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Comissão da ALMG visita Parque Estadual do Biribiri e debate concessão à iniciativa privada com moradores de Diamantina - Rede Gazeta de Comunicação

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Comissão da ALMG visita Parque Estadual do Biribiri e debate concessão à iniciativa privada com moradores de Diamantina

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais, por meio da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, realizará nesta sexta-feira (27) uma visita técnica ao Parque Estadual do Biribiri, com o objetivo de ouvir a população local sobre a proposta de concessão da unidade de conservação à iniciativa privada. A agenda acontece a partir das 10 horas, com ponto de encontro na portaria do parque.

A iniciativa foi solicitada pela deputada Beatriz Cerqueira, que defende maior participação popular nas decisões que impactam diretamente a comunidade de Diamantina e o patrimônio ambiental da região. Segundo a parlamentar, o processo de consulta pública conduzido até o momento não garantiu a escuta efetiva dos moradores.

O Parque Estadual do Biribiri é uma das mais importantes unidades de conservação de Minas Gerais, com cerca de 17 mil hectares de área. Localizado na Serra do Espinhaço, o parque é reconhecido pela sua biodiversidade e por sua relevância hídrica, sendo divisor de águas das bacias dos rios São Francisco, Doce e Jequitinhonha. Além disso, abriga ecossistemas de cerrado e campos rupestres, fundamentais para a preservação de espécies ameaçadas, como o lobo-guará e a onça-parda.

O local também possui forte valor histórico e cultural. Entre seus atrativos estão sítios arqueológicos com pinturas rupestres, vestígios de antigas construções e o chamado “Caminho dos Escravos”. As cachoeiras da Sentinela e dos Cristais figuram entre os principais pontos turísticos, atraindo visitantes interessados em ecoturismo e atividades de aventura.

Outro destaque é a tradicional Vila do Biribiri, fundada no final do século XIX para abrigar trabalhadores de uma fábrica de tecidos que funcionou por aproximadamente um século. Hoje, a vila é considerada um importante refúgio turístico, preservando características históricas e culturais da região.

De acordo com dados oficiais, o parque recebeu cerca de 52 mil visitantes em 2024, consolidando-se como um dos destinos naturais mais procurados do estado. Com a proposta de concessão, o Governo de Minas pretende ampliar esse número para aproximadamente 179 mil visitantes até 2054, apostando no fortalecimento do turismo sustentável e na melhoria da infraestrutura.

O modelo de concessão prevê a transferência da gestão operacional para a iniciativa privada por um período de 30 anos, com investimentos estimados em R$ 3,6 milhões em infraestrutura e cerca de R$ 1,5 milhão destinados à manutenção e reparos. Apesar disso, a propriedade da área permanece sob responsabilidade do Estado, com supervisão do Instituto Estadual de Florestas (IEF).

A proposta integra o Programa de Concessões de Parques Estaduais, que já contempla outras unidades de conservação, como os parques de Ibitipoca, Sumidouro e Itacolomi. A expectativa do governo é que a medida gere empregos, aumente a arrecadação e qualifique os serviços oferecidos aos visitantes.

Entretanto, a iniciativa enfrenta resistência de moradores e movimentos sociais de Diamantina. O grupo “O Parque do Biribiri é nosso” critica a proposta, argumentando que a cobrança de ingressos prevista no edital representa, na prática, uma forma de privatização que pode comprometer o acesso da população e alterar a função social do parque.

Outro ponto de contestação diz respeito à audiência pública realizada pelo IEF em fevereiro. Segundo lideranças locais, o encontro ocorreu em local de difícil acesso e foi prejudicado por problemas técnicos, como a falta de energia elétrica durante o debate, o que teria limitado a participação popular.

A deputada Beatriz Cerqueira também manifestou preocupação com a condução do processo. Para ela, as consultas públicas têm sido realizadas de forma inadequada. “Não se pode tratar um patrimônio coletivo dessa magnitude sem ouvir, de forma respeitosa e efetiva, as comunidades impactadas. O que estamos vendo é o cumprimento de uma formalidade, sem diálogo real”, criticou.

A visita da comissão pretende justamente ampliar esse debate, criando um espaço de escuta direta com moradores, lideranças e representantes da sociedade civil. A expectativa é que o encontro contribua para uma avaliação mais equilibrada sobre os impactos da concessão, considerando tanto os benefícios econômicos quanto as preocupações sociais e ambientais.

O futuro do Parque Estadual do Biribiri, portanto, permanece no centro de um debate que envolve desenvolvimento, preservação e participação popular. A decisão sobre sua gestão poderá influenciar não apenas o turismo regional, mas também a forma como Minas Gerais conduz suas políticas de conservação ambiental nos próximos anos.