E talvez seja essa a graça do futebol: você pode até entrar em campo com uma frase pronta, mas nunca sabe quem vai sair de campo com a última palavra.

Desta vez, ela foi do Galo.