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COM + IDA - Rede Gazeta de Comunicação

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COM + IDA

Adelaide Valle Pires

Autora

Tem dias em que a palavra se abre sozinha.

Hoje foi “comida”.

Dividi ao meio, como quem parte um pão ainda quente:

COM e IDA.

“Com” tem gosto de companhia.

De conversa, de confiança, de comprometimento.

É o que transforma o ato de comer em algo que não cabe só no prato.

Já “ida”… carrega a vida inteira escondida ali dentro.

É caminho, é movimento, é aquilo que segue — mesmo quando a gente não percebe.

E então me lembrei de uma cena de série.

O rapaz dizia que nunca entendeu esse exagero todo em torno da comida.

Pra ele, sempre foi só combustível.

E talvez seja mesmo.

Mas não um combustível qualquer.

É o que sustenta a ida dentro da vida.

Curioso é que, quando ele passou a conviver mais com alguém,

começou a perguntar:

“Você já comeu?”

“Comeu o quê?”

“Comeu direito?”

Como se, de repente, alimentar deixasse de ser só função…

e virasse cuidado.

Hoje a gente também olha pra comida como medida.

De corpo.

De padrão.

De controle.

Mas e se ela fosse vista só como ritmo?

Nem excesso, nem falta.

Mas pulso.

Porque a vida não pede perfeição —

pede circulação.

Ida e volta.