Michely aposta em franquia de café e amplia atuação no Norte de Minas
Montes-clarense de coração, empresária construiu trajetória nas áreas comercial, bancária, imobiliária e de gestão e agora investe na expansão de uma marca de café especial
Andre Neves, Cristina e Michely
Michely Cristine Borges de Moura, 49 anos, nasceu em Ipatinga, mas chegou a Montes Claros aos cinco anos e considera a cidade sua terra. Formada em Administração pela Unimontes, com MBA e especializações, construiu uma carreira marcada pela atuação comercial, gestão e relacionamento com clientes. Passou pelos setores financeiro, imobiliário, farmacêutico, vendas diretas e energia solar. Agora, transforma essa experiência em um novo desafio: o empreendedorismo à frente de uma franquia do Café Caramello, com atuação em Montes Claros, Pirapora e planos de expansão pelo Norte de Minas.
PAULA PEREIRA – Como você começou sua história?
MICHELY – Nasci em Ipatinga, mas vim para Montes Claros aos cinco anos. Toda minha trajetória pessoal e estudantil foi construída aqui. Estudei no Marista e no Indyu e depois fiz Administração na Unimontes. Sempre fui muito ativa e gostava de resolver as coisas. Com 14 ou 15 anos já queria trabalhar e comecei com vendas diretas. Durante a faculdade, também trabalhei com meu pai na equipe de vendas.
PAULA – Como foi sua trajetória profissional?
MICHELY – No último ano da faculdade entrei na financeira do Unibanco, trabalhando com financiamento de veículos. Depois fui para a Itaucred. Também atuei por cerca de três anos no mercado imobiliário. Mais tarde, fui aprovada para trabalhar como gerente de área na Avon Brasil, onde permaneci aproximadamente oito anos, cuidando de uma região com cerca de 20 cidades e distritos.
Foi uma escola muito importante. Eu precisava motivar, acompanhar e orientar centenas de revendedoras. Depois passei pelo segmento farmacêutico, na área de trade marketing, e posteriormente trabalhei com energia solar. Todas essas experiências me ensinaram muito sobre vendas, gestão e, principalmente, relacionamento.
PAULA – O que você levou dessas experiências para o empreendedorismo?
MICHELY – Aprendi a entender pessoas. Não basta ter um bom produto; é preciso saber para quem você está vendendo, identificar necessidades e construir confiança. Também aprendi que resultado é consequência do trabalho. Você planta e depois colhe.
PAULA – Quando decidiu empreender?
MICHELY – Eu sempre tive vontade, mas passei muitos anos trabalhando para outras empresas. Quando saí do mercado corporativo, pensei inicialmente em descansar, mas ficar parada não é uma característica minha. Comecei a pesquisar possibilidades de negócio e conheci o Café Caramello pela internet.
Pesquisei a marca, a fábrica, os produtos e o modelo de negócio. Primeiro adquiri a franquia on-line e comecei a trabalhar com vendas pela internet. Em aproximadamente 30 dias, já estava em primeiro lugar nas vendas on-line da marca no Brasil. A partir desse resultado, a empresa me apresentou a possibilidade de trabalhar também com uma franquia física.
PAULA – Como funciona seu trabalho atualmente?
MICHELY – Estou envolvida em todo o processo: negociação com a fábrica, financeiro, estoque, vendas, divulgação, logística, tráfego digital e delivery. O modelo permite trabalhar com pronta-entrega, eventos, degustações, parcerias e vendas on-line. Minha experiência comercial e a rede de contatos que construí ao longo dos anos também ajudam muito.
PAULA – O que diferencia o Café Caramello?
MICHELY – É um creme de café premium, bastante versátil. Pode ser consumido quente ou gelado e também utilizado em receitas, sobremesas, iogurtes, sorvetes e bolos. Os produtos são sem lactose, sem glúten, sem conservantes e sem sódio. Temos linhas tradicional, Black e Fit, incluindo opções zero açúcar e funcionais.
O café utilizado é 100% brasileiro, com blends de arábica e conilon. A marca também possui expansão internacional, com presença em mercados como Estados Unidos, Portugal e Dubai.
PAULA – Existe um público específico para cada produto?
MICHELY – Com certeza. Aprendi no mercado comercial que não podemos tentar vender tudo para todo mundo. Temos opções para quem gosta de café mais doce, sabores diferentes, maior intensidade ou prefere uma alternativa sem açúcar. A segmentação é muito importante.
PAULA – Quais são os planos para o Norte de Minas?
MICHELY – Queremos consolidar a operação em Montes Claros e Pirapora e, depois, avançar para outras cidades. Como adquirimos o domínio de área em todo o Norte de Minas, existe um potencial grande de expansão. Também quero trabalhar com eventos, empresas, cafeterias, parceiros e delivery.
Não acredito em crescer simplesmente por crescer. É preciso estruturar o negócio, entender o mercado e avançar de forma planejada.
PAULA – O que significa começar uma nova fase profissional aos 49 anos?
MICHELY – É um desafio, mas também muito prazeroso. Empreender exige coragem, estudo, planejamento e trabalho. Não existe negócio sem risco, mas existem riscos que podem ser administrados.
Hoje percebo que nada da minha trajetória foi perdido. Tudo o que vivi no mercado financeiro, nas vendas, no trade marketing, na gestão e no relacionamento com clientes está sendo utilizado no meu próprio negócio.
PAULA – O que você espera construir com o Café Caramello?
MICHELY – Quero construir uma marca forte na região e fazer com que as pessoas conheçam o produto e descubram suas possibilidades. Quero estar presente em Montes Claros, Pirapora e, gradativamente, em outras cidades do Norte de Minas.
Não tenho pressa de fazer tudo de uma vez. Quero crescer de maneira estruturada, sustentável e com a minha identidade profissional.
PAULA – E qual mensagem você deixa para quem ainda não conhece o produto?
MICHELY – Eu diria para experimentar. O café está muito presente na vida do brasileiro, mas podemos descobrir novas formas de consumi-lo. O mais interessante é justamente essa possibilidade de experimentar sabores e combinações diferentes.
Para mim, empreender com o Café Caramello também é compartilhar uma experiência que descobri e pela qual me apaixonei.


